
Crédito: Formula1.com
A história da Fórmula 1 é marcada por feitos notáveis de pilotos e equipes que, juntos, alcançaram patamares de sucesso inigualáveis. Uma análise aprofundada revela as combinações mais prolíficas, aquelas que gravaram seus nomes nos anais do automobilismo com uma impressionante quantidade de vitórias.
Recentemente, a consagração de Max Verstappen no Grande Prêmio de Singapura não representou apenas seu primeiro triunfo naquele circuito, mas também o impulsionou ainda mais na perseguição a um recorde significativo na categoria. O piloto holandês, já tetracampeão mundial, está consolidando sua posição entre os maiores da história, e sua parceria com a Red Bull Racing é um testemunho disso.
Com essa recente conquista, Verstappen somou sua 73ª vitória pela Red Bull desde que ingressou na equipe durante a temporada de 2016. Esse número o eleva à segunda posição na seleta lista das duplas piloto-equipe com mais triunfos na Fórmula 1, um marco que sublinha a excepcional sinergia e consistência de desempenho entre o competidor e o construtor austríaco.
Diante de tal performance, surge a indagação: quem detém o recorde de mais vitórias por uma única equipe, superando o atual feito de Verstappen? E quais outras duplas lendárias compõem o rol dos dez primeiros colocados nesta prestigiada classificação?
Seguindo os passos de seu pai, Graham Hill, bicampeão mundial, Damon Hill iniciou sua jornada na Fórmula 1 em 1992, defendendo as cores da Brabham. Paralelamente, ele desempenhava as funções de piloto de testes e reserva para a Williams, uma equipe de ponta na época. Sua entrada na categoria, embora discreta, prenunciava uma carreira de sucesso, especialmente com a equipe de Grove.
Em 1993, Hill conquistou uma vaga de piloto titular na Williams, alinhando-se ao lado do então campeão Alain Prost. Sua primeira vitória veio no Grande Prêmio da Hungria, após ter perdido chances de triunfo nas corridas anteriores, na Grã-Bretanha e na Alemanha, devido a uma falha no motor e um pneu furado, respectivamente. Essas experiências iniciais, embora frustrantes, forjaram sua resiliência.
O piloto britânico manteve seu ímpeto vitorioso, garantindo um hat-trick de sucessos na Bélgica e na Itália. Com a trágica morte de seu novo companheiro de equipe, Ayrton Senna, no Grande Prêmio de San Marino da temporada seguinte, Hill emergiu como o principal adversário de Michael Schumacher na disputa pelo título de 1994, demonstrando sua capacidade de liderança em momentos de adversidade.
Apesar de acumular dez vitórias ao longo das campanhas de 1994 e 1995, a consagração máxima só chegou em 1996, quando Damon Hill conquistou o campeonato mundial no Grande Prêmio do Japão. Este triunfo, que representou sua última vitória pela Williams antes de sua saída, selou um período de grande êxito e consolidou sua reputação como um dos grandes pilotos da década.
Assim como Damon Hill, Nico Rosberg também trilhou o caminho do pai, Keke Rosberg, campeão mundial de 1982, fazendo sua estreia na Fórmula 1 com a Williams no Grande Prêmio do Bahrein de 2006. Seus primeiros anos na categoria, no entanto, foram de aprendizado e poucas glórias, com a equipe não oferecendo um carro competitivo para disputar vitórias.
Quatro temporadas com a Williams renderam apenas dois pódios, um indicativo das dificuldades enfrentadas. Em 2010, Rosberg fez a transição para a Mercedes, marcando o retorno das Flechas de Prata à Fórmula 1 como construtora, algo que não acontecia desde 1955. Essa mudança se mostraria um ponto de virada crucial em sua carreira e na história da própria equipe.
A vitória inaugural de Rosberg veio no Grande Prêmio da China de 2012, um momento de grande celebração para a Mercedes e para o piloto. Na temporada seguinte, ele conquistou a primeira de suas três vitórias no prestigiado Grande Prêmio de Mônaco, estabelecendo-se como uma força a ser reconhecida no grid. A partir de 2014, com as novas regulamentações, a Mercedes se tornou a equipe dominante na F1, abrindo caminho para uma era de ouro.
