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O Grupo Magazine Luiza, que engloba as marcas Magazine Luiza e KaBuM!, iniciou nesta quinta-feira (15) a comercialização de produtos de seu próprio inventário no marketplace da Shopee. Essa colaboração estratégica busca alcançar a vasta audiência de aproximadamente 90 milhões de brasileiros que utilizam a plataforma concorrente a cada mês. A varejista projeta que mais de 75% dos compradores provenientes deste novo canal serão clientes que ainda não haviam interagido com a empresa.
Conforme Fabrício Garcia, vice-presidente comercial e de operações do Magalu, a entrada na Shopee, o quarto grande concorrente no mercado, tem como objetivo central expandir as vendas online enquanto se mantém o controle das margens de lucro. “Nosso foco é capturar públicos em diversas plataformas digitais para atingir ainda mais consumidores e impulsionar nossas vendas de maneira rápida e lucrativa. Queremos transformar esse fluxo adicional de visitantes da Shopee em uma expansão duradoura para o Magalu e para as demais empresas do nosso portfólio”, declarou o executivo.
Os artigos das duas marcas do grupo varejista nacional estão disponíveis na seção de vitrines oficiais da Shopee, acessível tanto pelo site quanto pelo aplicativo móvel. A transação ocorre no formato 1P, que designa a venda direta de mercadorias que pertencem ao estoque da própria companhia, abrangendo cinco categorias principais: eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis, games e produtos de informática. A logística e o transporte de todos os pedidos finalizados no marketplace são integralmente geridos pela Magalog, a operadora de logística independente que integra o Grupo Magalu.
O acordo estabelecido entre as empresas também concede ao Magazine Luiza e ao KaBuM! o direito de utilizar as ferramentas de interação social e estratégias de engajamento da plataforma asiática. Na prática, as duas marcas agora poderão realizar transmissões ao vivo no Shopee Lives, divulgar material audiovisual no Shopee Vídeos e participar das campanhas promocionais em datas especiais, como o 11.11. O grupo, sob a liderança do CEO Frederico Trajano, terá ainda acesso à extensa rede de parceiros da Shopee no Brasil, que conta com mais de 10 milhões de criadores de conteúdo e afiliados, em um ecossistema onde 95% das vendas nacionais já são geradas por vendedores locais.
Para Felipe Lima, diretor de desenvolvimento de negócios e operações de fulfillment (serviço que engloba armazenagem, separação e envio de pedidos) da Shopee, essa integração enriquece o portfólio de produtos de maior valor percebido na plataforma. “A chegada do Grupo Magalu sublinha a importância da Shopee como elo entre empresas e o público nacional, fortalecendo o cenário do e-commerce no país”, afirmou o diretor.
As duas companhias não revelaram o número preciso de artigos disponibilizados inicialmente nas vitrines do Magazine Luiza e do KaBuM! dentro da Shopee. Tampouco foram confirmados os objetivos financeiros da parceria ou quaisquer condições exclusivas de frete ou descontos de lançamento.
A incursão na Shopee faz parte de um movimento estratégico mais amplo do Grupo Magalu para acelerar a saída de seu inventário próprio, aproveitando o tráfego de plataformas concorrentes e reduzindo a dependência exclusiva de seu próprio site e aplicativo. Segundo a empresa, todos os contratos desse modelo seguem três premissas fixas: garantia de rentabilidade positiva nas operações, cláusulas de reciprocidade e a ausência de exclusividade. Fabrício Garcia explicou que a elevação recente nos custos de aquisição de clientes via publicidade digital tornou a presença em marketplaces rivais comercialmente mais vantajosa.
A projeção da diretoria de que “mais de 75% vão ser clientes novos” replica o índice verificado em acordos anteriores. Antes da estreia na Shopee em 15 de outubro de 2026, a varejista já havia estabelecido três alianças com grandes plataformas do setor:
Em um relatório divulgado nesta sexta-feira (16), os analistas Joseph Giordano, Nicolas Larrain e Guilherme Vilela, do banco JPMorgan, classificaram a parceria com a Shopee como ligeiramente positiva para os papéis do Magazine Luiza (negociados na bolsa brasileira sob o código MGLU3). A equipe do banco observou que o modelo apresenta pouco impacto negativo sobre as vendas dos seus próprios canais e mantém o controle da operação de entrega sob a gerência da Magalog.
De acordo com Fabrício Garcia, o contrato com a Shopee deve concluir a série de anúncios de parcerias similares para o ano de 2026. “O que eu posso afirmar é que nossas vendas nas plataformas serão significativas, contribuindo para a retomada do crescimento no ambiente digital, além do trabalho que temos desenvolvido em nosso canal próprio”, disse o vice-presidente. A prioridade operacional da companhia a partir de agora concentra-se em ampliar o volume de vendas nos quatro canais parceiros já integrados durante a Black Friday, em novembro, e nas compras de Natal, em dezembro.