
Crédito: Mixvale.com.br
A próxima geração de conectividade sem fio, o Wi-Fi 8, começou a ser avaliada tecnicamente no Brasil através de uma parceria entre a Qualcomm Serviços de Comunicações e a operadora TIM. Os primeiros testes ocorreram na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, focando na especificação IEEE 802.11bn, que promete conexões mais estáveis e a integração de inteligência artificial para ambientes com grande número de dispositivos conectados.
A divulgação oficial desses ensaios aconteceu na quarta-feira, 30 de setembro de 2026. O objetivo principal do projeto conjunto é examinar o desempenho dos equipamentos em cenários que simulam o uso cotidiano em residências, antes que os serviços sejam definidos e lançados comercialmente.
“Esta demonstração representa um marco fundamental no processo de aprendizado e validação de uma tecnologia que ainda está em pleno desenvolvimento. Nosso foco está em compreender, desde já, como as funcionalidades de confiabilidade, o gerenciamento inteligente de interferências e a IA podem se converter em redes domésticas significativamente mais consistentes e eficazes”, explicou Daniel Bellas, diretor de Marketing Residencial da TIM.
Os procedimentos de laboratório foram conduzidos no TIM Lab, utilizando uma Unidade de Gateway Residencial (HGU), que une as funções de modem e roteador em um só aparelho. Esta unidade foi equipada com módulos da linha Qualcomm Dragonwing, nas variantes Dragonwing F8 ou Dragonwing FiberPro A8 Elite, combinando a transmissão sem fio de ponta com a conectividade óptica XGS-PON, que oferece uma capacidade teórica simétrica de até 10 Gbps para upload e download de dados.
A arquitetura de hardware foi concebida para processar algoritmos de inteligência artificial diretamente no roteador, orquestrando a comunicação entre os diversos nós de uma rede mesh distribuída pela residência. Esse processamento interno visa diminuir oscilações de sinal, eliminar áreas de sombra em cômodos mais afastados e balancear de forma dinâmica o consumo energético dos circuitos, um aspecto crucial diante do crescente volume de sensores, lâmpadas, câmeras de segurança e eletrodomésticos inteligentes conectados à mesma rede local.
Durante as medições técnicas realizadas no Rio de Janeiro, os engenheiros testaram o sistema com o mecanismo Dynamic Subband Operation (DSO). Esse recurso é projetado para alocar os recursos de radiofrequência de modo flexível, conforme a necessidade de cada dispositivo conectado. A Qualcomm também implementou o algoritmo proprietário DSO Pro, que adiciona camadas de software para otimizar o uso do espectro em tempo real.
Outro componente avaliado foi a plataforma Security and Management, desenvolvida para monitorar continuamente os dispositivos conectados, controlar acessos não autorizados e identificar precocemente vulnerabilidades na rede doméstica, reforçando a segurança dos usuários.
“O Wi-Fi 8 marca uma transformação significativa na evolução das redes sem fio. Mais do que meramente aumentar as velocidades, ele foi projetado para oferecer uma conectividade mais confiável, eficiente e inteligente em todos os aspectos”, afirmou Diego Aguiar, head de Vendas da Qualcomm no Brasil.
A criação da especificação IEEE 802.11bn sinaliza uma mudança de direção nos objetivos da indústria de conectividade. Em fases anteriores de transição tecnológica, como a introdução do Wi-Fi 6 e, posteriormente, do Wi-Fi 7, o foco principal de fabricantes e operadoras estava em expandir a largura de banda bruta, utilizando canais mais amplos de 160 MHz e 320 MHz para alcançar picos de transferência em testes de laboratório.
No Wi-Fi 8, os desenvolvedores redirecionaram o projeto para a chamada Ultra High Reliability, um conceito que prioriza a consistência da transmissão contínua em detrimento da velocidade teórica máxima que muitas vezes não vem acompanhada de estabilidade. A meta é erradicar atrasos e perdas de pacotes causados pelo congestionamento de canais quando dezenas de aparelhos competem simultaneamente pelo sinal do roteador, além de garantir que o novo padrão mantenha total compatibilidade com telefones, computadores e televisores mais antigos, sem exigir a substituição dos eletrônicos já em uso.
A demonstração conduzida pelas duas empresas teve caráter estritamente experimental e de pesquisa de ecossistema. Até o momento, a TIM não divulgou prazos ou planos comerciais de banda larga que utilizem os novos equipamentos para seus clientes residenciais.
Também não há uma definição pública sobre o cronograma para a homologação dos primeiros roteadores e gateways com suporte ao Wi-Fi 8 junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador brasileiro.
A aprovação final do padrão IEEE 802.11bn pelo consórcio técnico global está prevista para 1º de janeiro de 2028. A partir dessa data, espera-se que as primeiras linhas comerciais de dispositivos compatíveis com a nova tecnologia cheguem ao mercado internacional de forma mais abrangente.