Lula e Flávio Bolsonaro travam confronto final na Globo com disputa acirrada por votos

Lula e Flávio Bolsonaro Trocam Acusações Finais em Debate Aquecido Antes do Segundo Turno de 2026

Crédito: Mixvale.com.br

Em um dos momentos mais decisivos da corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram nesta sexta-feira (23) no último debate televisivo antes do segundo turno, transmitido pela TV Globo do Rio de Janeiro. O confronto, mediado pelo jornalista César Tralli, acontece em meio a uma disputa eleitoral extremamente apertada, com uma diferença de menos de dois pontos percentuais separando os dois candidatos após o primeiro turno, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Regras do Confronto e os Primeiros Temas Abordados

O debate, dividido em quatro blocos, iniciou com seis rodadas dedicadas à infraestrutura e às cinco grandes regiões do país. Para cada rodada, os candidatos tiveram três minutos, fracionados entre pergunta, réplica, resposta e tréplica. Uma regra notável implementada pela organização foi a restrição de circulação pelo estúdio nos três primeiros blocos, permitindo o movimento apenas para o candidato que estivesse com a palavra. Essa medida visou evitar incidentes registrados em encontros anteriores, onde um candidato se aproximava do adversário enquanto este falava, buscando manter a ordem e o foco na argumentação.

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Infraestrutura e Projetos Federais no Centro da Discussão

Sorteado para abrir o programa, Flávio Bolsonaro questionou a eficiência da gestão atual em projetos federais, citando um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaria mais de 11.500 obras paralisadas. “O país voltou a ser um grande cemitério de obras”, declarou o candidato do PL, criticando o ritmo e a conclusão de investimentos.

Em sua resposta, o presidente Lula rebateu as críticas, destacando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o volume de investimentos em estradas, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Mencionou ainda obras específicas como as da Serra das Araras, o túnel de Santos e a transposição do Rio São Francisco. “Penso que se o candidato conhecesse um pouco o Brasil, ele saberia que em nenhum momento na história do país se investiu tanto em obras de infraestrutura como nós investimos nos últimos anos”, afirmou Lula, defendendo a performance de sua administração.

Ainda no tema da infraestrutura, o senador Flávio Bolsonaro prometeu a conclusão da ferrovia Transnordestina, além de investir em concessões rodoviárias com garantia de pedágio zero para motociclistas. Ele também detalhou planos para construir o eixo Sul da ferrovia, conectando o Centro-Oeste ao oeste de Paraná e Santa Catarina. Lula, por sua vez, garantiu que a Transnordestina já se encontra em fase de execução pela atual gestão.

Disputa sobre Renda, Aposentadorias e Propostas Sociais

Ao abordar a região Sudeste, a discussão se concentrou na renda e no poder de compra dos trabalhadores. Lula questionou o valor do salário mínimo e defendeu os reajustes implementados durante suas gestões anteriores, buscando associar sua plataforma à valorização salarial. Flávio Bolsonaro, por outro lado, apontou o endividamento das famílias, a perda do poder de compra devido à inflação e à carga tributária, e propôs tarifa zero no transporte público para trabalhadores aos finais de semana como medida de alívio econômico.

Na rodada dedicada ao Sul, região com alta concentração de aposentados, Lula instigou o adversário sobre a compatibilidade do reajuste dos benefícios previdenciários com sua proposta de corte de gastos, apelidada de “tesouraço”. O presidente comparou a medida à política econômica do presidente da Argentina, Javier Milei, conhecidas por sua austeridade fiscal e desregulamentação. O candidato do PL assegurou que não irá privatizar o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal, prometeu reajustar salários e aposentadorias acima da inflação, elogiou a “reconstrução econômica” argentina sob Milei e se comprometeu a atuar com o governador eleito do Rio Grande do Sul, Zucco, na prevenção de enchentes.

Desafios do Agronegócio e a Gestão Ambiental na Amazônia

Em relação ao Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro criticou a burocracia para a aquisição de maquinário e a falta de incentivos ao setor agropecuário, prometendo segurança jurídica em parceria com governadores aliados da região. Lula rebateu, afirmando que todos os segmentos da agricultura receberam recursos recordes do governo federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), resultando em recorde de exportações e superávit comercial. O petista ainda cutucou o senador, afirmando que ele “estuda para decorar” os temas.

A pauta da região Norte contrapôs saneamento básico e gestão ambiental. Flávio Bolsonaro prometeu investimentos alinhados às metas do Marco Legal do Saneamento Básico e garantiu autonomia aos povos indígenas sobre o uso de suas terras. Lula, em sua réplica e tréplica, defendeu o Fundo Amazônia e a economia verde, criticando a política ambiental da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e lembrando a imagem de “rir de pessoas sem oxigênio” no Amazonas durante a pandemia. “Não sei se vocês prestaram atenção no que ele falou porque é tudo contrário do que fizeram”, pontuou o presidente.

Segurança Pública e Desenvolvimento no Nordeste

O debate sobre o Nordeste viu Lula listar a entrega de hospitais, universidades, indústrias e obras de infraestrutura em seus mandatos, questionando as realizações do governo anterior na região. Flávio Bolsonaro, por sua vez, acusou o petista de ter permitido a expansão da facção Comando Vermelho nos estados nordestinos e prometeu governar em conjunto com governadores de oposição para atrair investimentos e combater o crime organizado.

Cenário Eleitoral e o Voto Decisivo deste Domingo

Os candidatos chegam a este último confronto direto com um cenário eleitoral extremamente apertado. Flávio Bolsonaro encerrou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva, uma diferença de 1,87 ponto percentual, o que representa aproximadamente 2,2 milhões de votos. Os desdobramentos dos blocos seguintes do debate ainda estavam em andamento no fechamento desta apuração, com a votação que definirá o próximo presidente da República ocorrendo neste domingo, 25 de outubro.