A corrida presidencial de 2026 entra em seus momentos finais neste domingo (25), com milhões de brasileiros definindo o próximo chefe do Palácio do Planalto. As urnas, abertas para a disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), estão programadas para fechar às 17h, horário de Brasília, em um cenário marcado por solicitações de prorrogação do horário de votação e problemas pontuais na mobilidade urbana em diversas localidades. Um total de 158,7 milhões de eleitores estava apto a participar do pleito, tanto no território nacional quanto no exterior.
Encerramento da votação e projeção dos resultados
Com o relógio se aproximando das 17h, as seções eleitorais de todo o país preparam-se para o fechamento. É importante ressaltar que cidadãos que já estiverem na fila no horário limite terão seu direito de voto garantido, mediante a entrega de senhas pela mesa receptora. Imediatamente após o encerramento, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dará início à apuração e à divulgação em tempo real dos resultados, à medida que os Boletins de Urna (BUs) forem transmitidos e processados. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, antecipou que o resultado final da eleição presidencial deve ser conhecido entre 20h30 e 21h deste domingo, alinhado com o histórico de pleitos anteriores.
Controvérsia sobre o horário: pedidos para estender o pleito
A reta final da votação foi palco de questionamentos jurídicos por parte da coligação do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores. O grupo acionou o TSE com um requerimento para estender o horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h. A justificativa apresentada foi a ocorrência de problemas e a percepção de um fluxo reduzido no transporte público em diversas capitais e municípios. As solicitações abrangeram cidades estratégicas como São Paulo (capital), Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas (Bahia), além de localidades em pelo menos outros cinco estados: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará e Rio de Janeiro. A questão do transporte público, em particular, ressalta a importância da infraestrutura para garantir o pleno exercício da cidadania, especialmente em um segundo turno onde a mobilização do eleitorado é crucial para o resultado final.
O caso da Bahia: transporte público e intervenção judicial
O incidente mais grave relacionado ao transporte coletivo ocorreu em Salvador, onde um mínimo de 75 ônibus permaneceu retido nas garagens durante a manhã. Diante da situação, o desembargador Maurício Kertzman Szporer, presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), agiu com celeridade. Ele determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, e decretou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A decisão judicial foi fundamentada em evidências de violação de artigos do Código Eleitoral, considerando que a orientação para a redução da frota teria partido da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob).
Em resposta, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e a Semob argumentaram que o atraso na liberação dos coletivos foi provocado por sindicalistas que afixaram adesivos de campanha do PT nos veículos. Apesar do impasse, a secretaria garantiu que a circulação integral da frota foi restabelecida, permitindo a locomoção dos eleitores. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, informou que as demandas específicas do estado baiano seriam avaliadas pela Corte Eleitoral em tempo oportuno, com base nos relatórios técnicos enviados pelo TRE-BA. Até a última atualização, não havia confirmação sobre a efetivação do mandado de prisão contra o secretário Pablo Souza pela Polícia Federal, nem uma decisão final sobre a extensão do horário de votação.
Balanço operacional da Justiça Eleitoral e incidentes pontuais
A Justiça Eleitoral divulgou um balanço operacional até o início da tarde, registrando 138 ocorrências de crimes eleitorais em todo o país. O índice de substituição de equipamentos de votação foi considerado baixo, com apenas 900 urnas eletrônicas trocadas, o que representa 0,18% do total de 499.248 equipamentos. O ministro Kassio Nunes Marques destacou a disponibilidade de 48.815 urnas de contingência, garantindo a fluidez do processo.
Além da disputa presidencial, eleitores de cinco estados — Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins — e do Distrito Federal escolheram seus novos governadores neste segundo turno. Em Manaus, capital do Amazonas, a manhã foi marcada pela mobilização do Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Marte) da Polícia Militar, devido a três objetos suspeitos próximos a uma escola. Após vistoria, a presença de explosivos foi descartada. Em um exemplo de mobilização cívica, indígenas da aldeia Barra do São Lourenço e brigadistas que combatiam incêndios no Pantanal enfrentaram uma jornada de mais de sete horas em embarcações pelo rio Paraguai para conseguir votar.
Resultados parciais do voto no exterior e o cenário do primeiro turno
Fora do país, onde 918 mil brasileiros estavam aptos a votar em 186 cidades de 134 nações, o encerramento dos fusos horários permitiu a divulgação antecipada de boletins de urna parciais. Os dados preliminares indicaram vitórias de Flávio Bolsonaro no Japão (80,08% a 19,92%), Emirados Árabes Unidos e Hong Kong. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, superou o adversário na Nova Zelândia (80,54% a 19,46%), China (73,67% a 26,33%), Austrália (63,46% a 36,54%) e Coreia do Sul.
A atual disputa presidencial chegou ao segundo turno após a votação de 4 de outubro de 2026, quando nenhum dos candidatos conseguiu mais da metade dos votos válidos. Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar, com 56.104.268 votos (47,03% dos votos válidos), enquanto Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 53.876.617 votos (45,16% dos votos válidos), configurando um cenário de polarização intensa que se manteve até este domingo decisivo.
