O senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorreu à Presidência da República, declarou na noite deste domingo (25), em Brasília, que não aceita o resultado do segundo turno das eleições. O parlamentar afirmou que irá acionar a Justiça para solicitar a anulação do pleito, logo após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para seu quarto mandato com 51,76% dos votos válidos.
Decisão de ministro do STF é o foco da contestação jurídica
A principal justificativa para a contestação, segundo o senador, é a ordem emitida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão estendeu o horário de funcionamento das seções eleitorais, das 17h para as 19h (horário de Brasília), no próprio dia da votação.
Para o candidato do PL, essa medida comprometeu a isonomia entre os eleitores de diferentes estados e alterou as regras durante o processo eleitoral. O senador criticou a atuação do ministro, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e alegou que fiscais do Partido Liberal foram removidos da sala-cofre da Corte Eleitoral após a determinação judicial.
Alegações de irregularidade e a fala do candidato derrotado
Em seu pronunciamento na noite de 25 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro expressou forte desaprovação à ação judicial. Ele afirmou que um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, “deu uma canetada” a pedido de um ex-sócio, mudando as regras do jogo no meio do processo eleitoral, às 17h01.
O senador ressaltou que a medida, que estendeu a votação por duas horas, nunca havia ocorrido no Brasil, gerando uma “quebra total de isonomia”. Bolsonaro questionou a validade do resultado, argumentando que é impossível reconhecer as eleições sob tais condições e que utilizará todos os meios jurídicos para buscar a anulação.
Ele também mencionou a retirada dos fiscais do PL da sala-cofre do TSE, um detalhe que, segundo ele, a população desconhece. O candidato do PL prometeu não desistir de seu Brasil e exigiu esclarecimentos antes de qualquer reconhecimento oficial.
O contexto da extensão e reações ao pedido
A prorrogação do horário de votação, alvo da crítica de Flávio Bolsonaro, foi solicitada pela coligação de Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido baseou-se em um precedente do STF de 2022 que assegura transporte público gratuito no dia do pleito, alegando dificuldades de locomoção de eleitores em municípios como São Paulo, Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Curiosamente, a própria campanha de Flávio Bolsonaro já havia protocolado um pedido no TSE para estender a votação por duas horas em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, justificando a medida por fortes chuvas e alagamentos. Esse contexto revela a complexidade das demandas por ajustes eleitorais em situações atípicas.
A ordem de Zanin foi divulgada perto ou logo após o encerramento regulamentar das 17h, o que significou que muitas seções já haviam finalizado os trabalhos e emitido o boletim de urna. Isso impediu a reabertura dos equipamentos em grande parte do país. No estado de São Paulo, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) informou que 80% das urnas já estavam fechadas. Após diálogo com o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, Zanin ajustou a ordem para que a extensão até as 19h fosse válida apenas para as seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h.
Juristas avaliam chances de anulação e divergências no PL
Apesar de o Código Eleitoral prever a nulidade da votação realizada em dia, hora ou local distintos do designado, ou encerrada antes das 17h, especialistas em Direito Eleitoral e Constitucional consideram remotas as chances de anulação do segundo turno. O advogado eleitoral Alberto Rollo criticou a postura do magistrado do Supremo, classificando-a como a criação de um “monstro jurídico”.
Gustavo Guedes, também advogado eleitoralista, apontou falhas na condução do caso, mas sem impacto suficiente para invalidar o pleito. Segundo Guedes, não há fundamento para reverter o resultado das urnas ou realizar um terceiro turno. Essa avaliação técnica sublinha a estabilidade jurídica do processo eleitoral, mesmo diante de contestações.
Internamente, a iniciativa de judicializar o resultado encontrou resistência até mesmo dentro do Partido Liberal. O deputado federal e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) manifestou desacordo com a estratégia, afirmando que é uma tentativa de reverter algo “impossível de reverter” e que apenas “vai tumultuar”. As alegações de Flávio Bolsonaro sobre a retirada de fiscais e a atuação de um ex-sócio de Zanin ainda aguardam confirmação oficial independente.
