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O líder do Instagram, Adam Mosseri, expressou profunda apreensão em outubro de 2026, nos Estados Unidos, diante do crescimento de contas que empregam avatares gerados por inteligência artificial, popularmente conhecidos como deepfakes, para reproduzir integralmente o material de criadores de conteúdo genuínos. Apesar da preocupação, Mosseri admitiu que a plataforma ainda não desenvolveu uma estratégia eficaz para coibir essa prática. A manifestação do executivo, que ganhou destaque nesta segunda-feira (19), surgiu após denúncias de comediantes sobre perfis com centenas de milhares de seguidores que copiam apresentações completas para direcionar usuários a websites de conteúdo adulto.
Mosseri rejeitou a ideia de proibir completamente materiais produzidos por inteligência artificial na rede social, classificando tal medida como inviável. Ele argumentou que a identificação de conteúdo de IA se tornará progressivamente mais difícil, e nem todo material gerado por máquinas é prejudicial, embora reconheça a existência de muito “lixo”. O chefe do Instagram enfatizou os investimentos da Meta em direcionar mais visibilidade para criadores de conteúdo original e a necessidade de encontrar soluções para casos onde a IA replica integralmente o trabalho alheio.
A declaração do executivo da Meta foi uma resposta direta a um vídeo divulgado pelo comediante norte-americano George Brett Olson. O artista expôs uma conta de inteligência artificial, associada à persona “Tiffany Sloane” e com mais de 300 mil seguidores, que havia copiado na íntegra sua performance de stand-up. O vídeo sintético mimetizava os gestos, o cenário e vestimentas semelhantes aos da gravação original, mas substituía a imagem do humorista por uma figura feminina gerada por computador, com o objetivo de encaminhar o tráfego para a plataforma de assinatura adulta OnlyFans. Olson alertou que o problema se estende a outras formas de arte na plataforma, como coreografias de dançarinos reproduzidas por avatares digitais.
Uma investigação divulgada na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, revelou que pelo menos oito comediantes tiveram suas performances copiadas por perfis de mulheres criadas por IA, que utilizam vestimentas provocantes para promover serviços pagos como OnlyFans e Fanvue. Entre as vítimas está a humorista de stand-up Julia Jasunas, cuja piada foi replicada palavra por palavra por um perfil denominado “Aylen Skye”, que acumula cerca de 250 mil seguidores e direciona para o site Fanvue. A cópia reproduziu até mesmo as pausas na fala e as interações de Jasunas com a plateia, evidenciando a sofisticação da reprodução.
“Mais um robô de IA acabou de plagiar minha piada. Tenho visto vídeos de outros comediantes relatando exatamente o mesmo problema, e o mais alarmante é que esses robôs de IA estão ganhando enorme popularidade, e o público acredita que são pessoas reais”, desabafou Jasunas, ressaltando o perigo da desinformação e da erosão da autenticidade na plataforma.
Quando Julia Jasunas e os fãs de George Brett Olson tentaram denunciar as cópias ao Instagram, a resposta inicial da plataforma foi que os vídeos não infringiam as diretrizes da comunidade. Historicamente, o conteúdo de humor e apresentações de stand-up possui pouca proteção prática dentro dos sistemas automatizados de direitos autorais das redes sociais. As atuais políticas da Meta contra falsidade ideológica só preveem a remoção de perfis que se fazem passar pela própria vítima, criando uma lacuna significativa na moderação quando um personagem fictício, gerado por IA, recita o roteiro de um humorista real como se fosse seu, sem qualquer atribuição ou uso do nome ou imagem do autor original. Essa brecha representa um desafio complexo para a proteção da propriedade intelectual na era digital.
Em um contexto mais amplo, a Meta tem explorado agressivamente o campo da inteligência artificial, como evidenciado pela integração do Meta AI no WhatsApp, que oferece recursos como geração de imagens e suporte em grupos. Essa expansão demonstra a aposta da empresa na IA como ferramenta de inovação, ao mesmo tempo em que a expõe aos desafios de moderação e ética relacionados ao uso indevido de tecnologias avançadas.
Até o momento, nem a Meta nem Adam Mosseri divulgaram quais medidas técnicas ou alterações nas políticas da plataforma serão implementadas para penalizar contas que copiam integralmente o texto ou a performance de criadores humanos, deixando a comunidade de artistas em um limbo de incerteza.
Em paralelo ao debate sobre a moderação de conteúdo gerado por IA, a atualização 11.0.9.565 do Nvidia App, lançada na terça-feira (13), também trouxe à tona discussões sobre o alcance das ferramentas automatizadas. O software introduziu suporte nativo para dispositivos da linha RTX Spark, um chipset desenvolvido para notebooks com agentes de IA, e adicionou um servidor local MCP (Model Context Protocol). Este protocolo permite que assistentes de inteligência artificial controlem o aplicativo na placa de vídeo de qualquer usuário que tenha a versão mais recente instalada, levantando questões sobre autonomia e controle de dados.
A Nvidia detalhou nas notas de lançamento que “O aplicativo da Nvidia incorpora um servidor MCP (Model Context Protocol) local, que permite que um agente de IA compatível controle o aplicativo por meio de comandos em linguagem natural. Isso significa que seu assistente de IA — como Hermes, OpenClaw ou Perplexity — pode identificar os jogos instalados, aplicar configurações ideais ou ativar o Shadowplay para gravar suas partidas, tudo isso por meio de uma conversa simples”, explicando a funcionalidade que visa facilitar a interação com o software.
Contudo, usuários logo descobriram que essa permissão vinha ativada por padrão após a atualização automática do programa, gerando alertas de segurança na quinta-feira (15). Desenvolvedores como Agustín Cordes, diretor cinematográfico de Silent Hill: Ascension e fundador do estúdio Senscape, expressaram preocupação. Cordes afirmou que “Posso confirmar que o aplicativo da Nvidia está sendo atualizado automaticamente e ativou, por padrão, uma configuração que permite que agentes de IA controlem o aplicativo com permissões bastante amplas. Além da invasão de privacidade inaceitável e dos recursos de IA medíocres, isso representa um risco de segurança elevado — algo que você provavelmente não vai querer”, destacando a preocupação com a falta de consentimento explícito e o potencial para exploração indevida.
A discussão sobre o controle de dados e a privacidade do usuário não é exclusiva da Nvidia. A Meta AI no WhatsApp, por exemplo, oferece ferramentas para arquivar conversas e contestar o uso de dados pessoais através de um formulário oficial, indicando uma crescente preocupação da indústria com a transparência e o controle do usuário sobre suas informações em ambientes cada vez mais dominados por IA.
Até o momento, a Nvidia não emitiu um comunicado oficial público abordando os questionamentos de segurança referentes à ativação automática do recurso na versão 11.0.9.565, deixando as dúvidas sobre a privacidade e o controle do usuário sem resposta clara.