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Volvo e Nvidia ampliam parceria para sistemas de condução autônoma até 2030

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A Volvo Cars, renomada fabricante de automóveis, e a gigante de semicondutores Nvidia revelaram na quinta-feira (15), durante um evento em Estocolmo, Suécia, a intensificação de sua aliança tecnológica. O objetivo é impulsionar o desenvolvimento de sistemas sofisticados para auxiliar a condução, com a promessa de uma nova linha de veículos equipados com recursos de direção automatizada “porta a porta” disponíveis no mercado antes do ano de 2030.

Essa colaboração estratégica integra a vasta experiência da montadora sueca no setor automobilístico com o poder de processamento e as inovações em inteligência artificial da companhia tecnológica sediada nos Estados Unidos. Håkan Samuelsson, presidente e CEO da Volvo Cars, destacou a relevância dessa união: “A Volvo tem sido sinônimo de segurança veicular por quase um século. Ao lado da Nvidia, unimos duas expertises distintas: liderança em segurança automotiva e tecnologia de IA de ponta. Essa sinergia nos oferece uma oportunidade sem igual para desenvolver automóveis mais seguros e cativantes para os nossos consumidores.”

Crédito: Mixvale.com.br

A iniciativa visa capacitar os veículos a percorrer itinerários inteiros, desde o ponto de partida até o destino final, em diversos cenários, incluindo autoestradas, ruas movimentadas das cidades e locais de estacionamento. Inicialmente, o sistema será lançado na categoria de Nível 2++, uma forma de assistência à direção que ainda exige a supervisão humana. Neste estágio, o carro pode realizar certas ações sem que o condutor precise segurar o volante, mas a responsabilidade legal pela condução e monitoramento do percurso permanece com o motorista, sublinhando a importância da atenção ativa mesmo com o auxílio tecnológico.

Componentes Essenciais para a Condução Assistida

Para processar o ambiente rodoviário, gerenciar paradas em semáforos, respeitar sinalizações de “pare” e executar curvas à esquerda em entroncamentos sem prioridade de fluxo, os futuros modelos da Volvo incorporarão três componentes tecnológicos essenciais fornecidos pela Nvidia. Esses sistemas são cruciais para a percepção e tomada de decisão autônoma.

Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, enfatizou que a convergência entre hardware e software está redefinindo a arquitetura dos veículos contemporâneos. “A computação acelerada elevou o carro a um patamar de máquina inteligente, capaz de compreender o ambiente circundante. A Volvo dedicou quase um século a proteger vidas nas estradas. Agora, unimos os notáveis sistemas de segurança veicular da Volvo com as plataformas Nvidia Hyperion e Halos para conceber uma nova era de automóveis que proporcionam uma condução mais segura e menos exigente”, afirmou o executivo.

Tecnologias Próprias da Volvo e a Visão de Longo Prazo

Adicionalmente à arquitetura computacional fornecida pela empresa parceira dos EUA, a montadora sueca integrará em seus veículos um conjunto de tecnologias próprias voltadas para a segurança. Dentre esses recursos exclusivos, destacam-se um sistema sofisticado de monitoramento do comportamento do motorista, que avalia o nível de atenção do condutor, e uma malha de segurança interconectada. Este último dispositivo possibilita que os carros troquem informações em tempo real sobre riscos na via, como canteiros de obras ou barreiras, expandindo a capacidade de detecção de perigos para além dos sensores individuais de cada automóvel.

Ali Kani, que lidera a divisão automotiva da Nvidia, ressaltou a prioridade conjunta na prevenção de colisões. Ele declarou: “A característica primordial da tecnologia de direção autônoma é a segurança. Estamos convencidos de que, ao colaborar com a Volvo, tornaremos o pacote de software ainda mais robusto e seguro.”

A longo prazo, a meta de ambas as empresas é implementar progressivamente estágios mais avançados de automação veicular. O roteiro estratégico contempla a transição para sistemas denominados na indústria como “eyes-off” (equivalente ao Nível 3, onde a atenção visual do motorista não é necessária em certas circunstâncias) e “mind-off” (equivalente ao Nível 4, que elimina a necessidade de monitoramento mental constante do tráfego pelo condutor).

Estratégia de Implementação e Desafios Superados

Inicialmente, a nova plataforma da Volvo não incluirá sensores lidar, dispositivos que empregam pulsos de laser para aferir distâncias e criar mapas tridimensionais do entorno. A montadora sueca comunicou a possibilidade de integrar essa tecnologia em futuras iterações, mas decidiu introduzir o sistema sem o componente nesta fase de lançamento.

Essa reestruturação tecnológica e a decisão provisória de não utilizar o sensor a laser surgem após a empresa ter encontrado impedimentos em iniciativas de automação anteriores. Nos Estados Unidos, questões regulatórias forçaram a Volvo a suspender o Ride Pilot, seu próprio sistema de condução autônoma de Nível 3. Adicionalmente, o plano inicial para ampliar a utilização de radares a laser em sua frota foi comprometido por interrupções no fornecimento, resultantes da insolvência da parceira Luminar, o que contextualiza a abordagem cautelosa atual.

A Volvo, cuja maior parte do controle pertence ao grupo chinês Geely Holding e que foi fundada em 1927, mantém uma parceria com a Nvidia desde 2017, quando iniciaram o desenvolvimento conjunto de sistemas de computação para veículos. Atualmente, modelos elétricos da marca, como o SUV EX90 e o sedã ES90, já vêm de fábrica com processadores Nvidia DRIVE Orin, embora ainda não contem com a integração total do software Alpamayo e do sistema operacional Halos OS.

A introdução deste novo pacote de assistência à direção integra a mais ambiciosa estratégia de produtos já anunciada pela montadora sueca. Seu lançamento ocorrerá em simultâneo em várias partes do mundo, com a notável exclusão do mercado chinês. Alwin Bakkenes, chefe global de engenharia de software da Volvo Cars, assegurou que essa tecnologia não será um privilégio dos veículos de luxo, mas sim implementada em carros de diversas categorias de preço e motorizações, incluindo modelos totalmente elétricos, híbridos plug-in e a combustão.

Embora o prazo final esteja fixado para antes de 2030, a Volvo ainda não especificou a data exata em que os veículos equipados com o sistema chegarão às concessionárias, tampouco qual será o modelo pioneiro a receber essa tecnologia. A empresa também não forneceu detalhes sobre a precificação ou o método de cobrança a ser aplicado aos clientes, deixando em aberto a modalidade de comercialização do recurso.