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Suécia adota estratégia incomum e incentiva grosseria para barrar golpes que geram bilhões em prejuízos

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Diante de um aumento alarmante nos golpes financeiros, especialmente contra a população idosa, a Suécia lançou uma campanha nacional audaciosa, em parceria com a Polícia Sueca (Polisen), que instrui os cidadãos a serem intencionalmente “mal-educados” com estranhos ao telefone e na porta de casa. O objetivo é criar uma barreira imediata contra criminosos que exploram a cortesia para aplicar fraudes.

Prejuízos Bilionários e a Vulnerabilidade dos Idosos

A iniciativa emergencial tem como pano de fundo um cenário financeiro preocupante. A Polisen revelou que os golpes já causaram perdas que somam 5,7 bilhões de coroas suecas, um valor equivalente a mais de 2 bilhões de reais. Assim como em muitas outras nações, os indivíduos da terceira idade são os alvos preferenciais desses criminosos, que se aproveitam da educação e confiança para enganar suas vítimas.

Campanha sueca encabeçada pela políciaincentiva que pessoas sejam rudes ao falar no telefone para driblar golpistas — Foto: Divulgação/Polisen Sweden Crédito: Extra.globo.com

A Campanha Encoraja a Autoproteção

Para disseminar a mensagem, a campanha sueca recrutou quatro figuras públicas conhecidas, incluindo a atriz Suzanne Reuter, de 74 anos. Ela aborda diretamente a questão da educação tradicional de sua geração, que pode se tornar uma fraqueza. Reuter enfatiza que “muitas pessoas da minha geração foram criadas para serem sempre educadas e prestativas”, mas alerta que, nesse contexto, “isso não é falta de educação, mas sim autoproteção”.

A recomendação central é direta: ao identificar qualquer sinal de suspeita ou pressão, o cidadão deve desligar a chamada imediatamente. Essa orientação se estende também a situações presenciais, como a abordagem de falsos policiais. A ideia é eliminar qualquer oportunidade para o golpista prosseguir com seu plano.

Como os Golpistas Atuam e os Alertas da Polícia

A maioria das abordagens fraudulentas na Suécia começa com mensagens de texto que simulam comunicações de órgãos governamentais, bancos ou empresas, solicitando que a vítima ligue para um número específico. Ao atender, os golpistas utilizam roteiros persuasivos e técnicas de estresse, frequentemente inventando que uma atividade criminosa está em curso na conta bancária da vítima e exigindo a transferência urgente de valores para uma suposta “conta de proteção”.

Em casos de golpes presenciais, criminosos disfarçados de policiais visitam as residências, inventando histórias para exigir cartões de crédito, joias ou outros objetos de valor. Robert Öhman, chefe de operações nacionais da Polícia Sueca, é categórico ao afirmar que a corporação jamais envia agentes para recolher ou guardar bens pessoais dos cidadãos. Ele reforça o apelo para que as pessoas ignorem a polidez e fechem a porta a qualquer sinal de desconfiança.

As autoridades também alertam para as implicações mais amplas desses crimes. O dinheiro subtraído das vítimas não impacta apenas o indivíduo, mas frequentemente financia organizações criminosas e atividades ilícitas de maior envergadura no país.

A Dimensão Global do Problema: Perdas Milionárias nos EUA

A vulnerabilidade da terceira idade a fraudes não é um fenômeno isolado da Suécia, mas um desafio global crescente. Nos Estados Unidos, por exemplo, dados do FBI (polícia federal americana) revelam um cenário ainda mais sombrio. Em 2025, adultos com 60 anos ou mais reportaram perdas de impressionantes US$ 7,75 bilhões (mais de R$ 40 bilhões) em 201.266 queixas, representando um salto de 59% em relação ao ano anterior. As fraudes de investimento, suporte técnico falso e golpes afetivos são as principais modalidades que causam prejuízos, com mais de 12 mil pessoas sofrendo perdas individuais superiores a US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil).

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) destaca uma característica importante desse tipo de crime: embora os idosos façam menos denúncias formais que os mais jovens, o montante financeiro que perdem é, em média, significativamente maior. Essas estatísticas, que consideram apenas os casos notificados, sugerem que o impacto real do crime organizado é substancialmente superior.