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OpenAI acusa ex-Apple de roubo de dados em meio a disputa judicial por segredos

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Uma nova reviravolta agitou o setor de tecnologia com a OpenAI formalizando uma acusação judicial contra um ex-colaborador. O profissional, que deixou a startup de inteligência artificial para retornar à Apple, é alvo de um processo por supostamente transferir mais de cem arquivos confidenciais para contas pessoais. A petição, protocolada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em San Jose, Califórnia, detalha que o funcionário teria acessado informações de um dispositivo ainda não lançado e, posteriormente, apresentado os planos desse produto à alta cúpula da fabricante do iPhone.

Documentos apresentados à corte revelam a trajetória do profissional: inicialmente na Apple, ele passou seis meses na empresa criadora do ChatGPT e, em seguida, retornou à sua antiga empregadora. A OpenAI, em declaração traduzida na petição, expressou grande preocupação com a possibilidade de seus segredos comerciais e informações sensíveis estarem circulando internamente na Apple, o que poderia permitir que engenheiros da gigante de Cupertino moldassem futuros produtos com base no trabalho inovador e sigiloso da OpenAI. Isso é particularmente relevante no cenário atual de intensa competição por liderança em IA.

Crédito: Mixvale.com.br

A petição da OpenAI ainda detalha que o ex-funcionário realizou uma apresentação abrangente sobre os planos de produtos da empresa para executivos da Apple, incluindo o vice-presidente de operações da companhia na Ásia. Os representantes legais da empresa de IA argumentam que esse encontro impulsionou o desenvolvimento de equipamentos rivais pela concorrente, citando diretamente o display inteligente doméstico HomeView, que a Apple anunciou na terça-feira (13) por US$ 299. Os advogados da OpenAI declararam no documento que “essa apresentação parece ter ocorrido há alguns meses — e agora, armada com essas informações, a Apple está fazendo um novo avanço em produtos habilitados para inteligência artificial”.

A identificação da transferência de mais de cem arquivos ocorreu durante uma auditoria forense interna que a OpenAI conduz em decorrência de um processo judicial pré-existente. O material supostamente desviado pelo ex-colaborador para contas pessoais abrange especificações técnicas e industriais, divididas em diversas categorias, que são consideradas propriedade intelectual estratégica da empresa.

Em resposta às alegações, a Apple divulgou um posicionamento oficial, afirmando que possui políticas e procedimentos internos rigorosos para impedir que novos contratados utilizem dados sigilosos de empregadores anteriores. A empresa de Tim Cook informou que não encontrou qualquer evidência que sustente as acusações da OpenAI. A fabricante do iPhone acrescentou que a concorrente não atendeu aos seus pedidos por mais informações sobre o episódio e, por sua vez, acusou a OpenAI de tentar desviar a atenção de provas de que ex-funcionários da própria Apple levaram segredos comerciais ao mudarem de empresa.

A OpenAI, por sua parte, sustenta perante a corte que tentou uma resolução direta da questão antes de recorrer ao juiz responsável pelo caso. Em trecho traduzido da petição judicial, a empresa de inteligência artificial informou: “A OpenAI levantou essas questões diretamente com a Apple, mas, até o momento, a Apple não forneceu à OpenAI as garantias solicitadas de que a Apple não está em posse e não usou os segredos comerciais e as informações confidenciais da OpenAI”.

Esta nova petição se insere em um contexto de litígio por segredos comerciais que teve início na primeira metade do segundo semestre de 2026, quando a Apple acionou a Justiça contra a OpenAI e dois ex-integrantes de sua equipe: Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto de iPhone e Apple Watch na Apple e atual chefe de hardware da OpenAI, e Chang Liu, ex-engenheiro elétrico sênior de sistemas da Apple e atualmente funcionário da OpenAI. A Apple acusa a dupla de apropriação indevida de tecnologias de fabricação e design para desenvolver o primeiro aparelho da OpenAI, uma alegação que a empresa de inteligência artificial nega e classificou, em agosto de 2026, como descuidada, agressiva e estranhamente pessoal.

Recentemente, no início de outubro de 2026, o juiz distrital Edward Davila, que preside o caso em San Jose, já havia atendido parcialmente a uma solicitação da Apple para acesso antecipado a arquivos digitais da concorrente. O magistrado autorizou a coleta de dados nos aparelhos de alguns ex-funcionários e determinou a realização de depoimentos em cronograma acelerado de três profissionais que deixaram a Apple, grupo que inclui os réus Tang Yew Tan e Chang Liu.

Diante da apresentação das novas acusações pela OpenAI, a audiência judicial entre as duas companhias, que estava marcada para esta quarta-feira (14), foi adiada. A empresa de inteligência artificial solicitou autorização ao tribunal federal para investigar o envio dos arquivos e apresentar uma reconvenção, instrumento jurídico utilizado pelo réu para processar o autor dentro da mesma ação, intensificando a batalha legal.

A identidade do ex-colaborador acusado de transferir os arquivos ao retornar para a Apple não foi revelada na petição, que se refere ao profissional apenas pelo pronome masculino. Além disso, não há confirmação independente nem perícia concluída no processo que comprove o uso efetivo desses documentos pela Apple na criação do aparelho HomeView. O histórico do caso e a previsão de andamento no tribunal de San Jose reúnem uma série de datas cruciais para o desfecho desta complexa disputa.