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Uma grande operação da Polícia Federal deflagrada na manhã desta quinta-feira (15) resultou na prisão preventiva do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), recentemente eleito, e do ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Vinicius Amim Fernandes, conhecido como Marcus Amim. As detenções fazem parte da 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro com movimentação estimada em mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A ação policial cumpriu seis mandados de prisão preventiva e se concentra em desarticular uma organização criminosa que, segundo as investigações, utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar grandes somas de dinheiro. A apuração indica a conivência de figuras políticas e o envolvimento de agentes públicos, sublinhando a gravidade e o alcance da trama criminosa.
Márcio Canella, que também preside o União Brasil no estado e já foi prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi detido em sua residência em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste carioca. Ao ser conduzido pelos agentes federais, o político utilizou um guarda-chuva para tentar cobrir o rosto. Ele é um nome de peso na política fluminense, tendo sido o segundo deputado estadual mais votado nas eleições de 2022, atrás apenas de Índia Armelau (PL), que obteve 248.504 votos.
Além de Canella e Amim, outras quatro pessoas foram alvo de mandados de prisão preventiva na mesma operação. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou de perto o cumprimento das ordens judiciais, especialmente no que tange aos agentes da corporação envolvidos no esquema. Esta fase da operação se insere no contexto da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal e alinhada às diretrizes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, uma ação do Supremo Tribunal Federal (STF) que visa regulamentar operações policiais no estado do Rio de Janeiro, garantindo a legalidade e a transparência.
As ordens para as prisões, buscas e apreensões, além do sequestro de bens e valores, foram emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A investigação da Polícia Federal revelou que o esquema de lavagem de dinheiro, que atingiu a impressionante cifra de R$ 7,6 bilhões, foi identificado a partir de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão federal encarregado de monitorar transações bancárias suspeitas. A magnitude desse valor ressalta a sofisticação e a ampla rede de atuação do grupo criminoso, que conseguiu movimentar cifras bilionárias por meio de atividades ilícitas.
Os envolvidos na operação, conforme suas responsabilidades individuais, enfrentarão acusações sérias que incluem organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A variedade dos crimes imputados demonstra a complexidade da rede desmantelada.
Antes de se tornar um dos deputados estaduais mais votados, Márcio Canella construiu uma sólida carreira política em Belford Roxo. Ele foi eleito vereador em 2012, vice-prefeito em 2016 e ocupou a Secretaria Municipal da Casa Civil durante a gestão do ex-prefeito Waguinho. Além disso, Canella já havia conquistado três mandatos anteriores de deputado estadual em 2014, 2018 e 2022, e venceu a disputa pela prefeitura em 2024, indicando uma trajetória de sucesso nas urnas antes dos atuais desdobramentos judiciais.
A defesa de Márcio Canella informou que, por não ter tido acesso integral à decisão judicial que determinou a prisão preventiva, não se manifestará sobre o caso neste momento. Até a última atualização, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e as defesas de Marcus Amim, bem como dos outros quatro indivíduos detidos, também não haviam emitido nenhum posicionamento oficial.