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O Congresso Nacional testemunhou uma intensa movimentação na busca por assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar supostas irregularidades envolvendo a empresária Roberta Moreira Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O requerimento, que já superou o quórum mínimo no Senado Federal, ainda aguarda o número necessário de adesões na Câmara dos Deputados para ser oficialmente protocolado, transformando-se em um ponto focal da disputa política pré-segundo turno.
Iniciada pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e com forte apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a proposta de CPMI tem como objetivo esclarecer suspeitas de tráfico de influência, atos de corrupção, favorecimento indevido, conflitos de interesses e um possível uso da estrutura da administração pública federal para atender a agendas privadas. A senadora Damares Alves enfatizou a necessidade de transparência, afirmando que é crucial determinar os envolvidos, os beneficiados e se o aparato governamental foi desviado para interesses particulares.
Até a noite da última segunda-feira, o documento acumulava entre 83 e 86 assinaturas, distribuídas entre deputados federais e senadores. Inicialmente com 83 adesões (54 deputados e 29 senadores), o número subiu para 86 com a inclusão de parlamentares como Gustavo Gayer, Delegado da Cunha e o senador Plínio Valério.
Em um movimento que surpreendeu parte da oposição, o governo federal, por meio do ministro José Guimarães (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, e da líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), orientou sua base aliada e a bancada petista a assinar o requerimento da CPMI. Essa decisão estratégica visa demonstrar total transparência e neutralizar o desgaste político e eleitoral às vésperas do segundo turno presidencial. A líder Teresa Leitão confirmou sua adesão, destacando o compromisso em investigar possíveis irregularidades envolvendo Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e quaisquer agentes públicos que possam ter atuado em benefício de interesses privados.
A lista de parlamentares que apoiam a iniciativa inclui nomes tanto da base governista quanto da oposição, refletindo a complexidade do cenário político e a estratégia de ambos os lados. Entre os senadores que assinaram como coautores, figuram:
Na Câmara dos Deputados, a adesão também foi significativa, com a assinatura de diversos parlamentares, incluindo:
Em uma clara demonstração de que o Congresso se tornou um campo de batalha política, o Partido dos Trabalhadores (PT) articula um pedido de comissão mista para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O líder do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), é o autor da iniciativa, que foca na apuração do financiamento do filme Dark Horse, que teria recebido cerca de R$ 61 milhões em recursos ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e suas conexões com o advogado Willer Tomaz. Esta ação do PT serve como uma resposta direta à pressão sobre Lulinha, evidenciando a polarização e a troca de acusações entre os blocos políticos.
A coleta de assinaturas para a CPMI ganhou força após Roberta Luchsinger anunciar publicamente sua intenção de firmar um acordo de delação premiada, um mecanismo legal que permite a um investigado colaborar com a Justiça em troca de benefícios na pena. A empresária declarou que Lulinha teria participado de encontros com ministros, afirmando que não pouparia ninguém em sua busca pela verdade. “Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém. Porque o que está em questão é a verdade, e a verdade tem que ser dita, doa a quem doer”, garantiu Luchsinger.
Na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves encaminhou cinco ofícios a diversas instituições, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF), solicitando medidas de proteção para Roberta Luchsinger e suas duas filhas. A medida veio após relatos de ameaças de morte, com a lobista declarando: “Se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula”. O caso foi, inclusive, pauta de debate presidencial, onde Flávio Bolsonaro questionou o presidente Lula, que respondeu que o assunto é de competência da Polícia Federal.
Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Fábio Luís Lula da Silva e coordenador da campanha de reeleição de Lula, defendeu que a interação do filho do presidente com ministros se restringe ao âmbito social. Ele ressaltou que Lulinha não frequentou gabinetes ministeriais para tratar de temas oficiais e que sua convivência com diversos ministros é natural, dada a longa história do Partido dos Trabalhadores, fundado há 46 anos. “Ele conhece muitos ministros e convive com vários. Então, é natural que ele se relacione com esses ministros”, explicou o defensor, afastando qualquer sugestão de tráfico de influência ou favorecimento indevido.