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Tigre Altai não será sacrificado após ataque fatal em zoo britânico, apesar de comoção pública

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Um tigre-siberiano que causou a morte de um visitante no Yorkshire Wildlife Park, localizado perto de Doncaster, Inglaterra, no último sábado (10/10), não será submetido à eutanásia. A decisão foi anunciada pela direção do zoológico, que busca pôr fim à intensa discussão que tomou conta das redes sociais sobre o destino do animal, mesmo diante da tragédia. Altai, como é conhecido o felino, é descrito como “muito calmo” por seus tratadores.

A postura do parque recebeu apoio de figuras conhecidas no ativismo pelos direitos dos animais, como Carole Baskin, estrela da série documental “Tiger King”. Segundo Baskin, o tigre-siberiano, responsável pela morte de um jovem de aproximadamente 20 anos, “não estava agindo de forma errada” em seu ambiente natural. O zoológico enfatiza que o comportamento do animal não apresentou alterações desde sua chegada.

Altai com tratadora no Yorkshire Wildlife Park — Foto: Reprodução/Yorkshire Wildlife Park Crédito: Extra.globo.com

Chegada e adaptação de Altai ao habitat

Altai chegou ao Yorkshire Wildlife Park em fevereiro de 2025, vindo do Dyreparken, um zoológico na Noruega. Sua transferência fazia parte de um programa europeu de reprodução de espécies ameaçadas de extinção, com o objetivo de fazer companhia à fêmea Tschuna. Esta, por sua vez, já residia no parque desde 2013 e teve três filhotes em 2015.

Na ocasião de sua chegada, Charlotte MacDonald, diretora de Animais do parque, descreveu Altai como um “felino enorme e lindo, muito calmo e receptivo”. Ele foi caracterizado como um tigre “simpático e tranquilo”, que demonstrava gostar de treinamentos, alimentação e, especialmente, de brincar na água ao ar livre. O habitat “Land of the Tigers” do parque, com cerca de 8.000 metros quadrados, oferece um ambiente rico com áreas arborizadas, campos e um lago com cachoeira.

Análise de especialistas sobre o comportamento felino

Reece Oliver, especialista e tratador de zoológico licenciado, ofereceu uma perspectiva sobre o incidente, explicando que grandes felinos são condicionados a interagir apenas com objetos específicos que entram em seus recintos. Ele sugeriu que o tigre provavelmente estava reagindo por instinto predatório, percebendo o visitante como algo incomum em seu território.

“Normalmente, as únicas coisas que entram naquele recinto são brinquedos de enriquecimento ou comida”, comentou Oliver à Sky News, acrescentando que o animal pode ter agido por curiosidade ou brincadeira, resultando, infelizmente, em um ataque fatal. Ele reforçou que humanos não podem domar os instintos naturais de um predador selvagem, e que entrar em um recinto de grande felino é adentrar um “mundo completamente diferente”, onde as regras humanas não se aplicam.

Reação pública e informações sobre a vítima

O trágico evento gerou grande comoção, tanto na comunidade de Yorkshire quanto nas plataformas digitais. A decisão de não identificar publicamente a vítima, que tinha “necessidades especiais”, adicionou uma camada de sensibilidade ao caso. Há a hipótese de que o jovem poderia estar tentando se comunicar com o tigre por meio de linguagem de sinais após invadir o recinto.

Moradores locais, como Angela Seivewright, expressaram indignação com a virulência de alguns comentários nas redes sociais, que chegavam a desejar a morte do visitante. Seivewright, que tem um filho com necessidades especiais, deixou flores no portão do zoológico para homenagear a vítima, destacando a injustiça de tais reações. O parque expressou suas condolências à família, e a investigação continua para esclarecer como o acesso ao recinto foi possível. Após o incidente, o parque permaneceu fechado durante o restante do fim de semana e na segunda-feira (12/10).

Investigação e protocolos de segurança do zoológico

O Yorkshire Wildlife Park é membro de importantes associações como a Associação Britânica e Irlandesa de Zoológicos e Aquários (Biaza) e a Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (Eaza), o que indica seu compromisso com padrões rigorosos de bem-estar animal e segurança. A investigação em curso é crucial para determinar as circunstâncias exatas do ataque e avaliar as condições de segurança do recinto. Os tratadores afirmaram ter “feito tudo o que podiam” para evitar a tragédia, o que sublinha a complexidade do caso e a busca por respostas sobre a falha de segurança que permitiu a entrada do visitante.