Um grupo de pilotos da Fórmula 1 trocou o burburinho dos paddocks por um cenário paradisíaco, mas igualmente competitivo, em um acampamento de treinamento e férias coletivas na ilha de Langkawi, na Malásia. Antes do Grande Prêmio do Bahrein de 2026, que será disputado no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, diversos nomes do grid aproveitaram dias de kart, xadrez, treinos intensos e passeios de barco, revelando uma faceta pouco vista de suas personalidades fora das pistas.
A iniciativa, que combinou lazer com preparação física, ofereceu uma rara oportunidade para que os rivais das pistas pudessem interagir de forma mais descontraída, longe dos holofotes e das pressões dos fins de semana de corrida. Este tipo de encontro informal é incomum na apertada agenda da Fórmula 1, onde cada equipe e piloto seguem rotinas rigorosas e individualizadas, tornando a experiência em Langkawi um evento digno de nota.

A primeira menção sobre a viagem descontraída partiu da dupla da Williams, composta por Alex Albon e Carlos Sainz. Eles deixaram escapar os planos durante uma aparição no Fan Stage do recente Grande Prêmio do Azerbaijão. Albon inicialmente fez uma alusão a um período de descanso conjunto entre alguns colegas de profissão, embora tenha sugerido que o encontro aconteceria entre as etapas da Malásia e de Singapura.
“Vamos fazer uma espécie de viagem de rapazes, eu acho”, comentou Albon no palco, com um tom de expectativa. “Creio que alguns pilotos se juntarão para passar um tempo juntos.” A ideia de uma confraternização masculina parecia já estar ganhando forma nos bastidores, gerando curiosidade sobre quem faria parte dessa aventura.
Sainz, seu colega de equipe, rapidamente complementou a fala de Albon, confirmando a natureza do encontro. “Será uma viagem de rapazes”, acrescentou o espanhol, pontuando um detalhe curioso. “Percebemos que ninguém vai levar a namorada. Mas não é como se fôssemos fazer algo emocionante. Ficaremo em um resort no meio do nada”, minimizou ele, talvez para disfarçar a antecipação por dias de pura diversão e treino.
Pouco depois do Grande Prêmio de Baku, as primeiras evidências visuais da escapada dos pilotos começaram a surgir nas redes sociais. Moradores locais foram os primeiros a compartilhar vídeos e imagens, mostrando os astros da F1 tomando conta de uma pista de kart nas proximidades do resort, gerando entusiasmo entre os fãs e confirmando os rumores iniciais.
Além de Alex Albon e Carlos Sainz, a lista de participantes incluiu nomes como George Russell, Ollie Bearman, Oscar Piastri e Gabriel Bortoleto, jovens talentos que representam o presente e o futuro da Fórmula 1. Para completar o grupo, o ex-piloto de F1 Roberto Merhi também se juntou à comitiva, adicionando uma dose de experiência ao time.
Sainz revelou posteriormente que a reunião em Langkawi aconteceu de maneira quase espontânea. A logística de viagem de vários pilotos, que tentavam coordenar seus voos do Azerbaijão para a Malásia, foi o catalisador para a ideia. Em vez de seguirem diretamente para Kuala Lumpur, uma alternativa mais interessante e focada no bem-estar surgiu.
“Foi uma combinação de fatores”, explicou Sainz durante uma sessão de imprensa em Sepang, antes do Grande Prêmio do Bahrein. “Eu percebi que alguns pilotos estavam tentando pegar um voo para a Malásia de Baku no sábado à noite. Em vez de voarem direto para Kuala Lumpur, eu sugeri: ‘Por que não vamos para outro lugar?'” A proposta de um destino mais exclusivo e propício para o descanso e o treino rapidamente ganhou adeptos.
O piloto espanhol contou que encontrou um hotel numa ilha que parecia ideal para passar quatro ou cinco dias, com excelentes instalações para ciclismo e uma academia bem equipada. “Eu disse: ‘Por que, em vez de todos voarem para Kuala Lumpur por quatro dias, que é mais uma cidade e tem menos atividades planejadas para nós, não voamos para este resort agradável?'”, recordou. Essa decisão transformou uma simples transição de voos em uma experiência única e inesquecível para o grupo. “Todos nós embarcamos naquele avião na noite de sábado e voamos direto de Baku para Langkawi. Ninguém provavelmente nunca voou de Baku para Langkawi. É o voo mais aleatório de todos”, concluiu, ressaltando a peculiaridade da rota.