Nos três anos seguintes, uma avalanche de vitórias se seguiu para Rosberg, que se viu em uma intensa disputa pelo título com seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton. Em 2016, nove triunfos, incluindo sua última vitória na F1 no Grande Prêmio do Japão, garantiram a Rosberg o tão cobiçado título mundial. Pouco depois, o piloto alemão surpreendeu o mundo ao anunciar sua aposentadoria do esporte, no auge de sua carreira.
Jim Clark dedicou toda a sua carreira na Fórmula 1 aos carros da Lotus, sob a tutela do visionário Colin Chapman, de 1960 até sua morte em uma corrida de Fórmula 2 em Hockenheim, em 1968. Essa parceria é um dos exemplos mais puros de fidelidade e sucesso no esporte, com Clark pilotando máquinas inovadoras, embora por vezes frágeis.
Amplamente considerado o melhor piloto de sua geração e um dos maiores de todos os tempos, Clark dominou as corridas de Grande Prêmio ao volante das máquinas rápidas, mas muitas vezes delicadas, de Chapman. Sua abordagem era frequentemente tudo ou nada: ele vencia a corrida ou se retirava, um reflexo da engenharia da época e de sua própria audácia.
A primeira vitória do escocês ocorreu no Grande Prêmio da Bélgica de 1962, uma corrida que ele venceria por quatro vezes consecutivas. Duas vitórias adicionais o colocaram à beira do título, mas um vazamento de óleo o impediu na rodada final na África do Sul. Esse período inicial já mostrava o potencial da combinação Clark-Lotus.
Em 1963, Clark foi imparável, conquistando seu primeiro título com sete vitórias em dez corridas. Repetiu o feito em 1965 com mais seis triunfos. Um novo vazamento de óleo, na última volta da decisão de 1964, o privou de um terceiro título consecutivo, destacando a fragilidade que por vezes acompanhava a genialidade técnica da Lotus.
O talento excepcional de Clark garantiu que ele conquistasse pelo menos uma vitória na Fórmula 1 em sete temporadas distintas, além de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 1965. Sua última vitória na F1 aconteceu na abertura da temporada de 1968, na África do Sul, apenas três meses antes de sua trágica perda. Seu legado perdura como um dos mais brilhantes na história do automobilismo, um piloto que redefiniu os limites da velocidade e precisão.
Nigel Mansell acumulou um total de 28 vitórias pela Williams em três períodos distintos com a equipe, um feito que assegura ao britânico o recorde de maior número de triunfos pela escuderia sediada em Grove. Essa longevidade e sucesso sublinham a forte ligação e a capacidade do piloto de se adaptar a diferentes eras do carro.
Após cinco temporadas com a Lotus, que renderam pódios, mas nenhuma vitória — sendo o mais memorável o incidente em Mônaco, em 1984, quando liderava na chuva e bateu —, Mansell se transferiu para a Williams em 1985. Lá, a tão esperada vitória finalmente aconteceu no Grande Prêmio da Europa, disputado diante de sua torcida em Brands Hatch, um momento catártico para o piloto e seus fãs.
Outra vitória se seguiu imediatamente na África do Sul, colocando Mansell na disputa pelo título de 1986 até a última corrida em Adelaide. Contudo, um espetacular furo de pneu encerrou suas chances após uma temporada com cinco vitórias, um golpe duro para o britânico que já demonstrava sua força.
Mansell teve um desempenho ainda melhor na temporada seguinte, com seis vitórias, mas um forte acidente no treino classificatório para o Grande Prêmio do Japão o deixou de fora da corrida e, consequentemente, eliminou suas esperanças de título. Esses incidentes destacam a intensidade da competição e os riscos inerentes à Fórmula 1.
Uma temporada sem vitórias em 1988 levou Mansell a se mudar para a Ferrari por dois anos, onde conquistou três vitórias — as únicas que não foram pela Williams. Em 1991, ele retornou à Williams, iniciando uma nova fase de sucesso que culminaria em seu maior feito.
Depois de uma acirrada disputa com Ayrton Senna pelo título, todas as peças se encaixaram para Mansell em 1992. Ele conquistou o campeonato com nove vitórias, incluindo um terceiro e último triunfo em Silverstone, antes de focar em corridas na América. Este foi o ápice de sua carreira na Fórmula 1, um ano de domínio absoluto.
