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EUA vetam uso de inteligência artificial DeepSeek em agências civis federais por riscos à segurança nacional

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O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Segurança Interna (DHS), impôs uma proibição à utilização de sistemas de inteligência artificial desenvolvidos pela empresa chinesa DeepSeek em todas as redes de agências civis do Poder Executivo federal. A determinação, que se tornou publicamente acessível na segunda-feira (19) e foi formalmente registrada no Federal Register – o diário oficial americano – na terça-feira (20), sob o processo DHS-2026-0628, impede novas aquisições de produtos da companhia e abrange também ferramentas de terceiros que utilizem os modelos da desenvolvedora.

A restrição à Hangzhou DeepSeek Artificial Intelligence Co., Ltd e suas subsidiárias foi fundamentada na Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais (FASCSA) de 2018. A decisão foi tomada após uma análise detalhada de evidências apresentadas pelo Conselho Federal de Segurança de Aquisições (FASC). No documento oficial, o DHS expressou que “a transferência das informações mencionadas para a República Popular da China, seja de forma isolada ou em conjunto com dados já disponíveis publicamente, pode gerar inteligência útil sobre cidadãos americanos e/ou programas governamentais”.

Crédito: Mixvale.com.br

Preocupações com a Segurança de Dados e Integridade do Código

A avaliação técnica conduzida pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos apontou que os sistemas da DeepSeek representam múltiplos riscos para a administração pública do país. O órgão ressalta que a legislação chinesa permite ao governo de Pequim acesso irrestrito à infraestrutura de empresas privadas locais. Essa prerrogativa legal expõe a informações de identificação pessoal coletadas durante o registro de contas e dados armazenados diretamente em servidores na China, caso sejam utilizados por funcionários ou fornecedores americanos.

Além da potencial intervenção estatal nos dados, as autoridades americanas manifestaram sérias inquietações quanto à integridade do código distribuído pela empresa asiática. Conforme o teor da ordem emitida pelo DHS, “os próprios modelos podem conter softwares maliciosos ou outras brechas de segurança. De fato, análises de segurança de código aberto revelaram que o aplicativo móvel da DeepSeek para iOS possui diversas vulnerabilidades críticas”.

Repercussão Política e Limites da Medida

No cenário político americano, a medida recebeu o aval de figuras importantes, como o presidente do Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre a China, John Moolenaar. O parlamentar afirmou que “o DeepSeek é um modelo de IA perigoso que não tem espaço no governo federal, e o governo Trump está correto em excluir essa IA de bom senso” das redes oficiais.

A diretriz, assinada pelo secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, é aplicada exclusivamente às agências civis federais. É importante destacar que a decisão não modifica as políticas do Departamento de Defesa (Pentágono) nem da comunidade de inteligência, e também não estabelece restrições para empresas privadas ou cidadãos comuns dentro dos Estados Unidos. Desde a emissão original da diretriz – que incluiu uma Ordem de Exclusão e Remoção #2026-01 assinada por Mullin em 24 de julho de 2026, com orientações para monitoramento do tráfego de dados em sites governamentais – as entidades civis tiveram um prazo de 60 dias para solicitar exceções, desde que apresentassem justificativas convincentes.

Resposta da China e Histórico de Restrições

Em Pequim, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reagiu à deliberação americana nesta terça-feira (20). A representante declarou que o governo chinês se opõe à expansão indiscriminada do conceito de segurança nacional e à instrumentalização política de questões comerciais e tecnológicas, garantindo que o país defenderá os direitos legítimos das empresas chinesas. Até a divulgação dos avisos oficiais em 20 de outubro de 2026, a DeepSeek não havia emitido nenhum posicionamento público sobre a ordem do DHS.

Antes do veto abrangente determinado pelo DHS para todas as agências civis, o uso da tecnologia DeepSeek em dispositivos governamentais já havia sido proibido por outras entidades. O Departamento de Comércio e a Marinha dos Estados Unidos, assim como os governos estaduais de Nova York, Tennessee e Virgínia, já haviam implementado restrições. Em setembro de 2026, a empresa americana de inteligência artificial Anthropic também acusou a DeepSeek e outros quatro laboratórios chineses de praticarem destilação ilícita, um processo que envolve treinar um modelo de IA com base nas respostas de outro sistema sem a devida autorização.

A desenvolvedora chinesa ganhou visibilidade internacional em janeiro de 2025, quando lançou o modelo de raciocínio de código aberto (open-weight) R1, conhecido por seu baixo custo. Naquela ocasião, o lançamento desencadeou uma queda superior a US$ 1 trilhão no valor de mercado total de empresas de tecnologia nos Estados Unidos, resultando, por exemplo, na perda de cerca de US$ 593 bilhões em valor de mercado para a fabricante de chips Nvidia em um único dia.

Ações Regulatórias dos EUA no Setor Tecnológico Chinês

A proibição dos softwares da DeepSeek se alinha a uma série de outras medidas regulatórias impostas pela Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) visando o setor tecnológico chinês. Esse movimento reflete uma preocupação crescente com a dependência da cadeia de suprimentos chinesa e o potencial risco à segurança cibernética e nacional, um contexto que ajuda a entender a amplitude das restrições. Dados da própria FCC de 2025 indicam que 82% dos dispositivos eletrônicos autorizados para venda nos EUA foram testados em laboratórios na China.

O presidente da FCC, Brendan Carr, manifestou a preocupação de que “menos de 4% de todos os dispositivos eletrônicos são testados em laboratórios localizados dentro dos EUA, e a maior parte é testada em países que não operam uma economia recíproca”. Essa disparidade nos locais de teste levanta questões sobre a visibilidade e o controle sobre a segurança e a integridade dos produtos que entram no mercado americano.

As ações mais recentes e os prazos estabelecidos pela FCC para o segmento de hardware e telecomunicações incluem várias diretrizes para fortalecer a segurança da cadeia de suprimentos e reduzir a dependência de fornecedores considerados de alto risco. Essas medidas visam garantir maior autonomia e segurança tecnológica para o país.

  • Restrição de novos equipamentos de comunicação que representem riscos inaceitáveis à segurança nacional.
  • Exigência de que provedores de serviços de telecomunicações removam e substituam equipamentos de empresas consideradas ameaça.
  • Aumento da fiscalização sobre a origem e a segurança de componentes eletrônicos.
  • Incentivo à produção e testes de tecnologia dentro do território americano ou em países aliados.
  • Implementação de programas de financiamento para auxiliar na transição e substituição de infraestrutura.
  • Colaboração com agências de inteligência para identificar e mitigar ameaças emergentes na cadeia de suprimentos.
  • Revisão periódica das listas de entidades consideradas de alto risco para a segurança nacional.
  • Estabelecimento de diretrizes claras para a certificação e aprovação de novos dispositivos no mercado americano.