
Comeria? De sorvete de formigas à cidra de barata: conheça sobremesas feitas com insetos — Foto: Amazon/TAKEO Crédito: Extra.globo.com
Um premiado chef na Coreia do Sul enfrentou a possibilidade de prisão após usar formigas como elemento decorativo em uma sobremesa, conforme noticiado pela agência Yonhap. As autoridades de saúde sul-coreanas identificaram que as formigas continham níveis de metais pesados até 55 vezes superiores aos permitidos para consumo, além de não estarem na lista das dez espécies de insetos cujo consumo é legalizado no país.
O incidente reacende o debate sobre a entomofagia, a prática milenar de comer insetos, e sua crescente, mas regulada, aceitação na culinária global. Apesar das restrições sul-coreanas, a gastronomia com insetos é uma realidade em diversas culturas, da tradição ancestral à inovação moderna em busca de sustentabilidade.
A ingestão de insetos, conhecida como entomofagia, não é uma novidade na história da humanidade. Registros arqueológicos indicam que a prática remonta a um período entre 30.000 e 9.000 a.C., conforme um estudo da Universidade de Foggia, na Itália. Evidências em pinturas rupestres de Altamira, na Espanha, já mostravam a coleta de favos de mel e ninhos de abelhas.
Contudo, a aceitação cultural e as normativas legais variam drasticamente ao redor do globo. O recente caso do chef sul-coreano ilustra os desafios de incorporar insetos na gastronomia contemporânea, especialmente quando se trata de espécies não regulamentadas, ressaltando a importância de legislações específicas para o consumo seguro e aprovado desses alimentos.
No México, por exemplo, os chinicuiles representam uma iguaria tradicional. Essas larvas avermelhadas, que se desenvolvem nas raízes do agave, são frequentemente tostadas e servidas puras ou como um complemento crocante em sobremesas, oferecendo um sabor amanteigado que remete a amendoim ou castanha, como no restaurante La Cocina de San Juan.
Outra criação peculiar da culinária mexicana são as paletas de alacrán. Estes pirulitos de caramelo duro encapsulam um escorpião inteiro, revelando o animal e adicionando uma textura inusitada à medida que o doce é consumido, geralmente em sabores frutados como morango ou maçã.
Na Amazônia colombiana, a sorveteria Nàì Chì, em Letícia, explora ingredientes locais de povos originários. Um de seus maiores sucessos é um sorvete de formiga, que surpreendentemente oferece notas de capim-santo, um sabor atribuído à própria formiga, sem a utilização da erva na receita, e que se mantém popular há quatro anos.
A busca por fontes de alimento mais sustentáveis impulsiona a inovação em diversas partes do mundo. No País de Gales, a Bug Farm Foods, fundada em 2017 pela ecologista Sarah Beynon e pelo chef Andy Holcroft, dedica-se à criação de produtos alimentícios à base de insetos. A empresa defende o desenvolvimento de uma “nova geração de alimentos” para enfrentar desafios de sustentabilidade na cadeia alimentar.
Entre os itens comercializados, destacam-se os cookies de chocolate que incorporam pó de grilo. Cada biscoito premium, segundo a marca, contém o equivalente a cerca de 20 grilos triturados, embalados de forma ecologicamente consciente em material biodegradável e reciclável.
No Japão, o TAKEO se posiciona como um centro multifuncional que une culinária, cafeteria e aprendizado sobre insetos. O local oferece sorvetes monaka, uma sobremesa japonesa com casca de wafer, nos sabores de grilo e gafanhoto, custando aproximadamente R$ 17.
Além das sobremesas, o TAKEO surpreende com a Tagame Cider, uma cidra produzida em Tóquio que leva extrato de barata-d’água gigante. Apesar do nome, a bebida é elogiada por seu aroma e sabor naturalmente frutados, lembrando maçã-verde ou pera, demonstrando a versatilidade dos insetos na criação de novos produtos e na exploração de novos paladares.