A morte de Senna, em 1994, levou a um retorno parcial de Mansell à Williams em várias etapas, culminando em sua última vitória na F1, na sua corrida final pela equipe, no Grande Prêmio da Austrália que encerrou a temporada. Essa despedida vitoriosa marcou o fim de uma era para o “Leão”, um dos pilotos mais carismáticos e determinados da história da categoria.
Alain Prost iniciou sua carreira na Fórmula 1 com a McLaren em 1980, mas foi com a Renault, nas três temporadas seguintes, que ele conquistou sua primeira vitória na F1 e começou a desafiar seriamente pelo título mundial. Sua abordagem metódica e inteligência tática lhe renderam o apelido de “O Professor”, um estilo que se tornaria sua marca registrada.
Um retorno à McLaren em 1984 marcou sua primeira vitória pela equipe na abertura da temporada, no Brasil. Seis vitórias adicionais o deixaram a apenas meio ponto do título, que acabou sendo conquistado por seu companheiro de equipe, Niki Lauda. Esse início promissor com a McLaren já indicava o potencial de uma parceria vencedora.
Títulos consecutivos se seguiram, com Prost acumulando nove vitórias ao longo das duas campanhas, solidificando sua posição como um dos pilotos de ponta. Mais aparições no degrau mais alto do pódio vieram em 1987 e 1988, apesar de não ter vencido o título. A última temporada marcou o início de sua parceria com Ayrton Senna, uma dupla que dividiria 15 vitórias em 16 corridas (sete para Prost), iniciando uma das maiores rivalidades da história do esporte.
O francês conquistou seu terceiro e último título pela McLaren na temporada seguinte, em uma batalha intensa com Senna que culminou em uma colisão no Japão. A última vitória de Prost pela equipe aconteceu no Grande Prêmio da Itália, encerrando uma era de domínio e rivalidade que cativou fãs em todo o mundo.
Prost ainda obteve vitórias adicionais com a Ferrari e a Williams, sendo com esta última equipe que ele garantiu seu quarto e último título mundial antes de se aposentar ao final de 1993. Sua carreira é um exemplo de consistência e inteligência, com um legado de quatro campeonatos e uma abordagem estratégica que o diferenciava de seus contemporâneos.
Ayrton Senna é um nome intrinsecamente ligado à McLaren, equipe com a qual conquistou todos os seus três campeonatos mundiais. Sua passagem pela escuderia de Woking, de 1988 a 1993, é considerada uma das mais icônicas e bem-sucedidas na história da Fórmula 1, redefinindo o que era possível em termos de velocidade e paixão na pista. A união entre o talento bruto de Senna e a engenharia de ponta da McLaren gerou uma era de domínio e performances inesquecíveis.
Em sua primeira temporada com a equipe, em 1988, Senna travou uma batalha épica com seu companheiro de equipe, Alain Prost, culminando em seu primeiro título mundial. Aquele ano foi um marco, com a McLaren-Honda vencendo 15 das 16 corridas, e Senna contribuindo com oito desses triunfos. A rivalidade interna, embora intensa, impulsionou ambos os pilotos a novos patamares.
Senna continuou a demonstrar sua superioridade, especialmente em condições de chuva, que se tornaram sua marca registrada. Ele conquistou mais dois campeonatos mundiais consecutivos em 1990 e 1991, consolidando sua posição como um dos maiores de todos os tempos. Durante esses anos, suas vitórias em circuitos como Mônaco, Spa-Francorchamps e Interlagos se tornaram lendárias, demonstrando uma maestria sem igual.
Ao longo de seis temporadas com a McLaren, Ayrton Senna acumulou 35 vitórias, um número que o coloca entre as parcerias mais bem-sucedidas da história da Fórmula 1. Além dos títulos, sua capacidade de extrair o máximo do carro, sua determinação implacável e seu carisma cativaram milhões de fãs ao redor do mundo. A era Senna-McLaren não foi apenas sobre vitórias, mas sobre a personificação da excelência e da emoção no automobilismo.
Mesmo após sua saída da equipe em 1993, para um novo desafio, o legado de Senna com a McLaren permaneceu indelével. Suas performances memoráveis e a maneira como ele elevou o esporte continuam a inspirar gerações de pilotos e fãs, confirmando a importância dessa combinação lendária na rica tapeçaria da Fórmula 1. A história de Senna na McLaren é um capítulo dourado, repleto de conquistas que transcendem o tempo.