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Um evento de troca e distribuição gratuita de mochilas térmicas para entregadores, promovido pelo iFood, escalou para uma situação de desordem e furto na última quarta-feira (14), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Dezenas de profissionais que aguardavam na fila invadiram um caminhão da empresa após a organização comunicar que o estoque de equipamentos era insuficiente para atender a todos os presentes.
A estimativa é que cerca de 100 bolsas e 200 camisas tenham sido subtraídas durante a confusão, que ocorreu na região do Parque das Rosas. O incidente mobilizou a Polícia Militar, embora não tenha resultado em feridos ou prisões no local.
A iniciativa do iFood visava substituir gratuitamente as “bags” térmicas dos entregadores, um equipamento essencial para o trabalho. A tenda montada na Barra da Tijuca já realizava as entregas quando o responsável pelo evento informou aos cerca de 300 trabalhadores presentes que, após a distribuição de 86 mochilas, restavam apenas 114 unidades de um lote total de 200. Essa quantidade era claramente inadequada para o número de profissionais ainda na fila.
A notícia da limitação do material gerou revolta imediata. Em questão de instantes, um grupo de entregadores avançou sobre o baú do veículo. Dois seguranças contratados para a ação tentaram conter os ânimos, mas foram superados pela quantidade de pessoas. Diante da incontrolável situação, a organização acionou os policiais militares do 31º Batalhão de Polícia Militar (BPM), do Recreio dos Bandeirantes, para restabelecer a ordem.
Em comunicado oficial, a plataforma de entregas repudiou veementemente os atos de violência. A empresa salientou que realiza regularmente eventos presenciais para a substituição gratuita de equipamentos de trabalho, reforçando que o episódio isolado não reflete a conduta da maioria dos entregadores que utilizam o aplicativo como fonte de sustento.
Entretanto, nas redes sociais, muitos trabalhadores criticaram abertamente o planejamento da ação. Alguns entregadores relataram que o aplicativo teria enviado convites para mais de mil cadastros, enquanto a disponibilidade de mochilas era de apenas 300 unidades. “O que aconteceu foi que o iFood mandou o convite pra mais de mil pessoas e chegando lá tinham apenas 300 bags pra distribuição. Não justificando esse vandalismo, mas foi falta de preparo total do iFood. Tinha gente há 2 horas na fila e não conseguiram pegar a bag”, afirmou um profissional que estava no local. Outro comentou: “Erro grotesco do iFood, mas não justifica tal comportamento. Por isso a sociedade nos olha com desconfiança”.
O caso foi formalmente registrado na 16ª Delegacia de Polícia (DP), localizada na Barra da Tijuca, onde o responsável pela organização do evento prestou depoimento. As autoridades da Polícia Civil iniciaram a análise de imagens de câmeras de segurança da área, buscando identificar os participantes do saque. Até o momento, não há confirmação sobre a identificação formal de suspeitos pela polícia ou qualquer bloqueio de contas de entregadores por parte do iFood.
Este incidente na Zona Oeste carioca adiciona-se a um contexto de crescentes discussões e desafios enfrentados pelos entregadores de aplicativos. O tumulto ocorreu apenas quatro dias após o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (a fonte original errou o sobrenome Cavaliere), sancionar a Lei Municipal nº 9.577/2026. Esta legislação estabelece o Programa de Alimentação para Entregadores de Aplicativo nos Restaurantes Populares Municipais, visando facilitar o acesso da categoria a refeições acessíveis na cidade. A medida sublinha a importância social e econômica desses profissionais para a capital fluminense, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de políticas públicas que melhorem suas condições de trabalho.
A situação também ecoa debates mais amplos sobre a segurança e os direitos trabalhistas desses profissionais. Recentemente, a Justiça concedeu auxílio-doença a entregadores do iFood, e o INSS projeta um gasto de R$ 189 milhões com acidentes envolvendo trabalhadores da plataforma. Além disso, a empresa já esteve em evidência por remover entregadores após acusações de envolvimento em um caso de espancamento fatal em Copacabana. Tais fatos ilustram a complexidade das relações entre as plataformas digitais, seus prestadores de serviço e a sociedade, e como eventos pontuais podem ser um reflexo de tensões e necessidades mais profundas na categoria.