Localizada em um arquipélago na costa noroeste da Malásia, Langkawi ofereceu o cenário perfeito para os pilotos. Eles aproveitaram ao máximo os arredores paradisíacos, explorando os pontos turísticos enquanto utilizavam a oportunidade para intensificar o treinamento físico, uma preparação crucial para o retorno do campeonato ao desafiador Circuito Internacional de Sepang. A combinação de paisagens deslumbrantes e infraestrutura para exercícios foi ideal para a rotina de atletas de alta performance.
Para Carlos Sainz, a viagem representou algo surpreendentemente difícil de encontrar durante uma temporada de Fórmula 1: tempo de qualidade com os colegas que ele enfrenta a cada fim de semana. A natureza isolada do resort e a ausência de compromissos protocolares permitiram uma interação genuína e profunda, algo que os rigores do paddock raramente permitem.
“Normalmente, nos fins de semana de corrida, nunca nos vemos de verdade”, explicou Sainz, destacando a rotina solitária dos pilotos. “Eu nunca vejo todos os rapazes com quem pude passar um tempo, porque todos temos nossos próprios compromissos. Então, é muito raro conseguir passar um tempo de qualidade com eles.” A ilha, com seu ambiente mais íntimo, proporcionou um terreno fértil para essa interação.
“A ilha para onde fomos era bastante divertida porque era uma ilha pequena. Você coloca sete pilotos em uma ilha e vê o que eles acabam fazendo. Foi um pouco como um experimento social, com certeza. Aqueles quatro dias, eu diria, foram interessantes”, descreveu o espanhol. Ele enfatizou como a experiência permitiu que conhecesse melhor a personalidade e a história de seus colegas. “Pessoalmente, pude conhecer muito mais personagens e alguns pilotos que eu não conhecia. Pude ver a história deles, de onde vieram, como acabaram sendo do jeito que são, e por quê. Pude me conectar com eles e entendê-los um pouco melhor”, concluiu, ressaltando o valor humano da viagem. “Para mim, foi uma experiência muito legal. Acho que todos saímos de lá muito felizes com o resultado.”
O atual campeão mundial, Lando Norris, também se uniu ao grupo em Langkawi, embora tenha optado por não participar da sessão de kart, preferindo atividades mais relaxantes. Ele foi visto descontraindo com uma partida de xadrez à beira-mar, um passatempo que parece estar ganhando popularidade entre os atletas de elite. A presença de Norris adicionou mais um nome de peso ao encontro, mesmo que sua participação nas atividades tenha sido um pouco diferente dos demais.
Norris pareceu bastante satisfeito em se manter afastado da pista de kart, concentrando-se em seu próprio regime. “Todo mundo foi para o kart, mas eu fiz um pouco de treino e fiquei no resort”, disse ele em uma coletiva de imprensa em Sepang. Sua decisão de não participar não foi sem razão, pois ele tinha informações privilegiadas sobre o que acontecia lá.
“Pelo que ouvi, eu certamente não acho que fez ninguém tratar o outro com mais gentileza”, comentou Norris, com um toque de humor. “Acho que só piorou. Pelo que ouvi, todos colocaram uns aos outros na parede em algum momento.” A descrição sugere que a competição ferrenha da Fórmula 1 se manifestou de forma ainda mais intensa e talvez um tanto caótica nas pistas de kart.
Na pista de kart, os pilotos tiveram que escolher seus próprios nomes para os perfis e tirar fotos, um momento que George Russell mais tarde compartilhou em suas redes sociais. Esse pequeno detalhe acrescentou um toque de leveza e camaradagem à intensa competição que se desenrolaria, permitindo que os fãs tivessem um vislumbre divertido de seus ídolos.
