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O planejamento militar dos Estados Unidos passou a incluir a GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), conhecida como “Mãe de Todas as Bombas”, entre as ferramentas consideradas para potenciais operações contra infraestruturas ligadas ao programa nuclear do Irã. Essa movimentação estratégica ocorre em um momento de escalada das tensões, onde Teerã reafirma sua postura de combinar pressão militar e diplomática para defender seus interesses.
Os planos desenvolvidos pelas Forças Armadas americanas focam em infraestruturas de energia e locais associados ao programa nuclear iraniano. Entre os alvos está o complexo subterrâneo de Pickaxe Mountain, onde Washington e Tel Aviv suspeitam que o Irã armazena componentes nucleares sensíveis. A existência dessas opções operacionais foi revelada por autoridades americanas em 15 de outubro de 2026, embora o Pentágono não tenha emitido confirmação oficial.
Dentro do próprio governo dos EUA, questiona-se a real eficácia da GBU-43/B contra estruturas nucleares subterrâneas, que são profundamente fortificadas e protegidas por camadas de granito. Especialistas apontam que a “Mãe de Todas as Bombas” é mais adequada para “limpar grandes áreas” e serve como uma “arma de operação de informação”, não sendo projetada para penetração profunda. Além disso, há preocupações com o risco de vítimas civis devido ao seu vasto raio de destruição.
O cronograma para uma eventual ofensiva é incerto, podendo ocorrer antes ou depois das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro de 2026, e precedendo uma possível retirada de tropas da área sob gestão do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).
A discussão sobre a utilização da MOAB e a divulgação de planos de ataque geraram reações no cenário político americano. O presidente Donald Trump criticou publicamente o vazamento de informações sobre tais planos antes do pleito de novembro, chegando a declarar em um comício no Arizona, em 14 de outubro, que “nos velhos tempos, costumávamos fuzilar vazadores”.
Anteriormente, em 8 de outubro, o presidente já havia afirmado que não retomaria ataques militares contra o território iraniano antes das eleições de meio de mandato. Essa postura reflete a pressão interna enfrentada pela Casa Branca, especialmente devido ao aumento do custo da energia para os consumidores americanos, um fator que influencia diretamente o apoio popular.
Em Teerã, a resposta às pressões americanas foi articulada pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em um pronunciamento televisionado em 14 de outubro, Ghalibaf reiterou que o país manterá uma estratégia de “lutar e negociar” simultaneamente, combinando capacidade militar, diplomacia e influência regional para forçar Washington a ceder.
Segundo o chefe do Legislativo iraniano, essa abordagem não visa uma guerra ou conversas perpétuas, mas sim levar o adversário ao desespero para que aceite as exigências iranianas ou a derrota. Ele acusou o governo americano de quebrar promessas e defendeu que os EUA “devem ser penalizados e obrigados a alterar sua conduta” para reconhecer as “justas exigências da nação iraniana”. Enquanto os discursos se desenrolam, o Irã intensifica o reforço das defesas em torno de suas instalações nucleares e de energia, preparando-se para uma eventual retomada dos bombardeios.
A persistência do confronto entre EUA e Irã tem repercussões diretas na segurança regional e na economia global. A navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial, é diretamente afetada, assim como a infraestrutura civil e petrolífera na Arábia Saudita.
Em 14 de outubro, o preço do barril de petróleo Brent atingiu aproximadamente US$ 105, um aumento notável em relação aos US$ 98 registrados no final de setembro de 2026, evidenciando a instabilidade no mercado de energia. No mesmo dia, o navio porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, afundou no Estreito de Ormuz, um dia após ser atingido e incendiado. Embora os 21 tripulantes tenham sido resgatados ilesos, as causas do incidente são alvo de controvérsia: a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) atribuiu o naufrágio a uma mina naval em rota não autorizada, enquanto autoridades marítimas internacionais apresentam versões divergentes.
Outro incidente no mesmo dia envolveu o GFS Giselle, também de Singapura, que sofreu avarias no casco na mesma região, mas conseguiu chegar a um ancoradouro seguro com seus 22 tripulantes ilesos. Paralelamente, os rebeldes Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, intensificaram ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita, atingindo a sede da Saudi Aramco em Dhahran e o Aeroporto Internacional Rei Khalid em Riad.
Para encerrar as hostilidades na região, o governo iraniano exige o fim do bloqueio naval e das sanções econômicas impostas por Washington, além da retirada completa das forças militares americanas do Oriente Médio.
A bomba GBU-43/B, apesar de sua alcunha de “Mãe de Todas as Bombas”, teve um único emprego em combate pelas forças americanas. Em abril de 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o artefato foi lançado no Afeganistão contra um complexo de túneis e bunkers do grupo extremista Estado Islâmico (ISIS-K), resultando na morte de mais de 90 militantes. Nunca antes foi utilizada em ataques contra o território iraniano.
O conflito atual, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, teve seu início em fevereiro de 2026, marcando um período de intensa tensão e confrontos na região. A inclusão da MOAB nos planos militares dos EUA sublinha a gravidade e a complexidade do cenário geopolítico em curso.