
Natalie Harp confessou ter passado fome e deixado de dormir para ficar à disposição de Donald Trump — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com
Natalie Harp, a assessora pessoal do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, alcançou o topo da lista anual de mulheres mais influentes na política de Washington, elaborada pela revista “Washingtonian”. Conhecida por sua dedicação inabalável e por fornecer cópias impressas de artigos e notícias de interesse direto a Trump, Harp demonstra um nível de proximidade e influência que a distingue no cenário político.
Aos 35 anos, Natalie Harp é descrita como uma presença quase onipresente ao lado de Donald Trump, atuando como um “camaleão” em sua comitiva. Sua função vai além de uma simples secretária: ela é a principal responsável por selecionar grande parte do conteúdo noticioso que o ex-presidente consome e, consequentemente, por influenciar o que ele compartilha em suas plataformas digitais. Sua visão de mundo é frequentemente vista como um espelho da de seu chefe, a quem se refere com a máxima reverência, usando a expressão “o Presidente Mais Importante da História” em suas declarações.
Na prestigiosa classificação da “Washingtonian”, Natalie superou figuras de alto perfil, incluindo a ex-primeira-dama Melania Trump, a atual esposa do vice-presidente, Usha Vance, e a secretária do Gabinete da Casa Branca, Meghan Bauer, sublinhando a magnitude de sua ascensão e poder nos círculos próximos a Trump.
A intensa lealdade de Harp a Donald Trump, embora valorizada pelo ex-presidente, gerou apreensão entre outros assessores e até mesmo o Serviço Secreto. Este nível de devoção levanta questionamentos sobre os limites entre o profissional e o pessoal em um ambiente de alta segurança e influência política, onde a objetividade e o distanciamento são frequentemente esperados de figuras-chave.
Preston Harp, irmão de Natalie, de 38 anos, expressou publicamente sua preocupação com o que descreveu como uma “obsessão” da irmã pelo ex-presidente. Ele sugeriu que Natalie pode ver em Trump uma figura paterna idealizada, um reflexo de uma dinâmica familiar anterior. Os dois irmãos não mantêm contato atualmente, com Preston residindo na Nicarágua e se identificando como um revolucionário sandinista, o que acentua o contraste em suas trajetórias e visões.
A determinação de Natalie em permanecer ao lado de Trump é marcada por episódios de sacrifício pessoal notáveis. Em uma carta direcionada ao ex-presidente, ela admitiu ter negligenciado necessidades básicas como alimentação e sono enquanto trabalhava intensamente para ele, buscando garantir que “as coisas estivessem sempre bem” entre eles.
Outro incidente que ilustra sua devoção ocorreu em outubro de 2023, quando Harp viajou no porta-malas de um SUV para acompanhar Trump a uma audiência judicial em Nova York. Após ser informada de que não havia espaço na comitiva, ela teria reagido com fúria, insistindo que Trump havia solicitado sua presença pessoalmente. Um assessor próximo confirmou que Trump aprecia a atenção e o comprometimento irrestrito de Harp, que “não questiona, não hesita”.
A assessora também passou o verão de 2023 dormindo no vestiário feminino do clube de golfe de Trump em Bedminster, nos Estados Unidos. Inicialmente, ela havia ocupado um quarto de serviço, mas mudou-se para o vestiário para estar mais próxima da residência principal, garantindo uma resposta mais rápida a qualquer chamado do ex-presidente. Sua presença em áreas restritas, como os aposentos privados de Trump em Mar-a-Lago, também foi notada, com relatos de que ela entregava documentos importantes em horários incomuns, mesmo em áreas geralmente reservadas à família.
A natureza singular do relacionamento de Trump com Natalie Harp voltou aos holofotes após um incidente no mês passado, durante a cúpula da OTAN na Turquia. Diante de uma suposta ameaça de assassinato por agentes iranianos, Trump optou por incluir Harp no pequeno grupo de assessores que trocou de avião com ele na pista de Ancara, após um alerta de inteligência israelense sobre um ataque iminente ao Air Force One.
A decisão de Trump de salvar Harp, em detrimento de seus próprios secretários de gabinete, como o Secretário de Estado, Marco Rubio, e o Secretário do Tesouro, Scott Bessent — figuras cruciais para a administração do país que permaneceram no avião com dezenas de jornalistas —, sublinha a extraordinária confiança e prioridade que ele atribui à sua assessora pessoal. Este episódio não apenas reforça a percepção de sua influência, mas também levanta questões sobre os critérios de segurança e a hierarquia de importância dentro do círculo mais íntimo do ex-presidente.