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A recente aquisição de um valioso bloco de frequências móveis pela SpaceX nos Estados Unidos repercutiu com intensidade no mercado financeiro brasileiro nesta sexta-feira (9), resultando em uma forte desvalorização dos papéis de grandes operadoras de telefonia. As ações ordinárias da Telefônica Brasil, controladora da Vivo, encerraram o pregão com uma retração de 5,25%, sendo negociadas a R$ 30,35. Da mesma forma, os títulos da TIM registraram um declínio de 4,18%, fechando a R$ 18,10, liderando as perdas dentro do Ibovespa, em um dia que, ironicamente, o índice alcançou um novo recorde.
A movimentação dos investidores reflete o anúncio de um acordo definitivo onde a empresa aeroespacial de Elon Musk confirmou a compra de 100% do portfólio de espectro na faixa de 800 MHz pertencente à gestora Grain Management. Esta transação engloba licenças que somam até 14 MHz de frequência pareada em solo americano, com um valor estimado em aproximadamente US$ 8 bilhões, conforme informações apuradas pelo The Wall Street Journal. O objetivo primordial da operação é transformar a Starlink Mobile em uma provedora de serviços de telefonia celular de natureza convencional.
A compra dessas frequências de banda baixa, especificamente nas faixas de 817 a 824 MHz e de 862 a 869 MHz, é estratégica e preenche uma lacuna técnica fundamental para a implantação eficaz de um serviço de telefonia celular terrestre. Embora a SpaceX já possuísse frequências na banda de 2 GHz, obtidas através de um acordo anterior com a EchoStar, e uma autorização da Federal Communications Commission (FCC) para operar 15.000 satélites de segunda geração focados na conexão direta com aparelhos comuns, a empresa necessitava de ondas abaixo de 1 GHz. Este espectro de baixa frequência é crucial para garantir a propagação robusta do sinal dentro de edifícios e em áreas urbanas de alta densidade populacional, assegurando uma cobertura de qualidade em ambientes desafiadores.
Em um comunicado oficial, a companhia destacou que as faixas recém-adquiridas são decisivas para sua entrada consolidada no setor de telecomunicações móveis dos EUA. “Este espectro de banda baixa, considerado de alto valor, resolve uma das principais deficiências técnicas pendentes que pavimentarão o caminho para a Starlink Mobile se estabelecer como uma operadora móvel de grande porte nos Estados Unidos”, declarou a SpaceX, traduzindo o posicionamento. O fundador e CEO da Grain Management, David Grain, complementou a declaração, afirmando: “Este acordo com a SpaceX coloca essa capacidade em operação em uma escala extraordinária, com o potencial de transformar a forma e o local onde os americanos se conectam”.
O próprio presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, utilizou sua plataforma na rede social X para endossar a importância do movimento, ressaltando o valor estratégico do ativo para os planos da empresa. “Esta é a última peça fundamental do quebra-cabeça de espectro necessária para que a SpaceX possa oferecer cobertura telefônica completa em toda a América”, afirmou Musk em sua publicação.
A forte reação do mercado financeiro brasileiro levantou questionamentos sobre a possibilidade de a estratégia adotada nos EUA ser replicada no Brasil. O país é apontado pelos analistas Leonardo Olmos e Gustavo Farias, do UBS BB, como um dos três maiores mercados para a Starlink em termos de base de clientes, o que torna a especulação ainda mais relevante. Em um relatório divulgado nesta mesma sexta-feira, os especialistas indicaram que a empresa já manifesta interesse em expandir a conectividade móvel no território nacional, tendo submetido pedidos à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o uso da banda S em serviços de conexão direta a celulares, mas ressaltaram que não há indícios de planos para a construção de uma rede física independente no país.
Na avaliação dos analistas do UBS BB, o cenário mais plausível para a SpaceX no Brasil envolve a formação de parcerias com as operadoras locais já estabelecidas, citando como exemplo conversas preliminares que já teriam sido realizadas com a Vivo. No contexto regulatório brasileiro, a faixa de 850 MHz é considerada o equivalente técnico ao bloco de frequências adquirido nos Estados Unidos. Contudo, até o momento, não há qualquer registro que indique a intenção da companhia de Elon Musk de disputar esses lotes em futuros leilões promovidos pela agência reguladora, nem de realizar investimentos significativos em infraestrutura de antenas terrestres no país, o que reforça a tese das parcerias.
As licenças de 800 MHz que foram objeto desta transação já haviam sido adquiridas pela própria Grain Management da operadora T-Mobile em agosto de 2026, recebendo aprovação da agência reguladora americana à época. Nos Estados Unidos, o acordo anunciado na quinta-feira (8) ainda depende da aprovação regulatória da Federal Communications Commission (FCC) para ser considerado oficialmente concluído e entrar em vigor de forma definitiva, um passo essencial para a concretização do negócio.
Atualmente, permanece incerto se a SpaceX pretende participar de futuros leilões de frequências móveis promovidos pela Anatel no Brasil ou se buscará negociar o uso de estruturas físicas de transmissão já existentes no país. Da mesma forma, o prazo final para a obtenção da aprovação das licenças de espectro nos Estados Unidos pela FCC ainda não foi determinado, adicionando um elemento de expectativa ao desdobramento da operação.