Uma proposta de US$ 800 milhões, apresentada pela Microsoft à Netflix, para um pacote de licenciamento exclusivo de sete anos de adaptações de jogos Xbox para o cinema e a televisão nos Estados Unidos, foi cancelada. A negociação de alto valor, que veio a público nesta sexta-feira (23), visava expandir as aclamadas franquias da gigante dos games para o universo do streaming, mas foi interrompida antes de qualquer acordo final, marcando o fim de uma potencial parceria bilionária na guerra do conteúdo.
A iniciativa perdeu fôlego e foi retirada da mesa de discussões após a saída de Bela Bajaria, que ocupava o cargo de diretora de conteúdo na Netflix, em outubro de 2026. Questionada sobre o desfecho das tratativas para o acordo abrangente, a plataforma de streaming optou por não se pronunciar. Por sua vez, a divisão de jogos da Microsoft, Xbox, emitiu um comunicado oficial ressaltando a continuidade de colaborações específicas. “Observamos um interesse sem precedentes em nossas propriedades intelectuais; a Netflix é uma parceira de grande valor, e estamos entusiasmados com os próximos lançamentos de nossas séries animadas de Minecraft e Diablo, entre outras adaptações em conjunto”, afirmou a Xbox, conforme tradução.
O diálogo entre as duas potências do entretenimento teve início quando Bela Bajaria propôs um investimento total de US$ 500 milhões. O objetivo era assegurar à Netflix a exclusividade por sete anos na transposição de diversas propriedades intelectuais do Xbox para produções audiovisuais. Em resposta à oferta inicial da executiva da plataforma de streaming, a CEO da Xbox, Asha Sharma, juntamente com sua equipe de negócios, decidiu elevar a exigência para um valor global de US$ 800 milhões pelo mesmo período contratual, representando um acréscimo de US$ 300 milhões na pedida original.
O montante adicional solicitado pela desenvolvedora de consoles enfrentou resistência imediata nos escalões financeiros da empresa de entretenimento americana. Spence Neumann, diretor financeiro (CFO) da Netflix, figurou entre os líderes da plataforma que consideraram o preço da contraproposta da Microsoft excessivamente elevado para o modelo de negócios da companhia. Pouco depois do impasse financeiro, a saída de Bajaria, e também do chefe de cinema da empresa, Dan Lin, consolidou a decisão de retirar definitivamente a oferta, encerrando as discussões.
Mesmo que o potencial contrato de cifras expressivas entre as corporações tivesse avançado, o pacote de sete anos não incluiria todo o portfólio da Microsoft. Isso porque algumas das franquias mais proeminentes da empresa já possuíam compromissos com estúdios concorrentes ou acordos prévios com a própria Netflix. A popular série de jogos de tiro Call of Duty, por exemplo, está sendo adaptada pela Paramount, enquanto títulos como Fallout, Mass Effect e Wolfenstein já contam com projetos em desenvolvimento na Amazon Prime Video. No âmbito cinematográfico, a sequência do filme de Minecraft é de responsabilidade da Warner Bros. Pictures, ao passo que as animações de Minecraft e Diablo, além das adaptações de Gears of War, já estavam contempladas em um acordo anterior com a Netflix.
O Acervo de Franquias e a Nova Direção Estratégica da Microsoft
Apesar das limitações impostas por esses compromissos existentes, a negociação ainda envolvia um vasto conjunto de propriedades intelectuais de grande relevância que permaneciam disponíveis para novas explorações audiovisuais. Entre os títulos de destaque da biblioteca da Microsoft que poderiam ser adaptados estavam nomes como Warcraft, StarCraft, Overwatch, The Elder Scrolls, Doom, The Outer Worlds e Halo. Contudo, não houve confirmação pública sobre quais dessas franquias específicas seriam incluídas contratualmente no pacote de sete anos, caso o acordo tivesse sido formalizado, uma vez que nem a Netflix nem a Microsoft divulgaram a minuta da proposta.
Com a reestruturação na liderança da plataforma de streaming em 23 de outubro de 2026, a posição de diretor de conteúdo, antes ocupada por Bela Bajaria, foi preenchida por Peter Rice, um executivo com experiência prévia na Disney e na Fox. Do lado da Microsoft, o encerramento das conversas para o pacote exclusivo levou a empresa a redefinir sua abordagem. A nova estratégia consiste em buscar acordos de menor escala e individualizados com múltiplos parceiros do setor audiovisual, negociando cada projeto de forma independente.
Essa abordagem mais descentralizada é sustentada por uma nova estrutura anunciada pela companhia no início de outubro de 2026. Na ocasião, a Microsoft criou a Xbox XP, um braço corporativo dedicado a filmes, televisão, produtos licenciados, parques temáticos e eventos ao vivo. Essa área é liderada por Kayleen Walters, ex-executiva da renomada produtora Lucasfilm, e incorpora a subdivisão Xbox Pictures, que agora é responsável por conduzir diretamente as negociações dos direitos de cada jogo com diferentes estúdios de cinema e plataformas de televisão.
