
Retrato de Amelia Earhart usando capacete e jaqueta de aviadora, 1922 — Foto: Purdue University Libraries, Archives and Special Collections/George Palmer Putnam Collection of Amelia Earhart Papers Crédito: Extra.globo.com
Uma recente expedição a um atol isolado no Oceano Pacífico não conseguiu confirmar a presença dos destroços do avião da lendária aviadora Amelia Earhart em um local específico de interesse. A equipe de pesquisadores, que percorreu mais de 1.300 quilômetros até a Ilha Nikumaroro, no entanto, anunciou a descoberta de outros artefatos que podem ser cruciais para desvendar um dos maiores enigmas da aviação mundial, prometendo a continuidade da busca.
A equipe do Archaeological Legacy Institute (ALI), com sede nos Estados Unidos, e da Universidade Purdue, empreendeu a viagem com a expectativa de encontrar o Lockheed Electra 10-E de Earhart. O foco principal era a Península de Taraia, em Nikumaroro, após a identificação de uma formação incomum em imagens de satélite capturadas em 2020, batizada de “Objeto Taraia”.
Ao chegar ao local remoto, os pesquisadores constataram que a estrutura observada nas fotografias aéreas era, na verdade, um aglomerado de árvores de grande porte. Essas árvores, provavelmente arrastadas pelo mar e depositadas em um banco de areia, já estavam bastante fragmentadas pela ação das á águas, restando apenas um pequeno segmento em formato de “Y”, muito menor do que a marca original vista do espaço.
Apesar da frustração em relação ao “Objeto Taraia”, a expedição não foi em vão. O grupo de busca encontrou diversos itens de interesse na pequena ilha. Entre os achados mais notáveis está um tubo de aço de aproximadamente 76 centímetros, descoberto na lagoa próxima à Península de Taraia.
Essas novas descobertas serão submetidas a análises aprofundadas. Elas podem fortalecer a teoria de que objetos que adentram a lagoa pelo canal natural do atol, conhecido como Passagem de Tatiman, podem atravessar a área e se acumular na Península de Taraia, que funciona como uma espécie de “armadilha natural” para detritos vindos do Pacífico.
O desaparecimento de Amelia Earhart em 1937, durante sua tentativa de se tornar a primeira mulher a circunavegar o globo, permanece um mistério que intriga pesquisadores e entusiastas da aviação. A ilha de Nikumaroro tem sido um ponto focal nessa busca há décadas, devido a descobertas anteriores que sugerem uma possível ligação com a aviadora.
Entre os achados mais significativos estão ossos humanos, encontrados em 1940. Análises forenses posteriores indicaram que esses restos poderiam pertencer a uma mulher com a estatura de Earhart. Além disso, a ilha já revelou outros itens que datam da década de 1930, período do desaparecimento, como um sapato feminino, um estojo de pó compacto, um frasco de creme para sardas e um recipiente de medicamento.
Amelia Earhart, cuja aeronave era carinhosamente apelidada de “Laboratório Voador”, tinha uma forte ligação com a Universidade de Purdue, que financiou a aquisição do avião. Ela atuava como conselheira e mentora para jovens mulheres na instituição, que se comprometeu a continuar apoiando os esforços de busca.
Rick Pettigrew, diretor executivo do ALI, destacou a inspiração que a própria Amelia Earhart representa para a equipe. “O espírito de coragem e curiosidade de Amelia Earhart guiou cada etapa desta investigação”, afirmou. Ele expressou gratidão aos doadores que viabilizaram a expedição, reiterando o entusiasmo da equipe com o conhecimento adquirido, mesmo sem a confirmação do avião.
Steve Schultz, consultor jurídico da Purdue e membro da expedição, ecoou o sentimento de valorização da jornada. Citando a própria aviadora, “A aventura vale a pena por si só”, Schultz explicou que o objetivo era testar uma hipótese e seguir as evidências, independentemente do resultado específico. Ele ressaltou que, embora o “Objeto Taraia” não fosse o que se esperava, a viagem gerou novas descobertas, ampliou o entendimento sobre Nikumaroro e acrescentou um novo e valioso capítulo à história da exploração e da busca por respostas.