ETF Ibovespa Despenca Quase 20% e Dólar Futuro Atinge R$ 5,56 Após Reeleição de Lula

ETF Ibovespa Despenca Quase 20% e Dólar Futuro Atinge R$ 5,56 Após Reeleição de Lula

Crédito: Mixvale.com.br

Os mercados financeiros internacionais reagiram de forma acentuada à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras nos Estados Unidos registrando uma queda expressiva nas negociações noturnas deste domingo (25). O iShares MSCI Brazil (EWZ) chegou a desvalorizar 19,63%, sendo cotado a US$ 34,23 logo após a confirmação dos resultados eleitorais, sinalizando um ajuste significativo nas expectativas dos investidores globais.

Oscilações Fortes em Ativos Brasileiros no Exterior

A volatilidade não se limitou ao EWZ. O contrato futuro de real negociado na Bolsa de Chicago (CME), com vencimento em novembro de 2026, recuou 9,97% por volta das 22h30 (horário de Brasília), elevando o valor do dólar a um patamar equivalente a R$ 5,56. Este movimento reflete uma busca por ativos mais seguros e um reajuste de posições diante do cenário político confirmado no Brasil.

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Na Ásia, a repercussão também foi imediata. O fundo NEXT Funds Ibovespa Linked ETF, que replica o desempenho do principal índice da bolsa brasileira em Tóquio, abriu o pregão de segunda-feira (26) em forte baixa e ampliou suas perdas para 14,37%, atingindo a cotação de 280 ienes. Essa desvalorização contrasta com os 327 ienes registrados no fechamento da sexta-feira (23), evidenciando a abrangência da reação do mercado global.

ADRs de Gigantes Brasileiras Sentem o Impacto

As ações de grandes empresas brasileiras negociadas como ADRs (American Depositary Receipts) nas bolsas americanas acompanharam a tendência de queda do EWZ. Por volta das 21h15 de Brasília, os papéis ordinários da Petrobras (PBR) caíam 11,96%, negociados a US$ 23,15, enquanto os preferenciais (PBR-A) registravam uma baixa de 10,33%, a US$ 21,10. Instituições financeiras também foram impactadas, com os recibos do Itaú (ITUB) apresentando uma desvalorização de 13,65%. A mineradora Vale (VALE) teve uma queda mais contida, de 4,19%.

É importante notar que as negociações noturnas em mercados internacionais, como os dos Estados Unidos e Chicago, frequentemente operam com liquidez reduzida. Essa condição pode amplificar as oscilações de preço, tornando os movimentos percentuais mais dramáticos do que seriam em um pregão regular com maior volume de participantes. Os dados da CME, embora não sejam a cotação oficial do dólar comercial, servem como um termômetro crucial para os investidores ajustarem suas estratégias antes da abertura da B3, a bolsa de valores de São Paulo.

Análises e Expectativas para o Cenário Econômico

Analistas de mercado apontam que a forte desvalorização dos ativos brasileiros no exterior decorre do desmonte de apostas que previam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Parte significativa dos agentes financeiros associava esse resultado a uma potencial mudança na política fiscal e à implementação de uma agenda econômica mais liberal. O estrategista-chefe da Avenue, William Castro, ressaltou que, embora seja cedo para dimensionar o movimento, os sinais indicam uma queda expressiva, revertendo parte da valorização observada após o primeiro turno.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, confirmou que a vitória do presidente Lula não era o cenário base de sua equipe. A expectativa predominante no mercado era de um favoritismo de Flávio Bolsonaro e a possibilidade de um governo com uma agenda mais focada na liberalização econômica e contenção de gastos. As projeções da Suno Research para 2027, em um cenário de reeleição de Lula, indicam uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 1,3%, um percentual superior ao estimado para um governo Bolsonaro. Contudo, essa projeção é acompanhada de uma inflação mais persistente, menor margem para cortes na taxa Selic e pressão sobre os títulos públicos.

Perspectivas e Desafios para o Próximo Mandato

As declarações de membros da atual administração, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Dario Durigan, sugerem que a gestão federal poderá adotar medidas de controle de gastos mais moderadas no novo mandato. Essa abordagem pode diferir das expectativas de um mercado que antecipava uma postura mais rígida em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, impactando as projeções econômicas.

Para a abertura dos negócios no Brasil, o economista-chefe da Suno Research prevê um dia de intensa volatilidade, com ajustes nas carteiras de ações, câmbio e juros futuros. “A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado”, afirmou Sung, projetando que a taxa de câmbio deve se manter volátil e em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027.

O mercado já demonstrou capacidade de adaptação. Sung lembrou que a reação negativa após a vitória de Lula em 2022 foi seguida por uma melhora nas expectativas com a aprovação do novo arcabouço fiscal em 2023. “Precisamos acompanhar como o governo vai se organizar para 2027. Esse é o ponto para o qual mais chamamos atenção”, concluiu, indicando que a organização da equipe econômica e as sinalizações sobre a política fiscal serão cruciais para a estabilização do cenário.

Contraste com a Reação do Primeiro Turno

A queda registrada na noite de 25 de outubro de 2026 representa um forte contraste com a valorização observada logo após o primeiro turno das eleições presidenciais. Em 4 de outubro de 2026, o resultado que colocou Flávio Bolsonaro na liderança, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, impulsionou o Ibovespa a superar, pela primeira vez na história, a marca dos 200 mil pontos no pregão seguinte. Essa reação positiva do mercado na ocasião já havia sido antecipada por análises, como a do banco JPMorgan, que em 29 de setembro de 2026, alertou que um cenário de deterioração fiscal gradual poderia levar a uma baixa de 21% nas ações nacionais e desvalorização de 6% no real.

A reeleição de Lula foi matematicamente confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10, com 98,27% das seções apuradas, momento em que o presidente somava 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do adversário, consolidando uma diferença de 4,25 milhões de votos.