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Tennessee pausa execuções e investiga falha em procedimento de injeção letal

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Uma tentativa de execução mal-sucedida, envolvendo a detenta Christa Pike na noite da última quarta-feira (30/9) na penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, Tennessee, levou o governador Bill Lee a paralisar todas as execuções no estado até o final do ano. A medida veio acompanhada da ordem para que uma investigação aprofundada seja iniciada sobre os procedimentos.

Suspensão Afeta Outros Condenados à Morte

A determinação do governador beneficia diretamente Gary Wayne Sutton, que teria sua pena capital cumprida em 3 de dezembro. Sutton foi sentenciado à morte pela autoria do duplo homicídio de Tommy Griffin e sua irmã, Connie Branam, em fevereiro de 1992, no próprio estado do Tennessee. Além disso, ele foi condenado por atear fogo às propriedades das vítimas.

Gary Wayne Sutton — Foto: Reprodução/Tennessee Dept. of Correction Crédito: Extra.globo.com

A suspensão, embora inesperada de um governador conhecido por apoiar a pena capital, pode igualmente influenciar o processo de Tony Carruthers. Ele recebeu a pena máxima em 1996 por sequestrar e assassinar três indivíduos dois anos antes. Carruthers já havia enfrentado uma tentativa de execução frustrada em maio deste ano, que foi abortada quando os profissionais de saúde não conseguiram estabelecer o acesso venoso necessário. Uma nova data para o cumprimento de sua sentença ainda não foi definida.

Atualmente, o corredor da morte do Tennessee abriga 40 detentos, e Christa Pike é a única mulher entre eles. O processo de aplicação da pena capital pode se estender por décadas após a condenação inicial, passando por inúmeros recursos judiciais e, em última instância, dependendo de um possível ato de clemência do governador.

Questionamentos Após Falha na Execução de Christa Pike

Os representantes legais de Christa Pike, que seria a primeira mulher a ser executada no Tennessee desde 1819, argumentaram que sua cliente foi submetida a um sofrimento excessivo e desnecessário. Eles sustentam que houve uma violação de seu direito constitucional contra punições cruéis e incomuns. Após o incidente, ela foi transportada de ambulância para um hospital, e seu quadro clínico não foi divulgado.

Em um comunicado divulgado, os advogados afirmaram que, mesmo após a administração da segunda dose de pentaorbital, “a Sra. Pike não perdeu a consciência e ainda apresenta batimentos cardíacos e ronca de forma audível”, evidenciando a falha no procedimento.

Lacunas no Protocolo de Injeção Letal do Estado

O Departamento de Correções do Tennessee, por sua vez, declarou que todos os passos do “protocolo de execução legal e estabelecido” foram rigorosamente seguidos. O manual de procedimentos prevê a administração de uma segunda série de injeções caso o detento não venha a óbito após a primeira. Contudo, o departamento admitiu em comunicado que o protocolo não detalha quais medidas devem ser tomadas se o indivíduo permanecer vivo mesmo após a segunda rodada de substâncias letais.

Anteriormente, a defesa de Christa já havia apelado à Suprema Corte solicitando a interrupção da execução. Eles citaram o diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático da condenada e o “sofrimento mental severo e terror psicológico adicional” que ela poderia experimentar ao ser imobilizada na maca para a injeção letal. O pedido, no entanto, foi negado.

Em virtude de uma história de abusos desde a infância, Christa solicitou que todos os membros da equipe de execução fossem mulheres, um pedido que não foi atendido. Posteriormente, expressando “terror” em relação à injeção letal, ela pediu para ser executada por enforcamento. Este método, contudo, não é mais utilizado no Tennessee desde o início do século XX.