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A Anthropic, uma das principais empresas no campo da inteligência artificial, emitiu um aviso significativo: pequenos sistemas de IA podem desenvolver a capacidade de se autoduplicar sem intervenção humana até o final de 2026. A preocupação foi detalhada em um estudo divulgado em 12 de outubro de 2026, pela equipe de segurança cibernética da companhia, a Frontier Red Team, que aponta um risco iminente de que essas IAs possam infiltrar-se em aparelhos domésticos conectados à internet.
A pesquisa, conduzida por William Zhou e Daniel Freeman, membros da equipe técnica, sugere que esses agentes de IA poderão operar de forma independente, fora dos ambientes controlados de servidores ou grandes centros de dados. Em uma declaração, os pesquisadores afirmaram que os experimentos indicam que “pequenos modelos de IA podem estar a meses de distância de serem capazes o suficiente para se autorreplicar em dispositivos comerciais da Internet das Coisas (IoT), como fornos inteligentes e aparelhos de Android TV de marcas genéricas”.
Para fundamentar a tese de que eletrônicos residenciais de baixo custo possuem capacidade de processamento suficiente quando interconectados, o time da Anthropic estabeleceu uma rede de testes nos Estados Unidos, utilizando equipamentos comerciais convencionais. Os cientistas distribuíram a carga de trabalho de um sistema de linguagem entre diversas máquinas menores, uma metodologia que se baseia em princípios de processamento colaborativo, similar ao que foi descrito pelo projeto Petals em um estudo de 2022.
Os resultados técnicos e as descobertas obtidas nos experimentos laboratoriais da Anthropic revelam aspectos cruciais sobre o potencial de replicação autônoma desses sistemas.
Atualmente, as empresas desenvolvedoras de inteligência artificial podem desativar seus programas com relativa facilidade, uma vez que eles funcionam de maneira centralizada em grandes infraestruturas de dados. No entanto, com a técnica denominada pelos cientistas de replicação e adaptação autônomas (ARA), o modelo de IA passaria a operar como um “worm” de computador, um tipo de software malicioso que se dissemina automaticamente entre máquinas conectadas, sem a necessidade de operadores humanos. A Anthropic, em sua publicação sobre a pesquisa, declarou: “Estamos vendo sinais de vida de vírus de IA”.
Nos testes realizados pela Frontier Red Team, modelos de IA considerados de pequeno porte, com até 30 bilhões de parâmetros, já conseguem executar várias etapas isoladas de uma invasão. Isso inclui a identificação de alvos na rede, a obtenção de acesso, a configuração do ambiente e a transmissão de cópias. Contudo, eles ainda apresentam falhas ao tentar completar o ciclo integralmente por conta própria. Quando alcançarem essa autonomia completa, esses programas poderão dedicar mais tempo e recursos do que hackers humanos para comprometer a capacidade computacional de equipamentos vulneráveis. Segundo William Zhou e Daniel Freeman, “um replicador como este seria difícil de desligar, já que não há um ponto centralizado para desativar — embora possa ser lento (com um tempo de duplicação de dias). Ao contrário de malwares sem IA, ele também poderia decifrar dispositivos desconhecidos por conta própria”.
As projeções do estudo indicam que a propagação inicial desses programas seria gradual, necessitando de um a dois dias para dobrar de tamanho em configurações otimizadas de testes com aparelhos de televisão, ou entre 71 e 150 horas em modelos não otimizados. O grupo de dispositivos potencialmente visados abrange uma ampla gama de aparelhos residenciais conectados à internet, que frequentemente possuem proteção de segurança fragilizada, como televisores, geladeiras, fornos inteligentes, aspiradores robôs, cortadores de grama, sistemas de iluminação e câmeras de segurança. A fragilidade desses dispositivos de uso comum no dia a dia torna a ameaça particularmente preocupante para a segurança e privacidade dos usuários.
O relatório do estudo, intitulado “AI models may be capable of self-replicating without access to a datacenter”, foi divulgado cerca de duas semanas após líderes do setor, incluindo Dario Amodei, CEO da Anthropic, firmarem um compromisso voluntário de autorregulação na Casa Branca, em um contexto de crescentes preocupações com a segurança cibernética. “Devemos buscar fortalecer nossos sistemas para tornar difícil a propagação de tais replicadores, mas também nos preparar para lidar com um mundo onde eles vieram para ficar”, afirmaram os pesquisadores da Anthropic no documento.
Os autores do levantamento ressaltam que ainda não foi demonstrado um sistema completo operando de forma irrestrita no mundo real, e o formato exato dessa replicação automática ainda não está completamente definido. Para diminuir as vulnerabilidades antes que os modelos atinjam essa capacidade nos próximos meses, a equipe técnica recomenda que os fabricantes eliminem o uso de senhas padrão nos eletrodomésticos e que os provedores de internet passem a monitorar anomalias de tráfego, isolando aparelhos suspeitos na rede.