Dominicanos denunciam golpe de falso emprego na Rússia e imploram resgate do front na Ucrânia

Dominicanos dizem ter caído em golpe de falso emprego e sido enviados para a guerra na Ucrânia — Foto: Reprodução/Facebook

Dominicanos dizem ter caído em golpe de falso emprego e sido enviados para a guerra na Ucrânia — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com

Três cidadãos da República Dominicana lançaram um apelo desesperado por repatriação, alegando terem sido enganados com promessas de trabalho na Rússia e, em vez disso, enviados para combater nas linhas de frente da guerra contra a Ucrânia. O caso levanta sérias questões sobre o recrutamento de estrangeiros no conflito e as consequências para os envolvidos.

O grito de socorro em vídeo e a denúncia de fraude

Em um vídeo que circulou recentemente nas redes sociais, os três homens, cujas identidades não foram reveladas, afirmaram terem sido recrutados pelas forças armadas russas sob a falsa premissa de contratos de trabalho. Eles refutaram qualquer ideia de que sabiam estar se alengajando em um conflito militar ao viajar para o país.

Dominicanos dizem ter caído em golpe de falso emprego e sido enviados para a guerra na Ucrânia — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com

“Fomos ludibriados”, declarou um dos indivíduos no vídeo, enfatizando que sua ida à Rússia ocorreu por meio de um acordo de emprego, e não por alistamento consciente para a guerra. O depoimento destaca a vulnerabilidade de pessoas em busca de oportunidades e os perigos de esquemas de recrutamento enganosos.

Consequências legais para cidadãos dominicanos no exterior

A legislação da República Dominicana exige que seus cidadãos obtenham autorização governamental específica para ingressar em forças armadas de outras nações. Aqueles que desrespeitam essa norma correm o sério risco de perder sua cidadania, adicionando uma camada de complexidade e urgência ao pedido de resgate dos homens.

Os dominicanos não detalharam quando chegaram à Rússia, por quanto tempo estão no país, nem os termos exatos do suposto contrato de trabalho. Informações sobre treinamento militar recebido, a forma exata de recrutamento ou a remuneração prometida também não foram divulgadas, deixando várias lacunas sobre os detalhes de sua situação.

A dura realidade do campo de batalha e os pontos não esclarecidos

Um dos combatentes descreveu a brutalidade da vida no front, alegando que estão sendo tratados como “escravos” pelas forças russas enquanto enfrentam constantes ataques de drones das tropas ucranianas. A narrativa expõe as condições extremas e desumanas enfrentadas por mercenários e recrutados em zonas de conflito.

Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, milhares de estrangeiros, incluindo brasileiros, se juntaram às fileiras tanto do exército russo quanto do ucraniano. Muitos desses combatentes nunca retornaram a seus países de origem, sublinhando os riscos mortais do envolvimento em guerras internacionais.

Repatriações bem-sucedidas de outros países abrem precedente

Os homens dominicanos mencionaram que cidadãos de outras nações, como Peru, Panamá e Índia, já foram resgatados da Rússia e repatriados. Esses casos anteriores oferecem um raio de esperança e servem como argumento para a intervenção diplomática em seu favor.

  • O Ministério das Relações Exteriores do Panamá conseguiu a volta de 17 panamenhos, dos quais 11 haviam lutado ao lado das forças russas.
  • O Peru viabilizou o retorno de 50 de seus cidadãos, incluindo quatro jovens que escaparam de um centro de treinamento militar russo.
  • O governo indiano assegurou a liberação de 139 nacionais que haviam se juntado ao exército russo.

Esforços diplomáticos em andamento

Diante do apelo, os homens solicitaram diretamente ao presidente dominicano, Luis Abinader, que interceda em seu nome para garantir sua repatriação, seguindo os exemplos bem-sucedidos de outros países.

Em um desenvolvimento recente, o ministro das Relações Exteriores da República Dominicana, Víctor Ito Bisonó, encontrou-se com Alexey Seredin, embaixador russo no país, para abordar a situação dos combatentes dominicanos. A reunião sinaliza o início de esforços diplomáticos para resolver o impasse e trazer os cidadãos de volta para casa.