Academias de emagrecimento na China simulam prisões para perda de peso extrema

YouTuber Stan Browney mostra como funciona 'prisão para obesos' na China — Foto: Reprodução/YouTube

YouTuber Stan Browney mostra como funciona 'prisão para obesos' na China — Foto: Reprodução/YouTube Crédito: Extra.globo.com

Centros de emagrecimento na China que adotam uma abordagem de disciplina militar, apelidados de “prisões para obesos” ou “o novo Ozempic” devido à rapidez dos resultados, estão ganhando notoriedade. A experiência nesses locais foi recentemente revelada por um influenciador digital, que documentou o cotidiano de rigor e restrição imposto aos participantes que buscam uma transformação física radical.

A imersão de um influenciador em um centro de regime intenso

O criador de conteúdo Stan Browney decidiu vivenciar a rotina de um desses complexos, descrevendo-o como um ambiente que “realmente parece e dá a sensação de ser uma prisão”. Cercado por muros elevados, cercas de arame e câmeras de vigilância, o local impõe regras estritas, especialmente quanto à alimentação. Uma placa na entrada adverte sobre o “encarceramento” em caso de solicitação de delivery de comida, embora o contrabando de itens proibidos seja uma realidade, assim como em instituições penitenciárias genuínas.

YouTuber Stan Browney mostra como funciona 'prisão para obesos' na China — Foto: Reprodução/YouTube Crédito: Extra.globo.com

Em um vídeo intitulado “Eu Sobrevivi à Prisão de Emagrecimento da China”, Browney esclarece que os indivíduos ali não são detentos criminais. Eles optam por pagar para permanecer confinados, submetendo-se voluntariamente a um regime que os força a perder peso. Esses estabelecimentos, apesar do nome sugestivo, não são prisões no sentido legal, mas replicam a disciplina e as limitações de um ambiente carcerário.

Rotina espartana e controle rigoroso

Os campos de emagrecimento funcionam como programas intensivos, estilo militar, onde os participantes aceitam viver sob um controle extremo. Os custos mensais podem variar significativamente, geralmente entre R$ 2.115 e R$ 5 mil, cobrindo refeições minuciosamente controladas, pesagens diárias e várias horas de exercícios físicos. Este modelo de negócio tem se expandido rapidamente na China, com mais de mil unidades operando atualmente, refletindo uma crescente pressão cultural e social em torno dos padrões corporais ideais no país.

Ao iniciar sua jornada, Stan Browney foi pesado, registrando 82,9 kg. Ele descobriu que o monitoramento dos participantes é “extremamente rigoroso”, com a balança sendo usada duas vezes ao dia. Os treinamentos são incessantes, e a falha em atingir a meta diária de perda de peso pode resultar em sessões de exercícios adicionais como punição. A alimentação é descrita como espartana e padronizada, consistindo em bandejas com vegetais, frango e uma porção mínima de carboidratos, totalizando cerca de 350 calorias por refeição – uma drástica redução para Browney, que normalmente consome cerca de 3.200 calorias diárias.

Resultados rápidos e os alertas de saúde

Em apenas 50 horas, que incluíram sete sessões de treino intenso em dois dias, Stan Browney relatou ter perdido 2,3 kg, alcançando um peso final de 80,5 kg. Ele reconheceu que a maior parte dessa perda inicial se deveu à retenção hídrica, mas concluiu a experiência com uma avaliação positiva: “Sim, este lugar funciona. Para algumas pessoas, pode ser a solução.”

A popularidade desses centros é impulsionada pelos resultados rápidos, pela viralização nas redes sociais e pela forte pressão cultural por padrões estéticos específicos na China. No entanto, especialistas em saúde alertam para os perigos associados à perda de peso acelerada. Entre os riscos estão a diminuição da massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga extrema, lesões e sérios danos psicológicos, exacerbados pela vigilância constante e pela restrição severa, conforme apontado por análises internacionais sobre o tema. A busca por um corpo “ideal” através de métodos tão extremos levanta questionamentos sobre a sustentabilidade e a segurança dessas práticas a longo prazo, contrastando com abordagens mais equilibradas de saúde e bem-estar.