
Alonzo Lunsford levou sete tiros disparados por Nidal Hasan em base militar no Texas — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Alonzo Lunsford, um sargento reformado do Exército dos EUA que sobreviveu a sete tiros durante o massacre de Fort Hood em 2009, declarou sua intenção de presenciar a execução de seu agressor, Nidal Hasan. O veterano expressou o desejo de confrontar visualmente o atirador no momento da aplicação da pena capital, agendada para 3 de dezembro.
Lunsford, atingido por múltiplos disparos do então major Nidal Hasan, enfatizou que sua presença na execução, que ocorrerá por fuzilamento no Texas, é uma forma de fechar um ciclo. Ele descreveu como “apropriado” que Hasan enfrente a morte no mesmo local onde ceifou a vida de 13 soldados desarmados, tornando-o um dos incidentes mais letais em uma base militar americana.
“Estarei lá para assistir e, antes que o gatilho seja puxado, quero que ele me encare e que eu o encare”, disse Lunsford, transmitindo uma mensagem de resiliência. “Quero que ele saiba: ‘Cara, você falhou. Eu ainda estou aqui'”. Essa declaração sublinha a profunda ausência de compaixão do sobrevivente pelo terrorista.
Durante o ataque de 2009, Lunsford simulou estar morto após ser atingido inicialmente. Ao tentar socorrer outro militar ferido, foi perseguido e baleado novamente pelas costas por Hasan, um psiquiatra do Exército que havia adotado visões extremistas do Islã.
Apesar das múltiplas cirurgias e da perda parcial dos intestinos, Lunsford sobreviveu, mas convive com sequelas físicas graves, incluindo a perda da visão do olho esquerdo devido a um dos disparos na cabeça. Ele também foi diagnosticado com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), deixando o serviço militar em 2013.
Nos anos que se seguiram ao massacre, Lunsford se tornou uma voz proeminente na defesa dos direitos das vítimas. Ele liderou uma campanha no Congresso americano para que o Departamento de Defesa reclassificasse o incidente de “violência no ambiente de trabalho” para “ato de terrorismo”.
Essa mudança crucial, finalmente conquistada em 2015, assegurou que os sobreviventes recebessem benefícios médicos adequados e a condecoração da medalha Purple Heart, que Lunsford, entre outros, recebeu formalmente. Isso demonstra como a classificação oficial de um evento pode impactar diretamente a vida dos afetados, garantindo o reconhecimento e o suporte necessários.
A execução de Nidal Hasan, condenado por um tribunal militar, ganhou contornos de debate público. O presidente Donald Trump já havia manifestado que Hasan “merece ser fuzilado”, e a aplicação da pena pode ser a primeira execução pública nos EUA em quase um século, conferindo-lhe um peso histórico notável.
Veículos de imprensa local sugerem que os EUA estariam considerando a transmissão ao vivo do fuzilamento. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, confirmou que o público poderá acompanhar, defendendo que a exposição serviria para evidenciar as graves consequências de tais crimes.
No entanto, a proposta enfrenta forte oposição. O vice-presidente JD Vance expressou ceticismo sobre a transmissão e afirmou que não a assistiria. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos classificou a transmissão ao vivo de um fuzilamento como uma forma de “tortura”, ressaltando as implicações éticas e humanitárias de tal ato.
Após sua aposentadoria militar, Alonzo Lunsford reconstruiu sua vida na Carolina do Norte, mostrando notável resiliência. Ele se dedicou ao basquete, atuando como treinador no Johnston Community College e, mais tarde, na comissão técnica feminina da Wake Tech Athletics, onde foi promovido a treinador principal em outubro de 2024.
Atualmente, ele equilibra sua carreira esportiva com palestras motivacionais e um trabalho contínuo de apoio a veteranos de guerra feridos, transformando sua experiência traumática em uma fonte de inspiração para outros.