
Smit Machchhar, piloto indiano esfaqueado por colega de Omã em voo da FlyDubai de Dubai a Tel Aviv — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com
Um incidente grave a bordo de um voo da FlyDubai com destino a Tel Aviv, Israel, chocou o setor aéreo. Na última quarta-feira, um copiloto de nacionalidade omanense esfaqueou o piloto durante a viagem que partiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Autoridades israelenses revelaram que o agressor, antes do ataque, expressava publicamente em redes sociais o desejo de “matar judeus”, indicando uma possível motivação radicalizada.
O ataque ocorreu na cabine de comando do Boeing 737, pegando a tripulação de surpresa. O piloto, Smit Machchhar, foi atingido diversas vezes, mas conseguiu manter o controle da situação, evitando um desfecho mais trágico.
Machchhar, um experiente aviador indiano com 13 anos de carreira e mais de 9.750 horas de voo, atuava na FlyDubai desde 2022, após passagens pela companhia indiana low-cost SpiceJet. Ele é especialista em modelos Boeing 737 Max 8/9 e 737-800. Sua rápida reação e a intervenção de outros membros da tripulação foram cruciais para evitar uma tragédia maior, rendendo-lhe o reconhecimento de “herói” nas redes sociais.
O copiloto agressor, cujo nome não foi divulgado publicamente, foi contido a bordo por outros tripulantes e passageiros. Após ser dominado, ele teria pedido para ser morto, conforme relatos de conversas com passageiros do voo.
Uma autoridade israelense, que acompanha o caso, descreveu o copiloto como alguém com tendências suicidas. As investigações preliminares apontam que suas plataformas digitais continham material que sugeria radicalização por ideologia jihadista, com menções explícitas a “matar judeus”.
Esse perfil levanta sérias preocupações sobre a segurança da aviação, especialmente em rotas sensíveis como as que ligam nações árabes a Israel. A possibilidade de um ataque suicida a bordo, com o objetivo de derrubar a aeronave, está sendo investigada como a principal linha.
A FlyDubai informou que a aeronave, que seguia para Tel Aviv, foi desviada para Tabuk, na Arábia Saudita. O pouso foi realizado com sucesso por membros da tripulação que estavam a bordo, mas não em serviço ativo naquele voo específico, demonstrando a capacidade de resposta da equipe em situações de crise. A dupla de pilotos atacada deveria retornar com o Boeing em um voo de Tel Aviv para Dubai.
Israel iniciou sua própria investigação interna e já anunciou a revisão de seus procedimentos de segurança aérea em resposta ao incidente. A expectativa é que o agressor seja transferido para os Emirados Árabes Unidos, onde as autoridades israelenses participarão ativamente do processo investigatório conjunto.
A situação é particularmente delicada devido à ausência de relações diplomáticas entre Omã, país de origem do copiloto, e Israel. Especialistas em segurança aérea defendem que pilotos omanenses deveriam ser excluídos da escala de voos com destino a Israel, uma medida que poderia prevenir futuros incidentes. Atualmente, apenas companhias como Etihad Airways, Emirates e FlyDubai mantêm operações para Tel Aviv, embora sob rigoroso monitoramento e ajustes constantes na malha aérea.