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FPA consolida força no congresso e prioriza agenda econômica com crédito e seguro rural para 2027

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Com o cenário político nacional caminhando para um segundo turno presidencial, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já articula sua estratégia em Brasília, focando menos nos discursos de campanha e mais na influência legislativa. O grupo, que emergiu das urnas com significativo reforço, direciona seus esforços para a disputa orçamentária, o comando de relatorias e a força em comissões, visando moldar as políticas públicas do próximo ciclo governamental.

A bancada ruralista, reconhecida como o maior grupo organizado no Congresso Nacional, demonstrou sua capacidade de renovação e manutenção de poder. Dos 345 congressistas registrados em sua plataforma oficial, 173 parlamentares iniciarão novos mandatos a partir de 2027, distribuídos entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Essa robustez política permite à FPA exercer sua expertise em negociações, pressionar por pautas específicas, alterar textos legislativos e destravar votações cruciais. A força demonstrada nas urnas agora se traduz em uma clara definição de prioridades para os próximos anos, com foco primordial na sustentabilidade econômica do setor agrícola.

Força política consolidada

Na Câmara dos Deputados, 150 membros da FPA garantiram a reeleição, enquanto outros 17 integrantes da atual composição foram eleitos para o Senado. Somados aos senadores que renovaram seus mandatos e àqueles que já permanecem na Casa até 2031, a bancada ruralista alcança o novo Congresso com uma musculatura política considerável. Este capital político é essencial para a efetivação de suas demandas.

A capacidade de articulação da FPA transcende as barreiras partidárias, reunindo deputados e senadores de diversas legendas em torno de uma agenda comum. Essa coesão é vital para atuar em comissões estratégicas, organizar votações e negociar diretamente com as presidências da Câmara e do Senado, consolidando a frente como um influente centro de poder legislativo.

Endividamento recorde e a urgência do crédito

O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, reeleito pelo Paraná, delineou a principal pauta econômica para o próximo governo: a questão do crédito rural e do endividamento. Ele enfatizou que o setor enfrenta um endividamento sem precedentes e um grave problema de inadimplência, dificultando as operações de plantio e colheita para muitos produtores.

A situação no campo é complexa, resultando de uma perigosa combinação de fatores. Produtores rurais lidam com crédito mais caro, margens de lucro reduzidas, dificuldades na renegociação de dívidas, custos de produção elevados, eventos climáticos extremos e uma crescente insegurança para financiar as próximas safras. Essa conjuntura ameaça a continuidade de diversas atividades agrícolas.

A FPA buscou no Congresso uma renegociação mais abrangente das dívidas rurais. Embora o texto tenha avançado tanto na Câmara quanto no Senado, o governo optou por editar uma medida provisória que o setor considera insuficiente. Segundo Lupion, a MP alcançaria apenas cerca de 12% dos produtores, falhando em atender àqueles que estão em situação mais crítica e necessitam de apoio imediato.

Para a bancada, não basta apenas anunciar medidas de renegociação; é fundamental que essas políticas sejam acessíveis e eficazes para o produtor final. A experiência mostra que, no agronegócio, políticas públicas que não chegam à ponta da cadeia produtiva perdem sua validade e impacto, gerando frustração e ineficácia.

Novo modelo para o plano safra

Outra prioridade central da bancada é a reformulação do Plano Safra. Pedro Lupion defende a implementação de um Plano Safra plurianual, inspirado no modelo da Farm Bill americana. A proposta visa estabelecer um planejamento de cinco anos para crédito, seguro, subvenções, garantias e outros instrumentos de proteção ao produtor rural.

Essa mudança de paradigma busca eliminar a incerteza anual que aflige o setor, que a cada ano aguarda a definição de recursos, taxas, linhas de crédito e possíveis contingenciamentos. A visão é que o Plano Safra deve se tornar progressivamente menos dependente das decisões de um único governo, garantindo maior previsibilidade e estabilidade para o planejamento de longo prazo das atividades agrícolas.

O mercado privado e a necessidade de segurança

O debate sobre o Plano Safra ganha relevância ao considerar que, na última safra de verão, aproximadamente 20% do financiamento veio de recursos públicos, com o restante sendo bancado por instrumentos privados. Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Cédulas de Produto Rural (CPR) financeiras e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) já são realidades consolidadas no financiamento do setor.

A crescente participação do mercado privado no financiamento rural levanta a questão de como organizar esse ecossistema com segurança, garantia e previsibilidade. O crédito privado, sem as devidas proteções e regulamentações, pode expandir o acesso em um ano e restringi-lo drasticamente no ano seguinte, justamente quando os produtores mais precisam de apoio e capital para suas operações.

Seguro rural como pilar essencial

A FPA também deve intensificar a defesa do seguro rural como um componente estrutural e indispensável do crédito. Um seguro rural fragilizado tem um efeito cascata negativo: encarece o financiamento, eleva os riscos para as instituições financeiras e deixa o produtor mais vulnerável a intempéries climáticas, pragas, quebras de safra e inadimplência.

Quando as perdas ocorrem sem a devida cobertura, o ônus recai sobre o Congresso na forma de demandas por renegociações, prorrogações de dívidas, subsídios emergenciais e pressão sobre o orçamento público. Lupion propõe um seguro agrícola obrigatório e equalizado, com apólices mais completas e uma capacidade real de mitigar riscos, protegendo tanto o produtor quanto a economia do setor.

Esse ponto é particularmente relevante para estados como Santa Catarina, que conhecem de perto os desafios de produzir sob riscos climáticos, sanitários e de mercado. Culturas como aves, suínos, leite, grãos, frutas, tabaco, pesca e madeira dependem não apenas de crédito, mas também de estabilidade para prosperar. A estabilidade, nesse contexto, não pode ser construída com socorros improvisados a cada crise, mas sim com políticas de longo prazo.

Renovação na liderança e a articulação estratégica

A nova fase da FPA também trará mudanças em sua liderança. Pedro Lupion confirmou que não pretende continuar na presidência da frente parlamentar no próximo mandato, justificando a decisão pela necessidade de renovar e oxigenar a direção do grupo. A rotatividade na liderança é vista como um mecanismo para fortalecer a representatividade e a adaptabilidade da bancada.

O nome do deputado Zé Vitor, de Minas Gerais, tem sido cotado para compor a nova executiva e é apontado como um dos possíveis sucessores na presidência da bancada. A definição, contudo, está prevista para março. A sucessão na FPA é um processo de grande importância, dada a sua função como uma central de articulação política que define a pauta e as prioridades do agronegócio no Congresso Nacional.

Prioridades da agenda legislativa

A FPA, como um grupo que organiza votos, constrói pareceres e negocia diretamente com as mais altas esferas do Legislativo, tem uma fila de prioridades bem definida para o próximo período. Quem comanda a frente não apenas fala em nome do agro, mas também estabelece a ordem dos temas a serem debatidos e votados.

A agenda para os próximos anos inclui:

  • Crédito rural
  • Renegociação de dívidas
  • Seguro rural abrangente
  • Reforma do Plano Safra
  • Questões ambientais ligadas ao setor
  • Comércio exterior de produtos agrícolas
  • Defesa agropecuária
  • Segurança jurídica para o produtor

Entre os nomes de peso que seguirão no Congresso e que são integrantes da FPA, além do próprio Pedro Lupion e Zé Vitor, destacam-se parlamentares como Alceu Moreira, Arthur Lira, Bia Kicis, Evair de Melo, Gustavo Gayer, André Fufuca, Carlos Jordy, Marcel van Hattem e Carol De Toni, refletindo a amplitude e a influência da bancada.