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O mercado financeiro brasileiro encerrou a quinta-feira (15) em um dia de fortes reações, com o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, registrando queda pelo terceiro pregão consecutivo, enquanto o dólar comercial experimentou uma valorização expressiva. O indicador da B3 fechou com recuo de 1,06%, atingindo 204.324,26 pontos, em um volume financeiro de R$ 27,2 bilhões. Simultaneamente, a moeda norte-americana avançou para a marca de R$ 5,08, impulsionada por um cenário de indefinição política interna, a aprovação de uma significativa mudança nas regras trabalhistas e a divulgação de dados de inflação mais robustos nos Estados Unidos.
Um dos fatores de maior peso na instabilidade do mercado foi a revelação da pesquisa Quaest, divulgada na noite anterior. O levantamento indicou um empate técnico na corrida pelo Palácio do Planalto, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) registrando 46% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44%. A margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo posiciona ambos os candidatos em uma igualdade estatística.
A pesquisa, que ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro de 2026 e possui nível de confiança de 95% (registro BR-08729/2026 no TSE), também apontou 1% de indecisos e 9% de intenções de voto em branco, nulo ou abstenção. Na análise de rejeição, Flávio Bolsonaro alcançou 54%, e Lula, 53%. Esse resultado ecoa outros estudos recentes, como os dos institutos BTG/Nexus e PoderData, e foi reforçado por uma nova pesquisa Palver nesta quinta-feira, que também indicou empate técnico (50% para Bolsonaro e 49% para Lula, dentro da margem de erro de 2,3 pontos).
A percepção de um segundo turno altamente disputado diminuiu o otimismo que havia dominado os investidores logo após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. Naquele momento, o Ibovespa havia saltado 7,70% e o dólar recuado para R$ 5,001 na sessão de 5 de outubro de 2026.
Outro ponto de atenção para os agentes econômicos foi a aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto, que agora segue para promulgação, extingue a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e modifica o limite constitucional de 44 horas semanais, vigente desde 1988, sem permitir a redução salarial. A medida, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), foi aprovada em dois turnos por ampla maioria (75 votos favoráveis a 1 contrário), após já ter passado pela Câmara dos Deputados.
A aplicação das novas regras para empresas e trabalhadores com carteira assinada será feita de forma escalonada, ao longo de 14 meses a partir da publicação oficial. A expectativa é de um impacto significativo nos custos operacionais. Lucas Xavier, sócio e head da mesa de renda variável da AW Capital, alertou que a redução da jornada de trabalho tende a encarecer a mão de obra, exigindo que as empresas reavaliem seus planejamentos. “Entre os pontos, podemos citar aumento de preços ao consumidor final, caso optem por repassar custos, ou contratar mais para não diminuir o tempo de abertura da loja, o que tende a gerar inflação”, explicou Xavier, destacando o potencial efeito cascata sobre a economia.
Em contraponto, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, defendeu a aprovação da PEC como um avanço social. “Milhões de trabalhadores e trabalhadoras estão acompanhando esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem na própria rotina o valor de um dia a mais de descanso”, afirmou, ressaltando o compromisso com o bem-estar dos brasileiros.
No cenário internacional, o mercado absorveu dados de inflação nos Estados Unidos que superaram as expectativas. O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) de setembro de 2026 registrou um aumento de 1,3% na comparação mensal e acumulou alta de 6,3% na base anual. Esses números se mostraram mais intensos do que as projeções dos analistas e aceleraram em relação aos dados de agosto (0,5% no mês e 5,6% no ano).
A elevação da inflação ao produtor intensifica a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, para manter ou até mesmo elevar as taxas de juros. Esse movimento global de juros mais altos tende a atrair capital para mercados considerados mais seguros, como os EUA, e pode desviar investimentos de economias emergentes como o Brasil, contribuindo para a desvalorização da moeda local. Apesar disso, as principais bolsas de Nova York registraram alta, com o Dow Jones subindo 1,08%, o S&P 500 avançando 0,33% e o Nasdaq ganhando 0,08%.
A Bolsa brasileira operou entre a mínima de 203.110,43 pontos e a máxima de 206.520,28 pontos ao longo do dia. No mercado de câmbio, a cotação da moeda norte-americana subiu pelo terceiro pregão consecutivo, atingindo seu patamar mais elevado desde 2 de outubro de 2026, véspera do primeiro turno das eleições, quando fechou a R$ 5,216. Essa valorização do dólar no Brasil ocorreu de forma contrária à tendência global, onde o índice DXY — que mede o dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes — operava em baixa de aproximadamente 0,50% no final da tarde, indicando que fatores domésticos foram preponderantes para o desempenho da divisa no país.
As taxas de juros futuros, negociadas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs), também acompanharam a aversão ao risco e registraram alta em toda a curva pelo terceiro dia seguido. O encerramento do pregão da B3 às 17h (horário de Brasília) deixou os investidores aguardando eventos importantes na noite de quinta-feira: a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha para o segundo turno presidencial e a sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na TV Globo.