A menos de três dias para a votação do segundo turno, uma nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (22), aponta um empate técnico na corrida presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento concede 47% das intenções de voto totais ao candidato do PL, contra 46% do atual mandatário, uma diferença que se mantém dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Esse cenário reflete a intensa polarização e a incerteza que marcam a etapa decisiva da eleição.
Números da disputa em votos válidos e totais
Quando considerados apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos para o cálculo final da Justiça Eleitoral, ambos os candidatos aparecem com 50% cada um, evidenciando uma paridade absoluta. No panorama geral da pesquisa estimulada, onde os nomes são apresentados aos entrevistados, 5% dos eleitores manifestam a intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum dos concorrentes, enquanto 2% ainda se declaram indecisos.
A modalidade espontânea, na qual os pesquisadores não mencionam previamente os nomes dos candidatos, também registra um cenário de proximidade. Flávio Bolsonaro obteve 46% das menções, com Lula logo atrás, marcando 45%. Nesta medição, a soma de votos em branco e nulos atinge 4%, a taxa de indecisos é de 4%, e outros nomes foram citados por 1% dos participantes.
Estabilidade e rejeição do eleitorado
O estudo do instituto de pesquisa mapeou a firmeza do eleitorado em suas escolhas e os índices de rejeição na fase final da campanha, dados cruciais para entender o potencial de mudança. Cerca de 94% dos entrevistados afirmam ter uma decisão completamente formada sobre o voto para o segundo turno, indicando que a maior parte do eleitorado já está engajada. Contudo, 6% declaram que ainda podem reconsiderar sua escolha até o dia da votação, um percentual que, embora pequeno, pode ser decisivo em uma disputa tão apertada.
Em relação à rejeição exclusiva, 46% dos eleitores declaram que não votariam em Flávio Bolsonaro de forma alguma, representando um ligeiro aumento em comparação aos 44% da pesquisa anterior. Já 45% rejeitam exclusivamente Lula, uma queda em relação aos 46% do levantamento precedente. Além disso, 3% dos eleitores não votariam em nenhum dos dois, e 6% não rejeitam nenhum dos candidatos.
Expectativas de vitória e motivações do voto
A percepção sobre quem tem mais chances de vencer, independentemente da preferência pessoal, também foi analisada. A maioria dos entrevistados, 53%, acredita que Flávio Bolsonaro sairá vitorioso no segundo turno, um leve recuo em relação aos 54% da rodada anterior. Por outro lado, 39% apontam Lula como o favorito para ganhar a disputa, um aumento em comparação aos 37% registrados anteriormente. Essa percepção pode influenciar o “voto útil” na reta final.
As motivações do voto revelam diferenças claras entre os grupos. Entre os eleitores de Lula, 81% afirmam escolhê-lo por considerá-lo o melhor candidato, enquanto 13% votam nele para derrotar Flávio Bolsonaro. Na parcela que apoia o candidato do PL, 65% o veem como a melhor opção, e 23% justificam a escolha pelo objetivo de derrotar o atual presidente da República. Essa dinâmica de “voto por convicção” versus “voto anti-outro candidato” é um fator importante em campanhas polarizadas.
Avaliação da gestão federal e percepção do governo
A pesquisa também registrou uma inversão nos índices de aprovação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A taxa de aprovação pessoal oscilou positivamente de 48% para 49%, enquanto a desaprovação recuou de 50% para 48%. Essa variação fez com que a aprovação do governo superasse numericamente a desaprovação pela primeira vez desde julho de 2026. Na avaliação detalhada da administração federal, 39% dos entrevistados classificam o governo como ruim ou péssimo, 36% como ótimo ou bom, e 24% como regular.
Divisão do eleitorado por região e perfil
A distribuição das intenções de voto mostra variações significativas conforme características demográficas e geográficas. Lula mantém uma forte liderança na região Nordeste, com 65% das intenções contra 30% do seu adversário. O petista também demonstra vantagem entre eleitores católicos (55% a 39%), autodeclarados pretos (57% a 37%), aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos (54% a 39%) e pessoas com escolaridade até o ensino fundamental (53% a 40%). Ele ainda supera o senador entre os eleitores que moram mais distantes do local de votação, com 51% a 43%.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, obtém seus melhores resultados entre os eleitores evangélicos, liderando com 69% contra 26% de Lula. Suas maiores vantagens geográficas estão na região Sul, onde registra 58% a 33%, e nas regiões Centro-Oeste e Norte, com 53% a 41%. No grupo de entrevistados que residem perto do local de votação, o candidato do PL pontua 48%, superando Lula, que marca 45%.
Evolução da disputa no segundo turno
Os números divulgados em 22 de outubro de 2026 evidenciam um estreitamento progressivo da distância entre os dois concorrentes ao longo do mês. Este levantamento marca a primeira medição do instituto após o debate presidencial ocorrido em 18 de outubro de 2026, um evento que geralmente influencia a percepção do eleitorado.
Na primeira rodada do Datafolha para o segundo turno, publicada em 8 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro detinha 52% dos votos válidos (49% dos votos totais), enquanto Lula registrava 48% dos válidos (45% dos totais). No segundo levantamento, divulgado em 15 de outubro de 2026, a diferença já havia diminuído, com o senador alcançando 51% dos votos válidos contra 49% do petista, e nos votos totais, Flávio Bolsonaro tinha 47% e Lula 45%. A redução da margem demonstra a volatilidade e a intensidade da campanha.
O caminho até o segundo turno e apoios políticos
A disputa para o segundo turno foi definida após a votação de 4 de outubro de 2026. Na ocasião, Flávio Bolsonaro encerrou a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A fase final da campanha foi marcada pela busca por apoios de outros partidos e candidatos.
Após o resultado do primeiro turno, Augusto Cury (Avante), que havia somado 2,89% dos votos válidos, declarou publicamente seu apoio a Flávio Bolsonaro. Outros nomes importantes, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), também oficializaram o endosso ao candidato do PL, buscando consolidar uma frente de apoio para a reta final.
Votação se aproxima: o que esperar
Os eleitores brasileiros, com 16 anos ou mais, irão às urnas no próximo domingo, 25 de outubro, para eleger o presidente da República. A pesquisa analisada foi realizada por meio de entrevistas presenciais e antecede a rodada final de levantamentos, geralmente divulgada na véspera do pleito, que trará as últimas tendências antes da abertura das seções eleitorais.
