
Shane Lilly e Major, o seu cão de serviço — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com
Um pastor-belga-malinois, essencial para a vida de seu tutor com deficiência, obteve um alívio temporário da eutanásia em Austin, Texas. Major, o cão de serviço, estava programado para ser sacrificado em 29 de setembro, mas uma decisão judicial concedeu dez dias adicionais ao seu dono, Shane Lilly, para apresentar provas de que o animal pode ser reabilitado e não representa um perigo público.
Major não é apenas um animal de estimação; ele é um cão de serviço altamente treinado, cujo trabalho é fundamental para Shane Lilly. O tutor vive com uma lesão cerebral traumática e sofre de epilepsia, um distúrbio convulsivo que impacta significativamente sua autonomia e segurança diária.
O cão foi especificamente adestrado para detectar sinais de crises convulsivas iminentes, fornecendo um alerta crucial para Lilly. Além disso, ele oferece suporte físico durante os episódios, auxiliando na estabilidade e na recuperação. Em atividades rotineiras, Major ajuda Shane a caminhar, manter o equilíbrio e até mesmo a subir escadas, sendo um pilar de independência para seu tutor.
A situação que culminou na ordem de eutanásia teve início em março de 2025. Major e Shane caminhavam por uma avenida em Austin quando o cão foi atingido por uma caminhonete. Diante do ferimento do animal, Shane correu para casa em busca de seu celular. Nesse breve intervalo, uma pessoa que passava pelo local tentou auxiliar, aproximando-se para colocar o cão ferido em um veículo.
Foi nesse momento que Major, sentindo dor e possivelmente em estado de choque, mordeu a pessoa. Agentes da prefeitura recolheram o cão, levando-o para um abrigo para observação de raiva e, posteriormente, obtiveram uma ordem judicial municipal para a eutanásia, argumentando que o animal representava um risco à segurança da comunidade.
Desde o incidente, Major vive confinado, sem contato com outros animais, há mais de 545 dias. Inconformado com a decisão, Shane Lilly iniciou uma batalha legal complexa e exaustiva. Ele recorreu da primeira sentença, mas perdeu em fevereiro de 2026. A luta escalou até a Suprema Corte do Texas em agosto do mesmo ano, que, no entanto, recusou-se a revisar o caso, mantendo a ordem de eutanásia.
Apesar dos reveses, Shane não desistiu. Ele impetrou uma ação judicial federal contra a prefeitura e três funcionários do abrigo de animais. A base do processo federal é a alegação de que as autoridades municipais falharam em considerar adequadamente o papel de Major como um animal de serviço e não exploraram alternativas à eutanásia que poderiam preservar a vida do cão. Este aspecto legal levanta questões importantes sobre os direitos das pessoas com deficiência e a proteção de seus animais de assistência.
Atualmente, Shane Lilly está em uma corrida contra o tempo para conseguir uma avaliação independente de Major. Ele busca que terceiros especializados determinem se o cão pode ser reabilitado e retreinado para uma convivência segura na sociedade. Essa análise é um ponto central de sua ação judicial federal.
O caso mobilizou a opinião pública, e uma petição online exigindo que a vida de Major seja poupada já angariou mais de 54 mil assinaturas. “Major tem sido um animal de serviço leal e uma alma dócil que agiu por instinto quando sentia dor. Ele não merece ser separado de sua família e condenado sem justa causa”, desabafou Shane, expressando seu profundo vínculo com o cão e a convicção de que o incidente foi uma reação isolada sob estresse extremo.