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Apple projeta liderança global em 2026 apesar de desafios na produção do iPhone 18 Pro e Duo

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A Apple está posicionada para ser a única grande fabricante global de smartphones a registrar crescimento nas entregas em 2026, em um cenário de retração generalizada do mercado. Uma análise da empresa de investimentos GF Securities, divulgada na semana de 16 de outubro de 2026, aponta que a gigante de Cupertino deve alcançar 257 milhões de unidades expedidas ao longo do ano, representando um aumento anual de 4% e uma fatia de 24% do mercado mundial.

Contrariando a perspectiva de expansão em relação às suas rivais, a companhia enfrenta obstáculos significativos nas linhas de montagem de seus lançamentos mais recentes, o iPhone 18 Pro e o inovador iPhone Duo, seu primeiro modelo dobrável. Os analistas Jeff Pu e Henry Huang, da GF Securities, indicaram em seu relatório que “devido a restrições na dobradiça, estamos reduzindo o plano de montagem de serviços de manufatura eletrônica do iPhone Duo de 7 milhões para 6 milhões de unidades em 2026”. Além disso, “reduzimos o plano de montagem do iPhone 18 Pro e Pro Max para 72 milhões de unidades, dadas as restrições associadas à câmera de abertura ajustável”, conforme tradução livre do documento.

Crédito: Mixvale.com.br

A equipe de pesquisa da GF Securities atribui a revisão para baixo das projeções para os modelos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max a uma combinação de fatores. Entre eles estão as dificuldades técnicas relacionadas ao componente da câmera com abertura variável, o feedback negativo dos consumidores sobre o peso dos aparelhos e a competição interna acirrada gerada pela chegada do iPhone Duo. Os telefones da linha Pro foram introduzidos em setembro de 2026, sob a liderança do CEO da Apple, John Ternus, com valores iniciais de US$ 1.199 e US$ 1.299 nos Estados Unidos, representando um acréscimo de US$ 100 em comparação com a geração anterior.

A performance comercial desses dispositivos tem gerado diferentes interpretações entre as casas de análise do setor financeiro. Enquanto o estudo da GF Securities descreve a recepção inicial do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max como “morna”, outros especialistas, como Amit Daryanani da consultoria Evercore ISI, sustentam em suas avaliações que a demanda pelos modelos da linha Pro se mantém “estável e sólida”. Essa divergência ressalta a complexidade de se avaliar o desempenho de produtos de alto valor em um mercado volátil.

Em sua análise, a GF Securities reiterou a recomendação de “manter” (Hold) para as ações da Apple, identificadas pelo código AAPL na bolsa de valores. O banco de investimentos estabeleceu um preço-alvo de US$ 369 para os papéis da empresa, em um contexto onde o fechamento da sexta-feira (16) registrou US$ 343,46, uma valorização diária de 0,43% que se destacou em meio a uma desvalorização generalizada das ações de empresas de tecnologia.

A pré-venda global do iPhone Duo, o primeiro smartphone dobrável da história da Apple, teve início na sexta-feira (16) às 5h no horário do Pacífico (9h pelo horário de Brasília), abrangendo mais de 70 nações. Em aproximadamente 30 minutos após a abertura dos pedidos no site e no aplicativo da Apple Store, todas as configurações de armazenamento e cores disponíveis para entrega no dia do lançamento se esgotaram nos Estados Unidos. Isso resultou em uma projeção de envio para novas compras para o período entre 25 e 29 de janeiro de 2027 no mercado norte-americano, e para o início de fevereiro de 2027 em mercados como o Brasil.

Diante do rápido esgotamento do lote inicial, a fabricante confirmou a alta procura pelo novo aparelho, mas optou por não divulgar números oficiais sobre a quantidade de unidades disponíveis no estoque de estreia nem o total de pedidos registrados no primeiro dia. Em comunicado oficial, a Apple declarou: “Estamos trabalhando duro para colocar este novo produto revolucionário nas mãos dos clientes o mais rápido possível, e continuaremos aceitando pedidos online”.

Detalhes sobre o custo de reparo do iPhone Duo no mercado brasileiro

O dispositivo dobrável da Apple apresenta especificações técnicas e faixas de preço que o posicionam no segmento premium do catálogo da marca, refletindo seu design inovador e tecnologia avançada. Para o mercado brasileiro, o custo de reparo da tela interna do iPhone Duo foi estimado em R$ 10.989, um valor que sublinha a complexidade e o alto custo dos componentes de ponta utilizados no aparelho. Essa informação é crucial para consumidores que consideram a aquisição de um smartphone dobrável, dada a sensibilidade dessas telas.

O crescimento esperado para a Apple ocorre em um período de intensa contração para a indústria de dispositivos móveis como um todo. O setor tem sido fortemente impactado pela escassez de chips de memória DRAM e NAND, cuja produção foi em grande parte redirecionada para atender à demanda crescente de data centers focados em inteligência artificial. Segundo a GF Securities, os anos de 2026 e 2027 representam “um dos períodos mais desafiadores para a indústria, impulsionado principalmente pelos preços acentuadamente mais altos de memória, que já levaram as fabricantes a reduzir remessas e aumentar os preços dos dispositivos”, o que, na prática, significa menos opções e produtos mais caros para o consumidor final.

Com a projeção de enviar 257 milhões de smartphones ao longo do ano, a Apple deve consolidar a liderança anual de remessas que já havia conquistado em 2024 e 2025. A empresa norte-americana superará a sul-coreana Samsung, que tem uma estimativa de 241 milhões de unidades em 2026, um volume que se mantém praticamente estável em comparação com o ano anterior. A participação de mercado anual da Apple, por sua vez, deve expandir dos 19% registrados em 2024 e 20% em 2025 para um expressivo 24% ao término de 2026, reforçando sua posição dominante.

Os impactos do aumento nos custos dos componentes já se manifestaram nos balanços do terceiro trimestre de 2026. Nesse período, o preço médio de varejo dos celulares experimentou um aumento de 20% globalmente, enquanto as remessas mundiais recuaram 20%, conforme dados da Counterpoint Research — marcando o menor patamar para o trimestre desde 2012. Dados preliminares da IDC indicaram uma queda de 22%, com 255,3 milhões de unidades enviadas. No mesmo trimestre, a Samsung liderou com 23% de participação, seguida de perto pela Apple com 22%, a primeira vez que a marca de Cupertino ultrapassou 20% em um terceiro trimestre. Fabricantes chinesas, mais dependentes de aparelhos de entrada, como Xiaomi (recuo de 30%), OPPO e vivo (retrações superiores a 20%), sofreram quedas acentuadas.

Shilpi Jain, analista sênior da Counterpoint Research, comentou sobre a situação: “O terceiro trimestre foi o segundo trimestre consecutivo a sofrer o impacto total da crise de memória. A extrema escassez de memória está empurrando o mercado de smartphones para uma fase mais seletiva, remodelando as estratégias das fabricantes e até mesmo o comportamento do consumidor”. Essa mudança de cenário exige que as empresas se adaptem rapidamente para manter a competitividade e atender às novas demandas do público.