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Egito: morador encontra estátuas colossais de 3 mil anos de Ramsés II no quintal de casa

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O cotidiano de um morador na aldeia egípcia de Behebat al-Hijara, localizada na província de Gharbia, foi subitamente transformado em um palco para a história antiga. Enquanto realizava trabalhos em seu quintal, o homem se deparou com artefatos que revelaram ser parte de monumentos datados de aproximadamente três milênios, desencadeando uma escavação arqueológica de grande porte no local.

O que começou com a descoberta de duas pedras maciças rapidamente escalou para uma intervenção do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. O pequeno jardim da residência se tornou o epicentro de uma investigação minuciosa, revelando tesouros que estavam enterrados há milênios e prometem adicionar novas camadas ao vasto conhecimento sobre o Antigo Egito.

Restos de estátuas pertencem ao Rei Ramsés II, segundo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito — Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito Crédito: Extra.globo.com

A revelação inicial no quintal de Behebat al-Hijara

A primeira evidência da riqueza histórica do local surgiu com um bloco coberto por inscrições hieroglíficas. Este achado inicial, feito pelo próprio morador, era um fragmento de granito rosa com 1,30 metro de comprimento, que já continha vestígios de dois títulos do Rei Ramsés II: “Nesu Beti” (Rei do Alto e Baixo Egito) e “Sa Ra” (Filho de Rá). A partir daí, a área foi isolada para uma exploração mais aprofundada pelas autoridades.

A escavação profissional subsequente trouxe à luz restos de duas estátuas monumentais, que os arqueólogos estimam ter alcançado quase 9 metros de altura em sua forma original. A magnitude desses achados sinaliza a presença de estruturas significativas no subsolo da propriedade, que antes era apenas um terreno comum.

Detalhes do faraó Ramsés II na primeira estátua

Uma das estátuas encontradas foi identificada de forma conclusiva como uma representação do Rei Ramsés II, um dos faraós mais poderosos e longevos que governou o Egito entre 1279 a.C. e 1213 a.C. A cabeça, descrita como “colossal”, mede aproximadamente 1,60 metro de altura e retrata o monarca utilizando a coroa dupla, um símbolo crucial da unificação do Alto e do Baixo Egito, demonstrando sua autoridade sobre todo o território.

Além da cabeça, os especialistas também recuperaram a parte superior da coluna posterior da estátua. Esta seção continha uma inscrição com o título de Hórus do rei, “Hor-ka-nakht-mery-maat”, que reforça a identidade do faraó e a importância da peça. Hisham El-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, destacou que o tamanho da cabeça sugere que a estátua completa, incluindo sua base, teria cerca de 8,5 metros, o que sublinha o grandioso valor artístico e histórico da obra.

Outras descobertas e o significado dos fragmentos

A segunda estátua, ainda em processo de identificação definitiva, é ainda maior, com aproximadamente 2,4 metros de altura, embora lhe faltem a base e as pernas. Os arqueólogos, no momento, acreditam que esta peça também retrata o mesmo rei, Ramsés II, dada a proximidade e o estilo da primeira descoberta. A presença de duas representações tão imponentes do mesmo faraó em um só local é um indicativo da relevância da área na Antiguidade.

Essas descobertas representam um acréscimo valioso ao patrimônio arqueológico do Egito. Sherif Fathy, Ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, afirmou que os achados “contribuem para lançar mais luz sobre a história da área de Behbeit El-Hagar e sua importância arqueológica e cultural”, o que é crucial para o entendimento da civilização egípcia e para o turismo do país.

A importância de Behbeit El-Hagar para a arqueologia egípcia

Behbeit El-Hagar já é reconhecida como um dos sítios arqueológicos mais significativos do Delta do Nilo. A região é notória pelos vestígios de um vasto templo dedicado ao culto da deusa Ísis, uma das divindades mais importantes do panteão egípcio. A presença de inúmeros blocos de granito e elementos arquitetônicos no local sempre indicou a profunda importância religiosa e construtiva que a área possuía no Antigo Egito.

A recente revelação das estátuas de Ramsés II apenas solidifica o status de Behbeit El-Hagar como um ponto-chave para estudos e descobertas. Cada fragmento encontrado ajuda a reconstruir a narrativa de uma civilização milenar, oferecendo insights sobre a vida, a religião e a arte de um dos impérios mais fascinantes da história mundial. A transformação de um quintal em um sítio arqueológico é um lembrete vívido de que a história muitas vezes reside logo abaixo da superfície, esperando para ser revelada.