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Brasil Game Show 2026 enfrenta críticas por esvaziamento de estandes e contrasta com sucesso de edições anteriores

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A edição de 2026 da Brasil Game Show (BGS) no Distrito Anhembi, em São Paulo, encerrou-se sob um coro de críticas de visitantes, criadores de conteúdo e jornalistas, que apontaram para um notável esvaziamento dos pavilhões. Realizado entre 9 e 12 de outubro, o evento, que utilizou o mesmo local pelo segundo ano consecutivo, evidenciou uma significativa ausência de grandes fabricantes de consoles e computadores, deixando diversas áreas da feira visivelmente vazias.

Grandes nomes do setor de hardware e periféricos, como Xbox, Nvidia, AMD, Intel, HyperX, Razer, Logitech G, Samsung e TCL, optaram por não montar espaços expositivos. A PlayStation, por sua vez, reduziu drasticamente sua participação, substituindo seu tradicional megastande com estações de teste por uma loja oficial de produtos e a final presencial do campeonato PlayStation Tournaments de MARVEL Tōkon: Fighting Souls, realizada no palco no sábado (10). A diminuição da presença de marcas ligadas diretamente ao universo dos jogos foi ainda mais acentuada pela expansão de uma praça de alimentação, que ocupou cerca de um terço da estrutura, e por corredores mais amplos que, paradoxalmente, ressaltaram a menor oferta de atividades.

Crédito: Mixvale.com.br

Apesar da retração no segmento de hardware, a organização conseguiu disponibilizar entre 18 e 19 títulos inéditos para teste antes de seus lançamentos comerciais. A Activision se destacou ao criar a maior área de experimentação dedicada a um único jogo, com 36 estações para Call of Duty: Modern Warfare 4, incluindo versões compatíveis com o novo console Nintendo Switch 2. Outras empresas como SEGA e Nintendo também marcaram presença com estandes próprios, exibindo futuros lançamentos como Alien: Isolation 2, Crazy Taxi: World Tour, Persona 4 Revival e Stranger Than Heaven.

Em um contraste notável com a robusta estrutura da Activision, a Square Enix trouxe para a América Latina as primeiras demonstrações de Final Fantasy VII: Revelation e Final Fantasy Resonance. Contudo, a empresa ofereceu apenas seis estações para o público experimentar os novos capítulos de Final Fantasy VII. Essa limitação em um evento concebido para receber um grande fluxo de pessoas resultou em filas de espera que se estenderam por até duas horas, com a maior concentração de público registrada no sábado (10), conforme relatos de participantes e da imprensa especializada.

A programação dos palcos e estúdios da BGS 2026 foi enriquecida pela presença de diversas personalidades internacionais. Entre os convidados que passaram pelo Distrito Anhembi, estavam Charles Martinet, o dublador original do icônico personagem Mario; Shota Nakama, produtor musical japonês e fundador da Video Game Orchestra; Kenji Kanno, diretor criativo da franquia Crazy Taxi; além de Al Hope e Archie Whitehead, ambos representantes do aguardado Alien: Isolation 2.

A percepção de menor adesão das companhias de tecnologia em São Paulo pode ser atribuída, em parte, à proliferação de eventos concorrentes no Brasil durante a mesma temporada, como a gamescom latam 2026, o Pichau Arena 2026 em Joinville (SC) e a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL). Além disso, há uma crescente preferência global das desenvolvedoras por realizar grandes anúncios e revelações em transmissões digitais, a exemplo do The Game Awards, o que diminui a necessidade de grandes estandes em feiras físicas. Essa mudança de estratégia é um fator crucial para entender a dinâmica atual das grandes feiras de games.

Em relação ao futuro da Brasil Game Show, informações que circularam entre criadores de conteúdo e jornalistas sugerem que o contrato da SEGA com a feira teria chegado ao fim em 2026, e o da Nintendo estaria previsto para se encerrar na edição de 2027. No entanto, essas informações não foram confirmadas oficialmente por nenhuma das empresas ou pela própria organização do evento, mantendo em aberto as expectativas para as próximas edições.

O cenário observado em 2026 apresenta um marcante contraste com o período de auge da feira há uma década. Em 2016, a BGS mudou-se do Expo Center Norte para o pavilhão São Paulo Expo, próximo ao bairro do Jabaquara, realizando-se entre 1º e 5 de setembro. Naquela ocasião, o evento estabeleceu um recorde histórico, atraindo mais de 300 mil visitantes, com um pico de mais de 100 mil pessoas somente em 4 de setembro de 2016. Esse sucesso foi impulsionado pelos grandiosos estandes da PlayStation e Xbox, localizados no centro do pavilhão, e pela participação de empresas como Capcom, Ubisoft, Electronic Arts (EA), Warner Games, Razer e Supercell.

Marcelo Tavares, fundador e diretor-executivo (CEO) da Brasil Game Show, comentou na época da mudança para o São Paulo Expo em 2016 que “o São Paulo Expo está sendo ampliado e modernizado e será um complexo multifuncional muito mais sintonizado com a expressão e necessidade da BGS”. Essa declaração reflete as altas expectativas de crescimento e adaptação da feira à nova estrutura.

Há dez anos, a Nintendo estava ausente do mercado brasileiro, tendo saído em 2015 e retornado apenas em 2020. Contudo, o público da BGS de 2016 estava entusiasmado com o recente lançamento de Pokémon GO em realidade aumentada. Nos principais estandes daquele ano, a Sony apresentou os inovadores óculos PlayStation VR e demonstrações antecipadas de títulos como Horizon Zero Dawn, The Last Guardian, Detroit: Become Human e Final Fantasy XV. A Microsoft exibiu Gears of War 4, Forza Horizon 3, ReCore e Halo Wars 2, além de oferecer descontos temporários no console Xbox One, enquanto a Capcom permitia testes de Resident Evil VII.

A diminuição na presença de expositores de hardware na BGS 2026 ocorre em um ano promissor para o setor de videogames no Brasil, que, segundo projeções da consultoria PwC citadas durante a cobertura do evento, deve movimentar R$ 14 bilhões. Os dados operacionais da edição que se encerrou, o cronograma de lançamento dos jogos testados no Anhembi e os valores previstos para o próximo ano devem ser divulgados em breve.

O papel do Brasil no cenário global de jogos eletrônicos

A relevância do mercado brasileiro de games tem crescido substancialmente, com a Nintendo, por exemplo, reconhecendo o país entre seus dez maiores mercados mundiais. Este dado contextualiza a importância de eventos como a BGS, mesmo diante dos desafios atuais, para a visibilidade e o desenvolvimento da indústria local.