O piloto da Mercedes, George Russell, competiu sob o pseudônimo de ‘G Dawg’, revelando seu lado descontraído. Alex Albon optou por ‘Albino’, enquanto Carlos Sainz manteve a simplicidade com seu número de corrida na F1, ’55’. Oscar Piastri, por sua vez, escolheu ‘OP’, uma abreviação de seu nome, e esses apelidos adicionaram um elemento lúdico à já acirrada competição.
Em Sepang, Russell detalhou com vivacidade o que realmente aconteceu quando os pilotos da Fórmula 1 foram soltos na pista de kart, descrevendo uma cena de pura adrenalina e rivalidade. “Foi selvagem”, afirmou o vencedor de uma corrida recente da F1, com um brilho nos olhos que denunciava a intensidade da experiência. “Primeiro, fui ajudado pelos malaios… Eu fui até um dos rapazes e perguntei: ‘Qual é o melhor kart?’ E ele colocou pneus novos, então eu tinha um kart que era tipo 1,5 segundos mais rápido que o de todo mundo, e eles estavam furiosos!”
A descrição de Russell pintou um quadro de uma corrida sem barreiras, onde a competitividade natural dos pilotos da F1 se manifestou de forma extrema. “Foi uma carnificina, mas eu imaginei que seria”, continuou. “Bortoleto acabou com hematomas nas costas, Piastri quase quebrou uma costela, foi como uma corrida de demolição!” A rivalidade, que normalmente se expressa em milésimos de segundo e manobras precisas, ali se transformou em um embate físico.
A intensidade foi tamanha que Russell, em um momento de autopreservação, decidiu abandonar a disputa. “Eu realmente parei antes do fim porque pensei: ‘Vou quebrar alguma coisa aqui'”, admitiu. “Então, eu realmente não sei quem venceu.” O relato sublinha o perigo e a paixão que esses atletas injetam em qualquer forma de competição, mesmo fora de seus carros de bilhões de dólares.
Olli Bearman não deixou por menos, protagonizando um dos momentos mais marcantes da corrida. “Bearman empurrou Merhi contra uma parede na primeira volta da corrida”, contou Russell, com uma mistura de espanto e diversão. “E então foi tipo: ‘Quem mais poderia atingir alguém com mais força?'” Essa anedota demonstra a natureza implacável e o espírito de corpo a corpo que dominou a pista de kart, transformando uma simples brincadeira em um verdadeiro campo de batalha de camaradagem e rivalidade.
Apesar de toda a diversão e a competição acalorada no kartódromo, o acampamento em Langkawi não foi apenas lazer. Houve também uma preparação séria e focada, essencial para as duas corridas fisicamente exigentes que se aproximavam: o Grande Prêmio da Malásia e, na sequência, o de Singapura. A necessidade de aclimatação e de manutenção do condicionamento físico é crucial nestes circuitos, conhecidos por suas altas temperaturas e umidade.
“Foi um bom campo de treinamento, para ser honesto, e estou trabalhando duro para me preparar para esta corrida”, disse Ollie Bearman, quando questionado sobre a viagem durante a coletiva de imprensa pré-corrida. A declaração de Bearman reforça que, para os pilotos de Fórmula 1, mesmo momentos de folga são integrados a uma rotina de alta performance, onde cada detalhe da preparação física é meticulosamente planejado.
Ele destacou a importância de se adaptar às condições climáticas específicas da região, que representam um desafio adicional para os atletas. “Você sabe, é um clima muito único que temos aqui e, claro, na próxima semana em Singapura também”, explicou Bearman. A exposição ao calor e à umidade de Langkawi serviu como uma aclimatação valiosa, preparando seus corpos para o estresse das corridas que viriam.
Além da preparação física, a convivência com os outros pilotos fora do ambiente de trabalho também trouxe benefícios inesperados. “Foi muito divertido passar um tempo com alguns dos rapazes fora do circuito, e isso também é bastante raro de se conseguir fazer”, comentou Bearman, sobre a experiência. Ele enfatizou como o encontro permitiu que ele descobrisse novas dimensões de seus colegas. “E desbloquear uma espécie de novo lado de todas as pessoas com quem eu estava passando tempo”, concluiu, reiterando o valor da interação humana para além da competição. “Eu me diverti muito, e também é bom ter um pouco de tempo para relaxar antes de entrar novamente na rotina intensa das corridas.”