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O Supremo Tribunal Federal (STF) deu sinal verde para uma nova linha de investigação da Polícia Federal (PF) envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República. A decisão, proferida pelo ministro André Mendonça em 31 de julho de 2026, foca em possíveis irregularidades em contratos da Dataprev, empresa vital para a gestão de dados sociais do governo federal.
A Polícia Federal buscará esclarecer se Fábio Luís teria atuado para beneficiar empresários em negócios com a Dataprev, que é a principal processadora de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As suspeitas abrangem crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa, evidenciando a gravidade das acusações.
Esta nova autorização do STF representa uma extensão das apurações que já cercam o filho do presidente. A Dataprev, por sua função estratégica na administração de informações sensíveis do INSS e de outros programas sociais, é um ponto crucial para a integridade dos serviços públicos. A empresa pública é responsável por operar sistemas que impactam diretamente milhões de brasileiros, tornando qualquer indício de favorecimento em seus contratos uma questão de grande relevância pública.
A decisão do ministro André Mendonça surge um dia após ele próprio ter autorizado outro inquérito contra Lulinha, também relacionado a suposto tráfico de influência. Mendonça foi designado relator de ambas as investigações que recaem sobre Fábio Luís Lula da Silva.
A investigação anterior, tornada pública no final de julho, já apontava Fábio Luís como alvo de apurações por tráfico de influência e corrupção. Naquela ocasião, a PF suspeitava de sua atuação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde e no gabinete presidencial.
Antônio Carlos Camilo Antunes é uma figura central na Operação Sem Desconto da Polícia Federal, sendo apontado como um dos principais articuladores de desvios em aposentadorias e pensões. A ligação entre os dois inquéritos sugere uma rede de contatos e possíveis atuações em diferentes esferas do governo.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, classificou as recentes decisões como “lamentáveis”. Ele argumentou que não há fatos concretos que justifiquem a abertura dos inquéritos e acusou a Polícia Federal de empreender esforços para interferir no processo eleitoral.
De acordo com Carvalho, as investigações representam uma “pesca probatória” ou “fishing expedition”, uma tentativa de encontrar irregularidades sem um ponto de partida sólido. A defesa reforça que seu cliente não possui qualquer tipo de relação, direta ou indireta, com as irregularidades apontadas, prometendo comprovar sua inocência.
Parte das suspeitas do inquérito anterior envolve a área de cannabis medicinal. A Polícia Federal investiga se Lulinha e o “Careca do INSS” teriam se envolvido em negócios relacionados à venda de medicamentos de canabidiol ao governo. Em janeiro de 2025, o lobista teria tentado fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para os anos de 2024 e 2025, embora o acordo não tenha sido concretizado.
A PF suspeita que Fábio Luís tenha atuado para facilitar o recebimento do “Careca do INSS” no Ministério da Saúde. O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para buscar oportunidades de negócios em nome da empresa World Cannabis, de propriedade de Antunes.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca possuiu contrato com a World Cannabis ou com os acionistas mencionados, e, consequentemente, nunca realizou qualquer repasse de recursos públicos a eles. A defesa de Roberta Luchsinger nega irregularidades e afirma que não houve repasses a Fábio Luís.
No início de 2025, o “Careca do INSS” foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, então secretário-executivo da pasta. Após deixar o ministério, Berger assumiu a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República, o que levanta suspeitas sobre um possível tráfico de influência tanto na esfera ministerial quanto no ambiente presidencial.
Berger, por sua vez, declarou em nota que a reunião com o lobista ocorreu dentro de suas atribuições e sem “orientação” externa. Ele enfatizou que, como não houve interesse do ministério em adquirir produtos ou serviços da empresa, o encontro não teve desdobramentos, o que, segundo ele, afasta a tese de influência política.
A defesa de Fábio Luís confirmou uma viagem dele a Portugal em novembro de 2024, acompanhado de Antônio Camilo. O objetivo seria visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas, segundo os advogados, não resultou em qualquer negócio entre eles. A viagem, conforme a defesa, foi um convite aceito por curiosidade, sem qualquer vínculo profissional ou comercial.