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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), postulante à Presidência da República, será o próximo a ser sabatinado ao vivo pela TV Globo nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026. A entrevista, agendada para as 21h15 (horário de Brasília), acontece em um momento crucial da corrida eleitoral, com pesquisas indicando um cenário de empate técnico para o segundo turno das Eleições 2026.
A aparição do parlamentar nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, ocorre em um contexto de extrema proximidade entre os candidatos. Levantamentos do Datafolha apontam 47% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro contra 45% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a pesquisa Quaest registra 46% a 44%, ambos os cenários com o candidato do PL numericamente à frente, mas dentro da margem de erro, o que configura um empate técnico.
A ordem das sabatinas com os candidatos à presidência foi determinada por sorteio, em um encontro que reuniu representantes de ambas as campanhas. A condução das perguntas na emissora carioca ficará a cargo da jornalista Renata Lo Prete. A transmissão será simultânea na TV Globo e no canal por assinatura GloboNews, com o conteúdo completo disponível no Globoplay após o encerramento da exibição.
Para o embate televisivo, a equipe de Flávio Bolsonaro traçou diretrizes claras, orientando o candidato do Partido Liberal a adotar uma postura propositiva. Uma das principais recomendações é demonstrar independência em relação ao nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, buscando solidificar uma identidade própria junto ao eleitorado. Essa tática é fundamental para atrair votos de eleitores que buscam uma alternativa, mas que podem ser refratários a uma associação direta, especialmente em um pleito tão polarizado.
Adicionalmente, os assessores enfatizaram a importância de reforçar o compromisso com a manutenção de programas sociais essenciais, como o Bolsa Família. No primeiro turno, o senador já havia participado de uma sabatina de 40 minutos na mesma emissora, na ocasião conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Antes de sua entrada no estúdio para a entrevista, Flávio Bolsonaro cumpriu uma agenda sem compromissos externos no Rio de Janeiro. O candidato participou de um almoço institucional na sede da emissora, onde foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, acompanhou o candidato no encontro.
A reunião prévia, contudo, provocou forte reação da campanha de Lula. Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo, manifestou publicamente sua insatisfação, classificando a recepção ao adversário horas antes da sabatina como “muito grave”. O ministro criticou a empresa por receber um candidato no dia de sua entrevista, especialmente em um momento eleitoral onde, segundo ele, a democracia estaria em jogo. Essa manifestação sublinha a sensibilidade em torno da percepção de imparcialidade da mídia durante períodos eleitorais.
Em resposta às críticas, o Grupo Globo emitiu um comunicado oficial para esclarecer o ocorrido. A emissora informou que o encontro com Flávio Bolsonaro seguiu o protocolo de cortesia da empresa. No comunicado, a Globo reiterou que visitas institucionais de candidatos a cargos eletivos são parte da rotina de executivos de empresas de mídia e são tratadas como encontros de praxe. A nota também destacou que a reunião não contou com a presença de lideranças do Jornalismo, visando preservar a independência editorial.
Na sabatina anterior, também mediada por Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos. O petista também abordou questões como o caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionou a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 e programas específicos para microempreendedores individuais (MEIs). A diversidade de temas abordados por cada candidato em suas respectivas sabatinas reflete as diferentes prioridades de campanha e os públicos que buscam alcançar. O calendário oficial das campanhas eleitorais prevê mais debates e confrontos diretos até o dia da votação.