
Barco com imigrantes ilegais nas águas de Lanzarote (Espanha) — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
A brutalidade dos traficantes de pessoas na rota migratória para as Ilhas Canárias, na Espanha, veio à tona com a revelação de um incidente chocante: um bebê de apenas dois anos foi lançado ao oceano e morreu diante de sua mãe, aparentemente por não parar de chorar. Este episódio de extrema crueldade foi divulgado em meio à investigação de outro crime hediondo, um estupro coletivo ocorrido a bordo de uma embarcação de migrantes que buscava alcançar a costa espanhola.
As cenas de violência foram trazidas a público por José Antonio Espinosa, chefe do Consórcio de Serviços de Emergência de Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago. Em entrevista a uma rádio local, Espinosa descreveu as condições desumanas enfrentadas pelos migrantes. Questionado se o estupro coletivo era o evento mais terrível que já havia presenciado, ele afirmou que a realidade a bordo dessas embarcações pode ser ainda mais cruel, citando o caso do menino jogado ao mar por chorar.
Espinosa detalhou que os barcos operados por máfias do tráfico humano segregam os viajantes. “Há passageiros de primeira e de segunda classe. Os da segunda classe ficam na parte de baixo e os da primeira classe sentam-se sobre eles”, explicou o oficial. Ele concluiu que o nível de desumanidade é alarmante e que é fundamental combater essas organizações criminosas.
A polícia espanhola agiu rapidamente após o relato de uma jovem migrante que denunciou ter sido vítima de estupro coletivo ao chegar a Lanzarote. Três homens, com idades de 21, 25 e 30 anos, foram detidos como suspeitos de envolvimento na agressão sexual múltipla. Os crimes teriam ocorrido em 16 de setembro, durante a travessia em um bote inflável.
A embarcação em questão foi o centro de uma operação de resgate dramática. Naquele dia, 65 pessoas foram socorridas e três corpos foram retirados da água. Os sobreviventes, migrantes subsaarianos que partiram de Tan-Tan, no Marrocos, informaram às autoridades em Arrecife, capital de Lanzarote, que outras dez pessoas caíram no mar durante a viagem de cinco dias, e que as reservas de água haviam acabado na fase final da travessia. O número real de desaparecidos pode ser ainda maior.
As Ilhas Canárias, um arquipélago vulcânico espanhol no Oceano Atlântico, representam uma das rotas migratórias mais perigosas da África para a Europa. Localizadas a cerca de 100 quilômetros da costa noroeste africana, próximas ao Marrocos, as ilhas se tornaram um ponto de chegada para milhares de pessoas que buscam refúgio e uma vida melhor, fugindo de conflitos, pobreza e perseguição.
A travessia é frequentemente realizada em condições precárias, a bordo de botes superlotados e inseguros, controlados por redes de tráfico humano que exploram a vulnerabilidade dos migrantes. Na semana anterior aos incidentes, mais de 450 migrantes ilegais foram resgatados nas proximidades de Lanzarote, incluindo 262 pessoas em quatro embarcações interceptadas pela Guarda Costeira espanhola entre a tarde de quarta-feira (23/9) e a madrugada de quinta (24/9), evidenciando a intensidade e o perigo constante dessa rota.