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Edimar Rocha Martins, um profissional da construção civil de 49 anos, residente em Imperatriz, no Maranhão, protagonizou uma notável mudança de vida ao adotar uma felina batizada de Jéssica e estrear como influenciador digital na última quarta-feira, 21 de outubro de 2026. A transformação ocorreu após ele percorrer mais de 2.100 quilômetros até Belo Horizonte, em Minas Gerais, em busca de um relacionamento com uma mulher gerada por inteligência artificial. Atualmente, ele é a estrela de uma campanha publicitária da Petlove e já acumula mais de seis mil seguidores em suas plataformas sociais.
Na produção audiovisual para a reconhecida empresa do segmento de produtos e serviços para animais de estimação, o maranhense revisitou a malfadada viagem à capital mineira, agora acompanhado da gata que conheceu na residência de sua irmã, onde atualmente reside. “Eu fui atrás de uma gata e acabei achando”, expressou Edimar Rocha Martins no material veiculado. “Quem ama cuida, né? E eu tenho muito amor pra dar”, complementou na mesma peça publicitária, evidenciando a ironia e o afeto que marcam sua nova fase.
A história de superação e a inusitada jornada de Edimar atraíram a atenção de diversas marcas em âmbito nacional, que rapidamente manifestaram interesse em estabelecer parcerias comerciais na internet. O vídeo institucional divulgado pela Petlove registrou um engajamento expressivo nas plataformas digitais logo nas primeiras 24 horas de sua exibição, confirmando o apelo da narrativa.
A sequência de eventos que alterou drasticamente a rotina do trabalhador teve início quando ele decidiu atravessar o Brasil, convencido de que vivia um romance virtual com uma mulher identificada como Jéssica Oliveira, popularmente conhecida nas redes sociais como Jéssica Fazendeira. Ao desembarcar na capital mineira em 11 de outubro de 2026, sem um endereço concreto e com todas as suas economias esgotadas na travessia, ele se viu vagando pelas ruas, exibindo fotografias da suposta namorada a transeuntes e buscando auxílio em uma emissora de rádio local, até a dolorosa constatação de que sua pretendente não existia no plano físico, sendo meramente uma criação digital.
“Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado”, desabafou o pedreiro à imprensa, descrevendo a frustrante tentativa de localizar a mulher em Minas Gerais. Este desfecho ressalta a crescente complexidade e os perigos das interações em ambientes virtuais, onde a linha entre o real e o artificial se torna cada vez mais tênue, impactando diretamente a vida de indivíduos.
Em depoimentos prestados à assistência social do município mineiro, o trabalhador explicou que o profundo sentimento de solidão, intensificado após o falecimento de sua mãe, foi um fator determinante em sua decisão de utilizar suas economias para empreender a viagem. Sem meios financeiros para retornar ao seu estado de origem, Edimar recebeu acolhimento da Prefeitura de Belo Horizonte, que providenciou alimentação, condições de higiene e orientações essenciais sobre os riscos inerentes aos golpes virtuais.
Em 13 de outubro, uma terça-feira, o trabalhador embarcou em um ônibus com destino ao Tocantins, com a passagem custeada pelo Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, órgão da administração municipal mineira. Durante o exaustivo percurso de volta, que se estendeu por mais de 50 horas, ele sofreu um mal-estar em território tocantinense e necessitou de atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), um serviço público de saúde voltado para emergências de média complexidade. Após receber alta, ele prosseguiu sua jornada, utilizando uma balsa para atravessar o Rio Tocantins, até finalmente chegar de volta a Imperatriz na quinta-feira, 15 de outubro.
O perfil que motivou o deslocamento de Edimar Rocha Martins exibia vídeos com uma aparência e voz notavelmente realistas, direcionados majoritariamente ao público masculino. Nessas gravações, a personagem se apresentava em ambientes rurais, declarava estar em busca de um companheiro para viver no campo e prometia fornecer sustento ao futuro parceiro em uma propriedade rural.
“Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo”, afirmava a figura gerada por inteligência artificial em um dos vídeos publicados nas plataformas digitais, uma promessa que explorava vulnerabilidades e desejos de estabilidade financeira.
O pedreiro relatou que mantinha conversas privadas com o perfil e nutria a crença na autenticidade do relacionamento. Em contrapartida, o responsável pela administração da página negou ter trocado mensagens diretas com o maranhense, declarando que a criação da figura virtual tinha como único propósito atrair seguidores e promover produtos comercializados pela internet. Diante da ampla repercussão do caso, todos os vídeos foram prontamente removidos.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que não localizou nenhum registro de boletim de ocorrência relacionado ao episódio na capital mineira. A corporação esclareceu que a criação de personagens por meio de ferramentas de inteligência artificial, por si só, não configura crime na legislação brasileira. Tal prática pode se enquadrar nos delitos de estelionato ou fraude eletrônica apenas se for comprovada a obtenção de vantagem ilícita ou prejuízo alheio mediante artifício fraudulento. “Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que tenha ocorrido crime, tampouco apontar eventuais responsáveis”, declarou a instituição policial em comunicado oficial, destacando a complexidade jurídica de casos envolvendo tecnologias emergentes.