
Christa Pike — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
A tentativa de execução de Christa Pike, condenada pela morte de Colleen Slemmer em 1995, falhou de maneira inédita na noite de quarta-feira (30/9), gerando forte indignação na mãe da vítima, May Martinez, e provocando a suspensão da pena capital no estado do Tennessee. O procedimento não conseguiu induzir a morte da detenta, que permaneceu consciente e com batimentos cardíacos, um desfecho sem precedentes na história da aplicação da pena de morte nos Estados Unidos.
Após o procedimento mal-sucedido, May Martinez expressou sua frustração com a forma como a situação foi conduzida. “Foi uma bagunça. Eles tentaram executá-la, mas ela não morreu”, declarou Martinez, ressaltando a falha do sistema.
A mãe de Colleen Slemmer também destacou a ausência de qualquer sinal de arrependimento por parte de Christa Pike durante a execução. “Absolutamente nada sobre o que aconteceu, sabe, com a Colleen”, afirmou, lamentando a falta de remorso demonstrada pela condenada.
Martinez criticou a comunicação das autoridades, que teriam pedido para que as famílias das vítimas se retirassem sem dar explicações claras. Somente mais tarde, em um escritório, foi informado que o processo “não deu certo” e que Pike estava sendo levada a um hospital.
Christa Pike resistiu à aplicação de duas doses de pentaorbital, o fármaco utilizado na injeção letal. Testemunhas e advogados presentes relataram que ela não perdeu a consciência completamente, mantendo os batimentos cardíacos e sendo ouvida roncando fortemente atrás da cortina da câmara de execução.
Um especialista em medicina da Emory University, Joel Zivot, alertou que a demora no início da reanimação poderia resultar em lesão cerebral para Pike. A diretora-executiva do Death Penalty Information Center, Robin M. Maher, classificou o ocorrido como “algo único e sem paralelo” na história da pena de morte americana. O caso é ainda mais notável por ser a primeira tentativa de execução de uma mulher no Tennessee desde 1819, quando uma “mulher negra anônima” foi condenada por homicídio.
Diante do desfecho inesperado, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a abertura de uma investigação e a suspensão da aplicação da pena de morte no estado até o final do ano. Essa medida afeta diretamente Gary Wayne Sutton, cuja execução estava agendada para 3 de dezembro, condenado por duplo homicídio em 1992.
Antes da tentativa de execução, Christa Pike havia proferido suas últimas palavras, declarando que deixaria o mundo “da mesma forma que passei a maior parte da minha vida: com amor”. Seus advogados haviam solicitado à Suprema Corte a suspensão da execução, alegando que ela sofria de transtorno de estresse pós-traumático e que o processo de injeção letal causaria “sofrimento mental severo e terror psicológico adicional”. O apelo, no entanto, não foi aceito.
Pike também havia feito pedidos específicos para seu procedimento, como ser executada por enforcamento (método não utilizado no Tennessee desde o século passado) e que todos os envolvidos na execução fossem mulheres, devido a abusos sofridos na infância. Ambos os pedidos foram negados.
Christa Pike, na época com 18 anos, e seu então namorado, Tadaryl Shipp, com a assistência de Shadolla Peterson, foram os responsáveis pela brutal tortura e morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em janeiro de 1995. A vítima, uma jovem da Flórida que buscava uma nova vida no Tennessee, foi morta sob a motivação de ciúmes, com Pike temendo que Slemmer estivesse tentando “roubar seu namorado”.
O casal chegou a levar um pedaço do crânio de Colleen como uma “lembrança” do crime. Tadaryl Shipp recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional, mas teve sua pena acrescida em 25 anos após tentar estrangular outro detento na prisão em 2004. Ele se converteu ao islamismo enquanto estava detido. Shadolla Peterson, a outra cúmplice, obteve liberdade condicional após colaborar como informante no caso contra Pike e Shipp.