Categories: Notícias

Fragmentos de cerâmica e amostras de solo reforçam investigações sobre a Arca de Noé na Turquia

Share

Novos fragmentos de cerâmica e cerca de mil amostras de solo foram coletados durante a mais recente fase de pesquisas na Formação Durupinar, localizada nas proximidades do Monte Ararat, na Turquia. A área é há muito tempo objeto de intensa investigação por parte de cientistas que acreditam que o local possa abrigar os vestígios da lendária Arca de Noé, conforme narrado em textos bíblicos.

As recentes descobertas seguem uma série de leituras de radar subterrâneo que revelaram anomalias significativas sob a formação rochosa, reacendendo o debate sobre a possível existência da embarcação. Os materiais coletados foram enviados para laboratórios em Ancara, onde passarão por análises detalhadas, com as primeiras conclusões científicas aguardadas para 2027.

Formação Durupinar, na Turquia: abrigo da bíblica Arca de Noé? — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

Novas evidências e análise laboratorial

Durante os trabalhos de campo, arqueólogos recuperaram fragmentos de cerâmica cuja idade, embora ainda não determinada, é estimada como anterior ao período do dilúvio bíblico. Esta descoberta acrescenta uma nova camada arqueológica à pesquisa, que busca não apenas a arca, mas também evidências de ocupação humana antiga na região.

Além da cerâmica, foram coletadas aproximadamente mil amostras de solo em 150 pontos distintos da formação. O uso de radar de penetração no solo (GPR) foi crucial para identificar as áreas de amostragem, enquanto sistemas de GPS e mapeamento tridimensional documentaram meticulosamente cada local. O foco principal da equipe em Ancara será a identificação de material orgânico e possíveis resíduos de madeira, elementos que seriam cruciais para a tese da Arca de Noé.

Anomalias subterrâneas e indícios estruturais

As investigações subterrâneas, realizadas com equipamentos avançados de imagem, revelaram características incomuns sob a Formação Durupinar, que tem um formato naturalmente semelhante ao de um barco. Entre as anomalias detectadas, estão possíveis cavidades e estruturas com bordas relativamente regulares, algumas delas se cruzando em ângulos retos.

A equipe de pesquisa sugeriu que esses padrões poderiam indicar vestígios de compartimentos ou outros elementos estruturais, levantando a possibilidade de uma construção artificial. Medições preliminares do solo também indicaram uma diferença notável: os níveis de carbono nas amostras internas da formação eram cerca de 40% mais altos do que os registrados externamente. Cenker Atila, líder da missão científica da Universidade Sivas Cumhuriyet, especulou que esses níveis elevados poderiam estar associados à presença de material orgânico, incluindo madeira.

Avanço tecnológico na busca milenar

O projeto, denominado “Noah’s Ark Scans”, obteve autorizações governamentais turcas para conduzir a mais abrangente investigação científica já realizada na Formação Durupinar. Esta fase da pesquisa empregará tecnologias de ponta, incluindo perfurações de sondagem não destrutivas, sensoriamento remoto avançado, sistemas de imagem de última geração e um drone subterrâneo, apelidado de “Gopher”, projetado para mapear o subsolo.

Esta abordagem tecnológica representa um salto significativo em relação a métodos anteriores, buscando oferecer uma análise mais profunda e menos invasiva. O compromisso com a pesquisa de longo prazo, com resultados previstos para 2027, sublinha a seriedade e o rigor científico que a equipe pretende aplicar a uma das maiores lendas da humanidade.

Contexto histórico e a lenda da Arca de Noé

A Formação Durupinar está localizada a apenas 29 quilômetros ao sul do Monte Ararat, o pico mais alto da Turquia. A existência dessa formação peculiar tornou-se conhecida pelo mundo moderno após chuvas intensas e terremotos em maio de 1948, que removeram a lama circundante e revelaram o contorno distinto ao pastor curdo que a descobriu. A Bíblia narra que a Arca de Noé repousou sobre os “Montes de Ararate” após um dilúvio de 150 dias que cobriu a Terra.

A área também é notável pela presença de “pedras de âncora” próximas à vila de Kazan, antigamente conhecida como Arzap. Essas enormes pedras, com orifícios em suas extremidades superiores, foram interpretadas por pesquisadores como Ron Wyatt e David Fasold como possíveis âncoras de uma embarcação antiga, que teriam sido usadas para estabilizar um navio em águas turbulentas. Embora algumas dessas pedras apresentem marcações religiosas posteriores, sua presença se integrou à narrativa local sobre a Arca, adicionando mais um elemento ao mistério que envolve a região.