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Sony encerra fabricação de mídias físicas do PlayStation, transformando indústria de jogos usados

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A Sony confirmou o encerramento da produção de jogos em formato de disco para seus consoles PlayStation, com prazo final estabelecido para janeiro de 2028. Esta medida, anunciada na quarta-feira, 22 de julho de 2026, aponta para uma completa virada da gigante japonesa em direção ao universo digital, com potenciais abalos significativos no setor de jogos usados, avaliado globalmente em US$ 7,2 bilhões. As consequências dessa mudança prometem remodelar a experiência de jogadores e o modelo de negócios de varejistas em todo o mundo.

A guinada da Sony para o digital e o fim da produção de mídias físicas em 2028

Conforme dados da Dataintelo, o segmento de itens de segunda mão, que abrange desde jogos seminovos até consoles, acessórios e periféricos recondicionados, registrou um volume de US$ 7,2 bilhões em 2025. As projeções indicavam um crescimento robusto, com a expectativa de que esse valor alcançasse US$ 13,8 bilhões até 2034. Dentro desse panorama, os consoles representavam uma fatia substancial de 42,3% da receita, sublinhando a relevância da mídia física para sustentar o ecossistema de revenda e troca de equipamentos.

Crédito: Mixvale.com.br

Embora a determinação da Sony vá reverberar globalmente, o impacto será sentido de maneira mais intensa em certas regiões. A América do Norte se destacou em 2025 como o mercado líder, contribuindo com 36,8% do faturamento total do comércio de jogos usados, o equivalente a aproximadamente US$ 2,65 bilhões. Nos Estados Unidos, em particular, mais de 38% de todas as aquisições de videogames no mesmo período envolviam um título de segunda mão, mostrando a forte cultura de consumo nesse formato.

Na Europa, a movimentação de jogos usados constituiu cerca de 28,3% da receita mundial, estabelecendo-se como o segundo maior centro consumidor, com Reino Unido, Alemanha, França e países nórdicos na vanguarda da adoção. A região da Ásia-Pacífico contribuiu com aproximadamente 24,6% desse montante, enquanto América Latina, Oriente Médio e África somaram 10,3% do comércio, com Brasil, México, Arábia Saudita e África do Sul apresentando as taxas de crescimento mais elevadas. Grandes varejistas como GameStop, Amazon, eBay e Decluttr dominavam o cenário norte-americano, ao passo que a CEX se sobressaía no continente europeu.

Dados de vendas do PlayStation 5 nos EUA reforçam a mudança da Sony para o universo digital

A principal razão que impulsionava os consumidores a buscar o mercado de segunda mão sempre foi a economia, já que os jogos em disco frequentemente apresentavam um custo inferior às suas contrapartes digitais no momento do lançamento. Adicionalmente, a prática de trocar jogos usados permitia aos jogadores obter crédito ou “moeda” para adquirir novos lançamentos, um benefício que desaparecerá com o fim da mídia física. A determinação da Sony, portanto, restringe as opções dos consumidores e afeta diretamente entusiastas de jogos retrô e colecionadores de hardware mais antigo, que dependem da disponibilidade de mídias físicas, marcando uma perda significativa na liberdade de escolha.

Michael Pachter, diretor-gerente de planejamento estratégico da Wedbush Securities, expressou sua visão sobre o cenário. Ele observou que, historicamente, “pelo menos um terço dos jogos eram vendidos como usados, e esses mesmos jogos proporcionavam uma espécie de moeda para o jogador que os trocava por dinheiro, utilizando-o para comprar novos títulos”. Pachter concluiu sua análise com uma afirmação contundente: “o varejo de jogos físicos está fadado ao desaparecimento”.

É importante notar que, embora a decisão da Sony impacte primariamente os futuros lançamentos, ela não interfere na funcionalidade dos discos já existentes no mercado. No entanto, esse movimento representa um forte indício de que o PlayStation 6, a próxima geração de consoles da empresa, provavelmente será concebido sem um drive de disco, operando exclusivamente com cópias digitais, ainda que possa oferecer retrocompatibilidade com títulos do PS5. Essa alteração na arquitetura do console futuro solidifica a visão da empresa para um ecossistema totalmente digital.

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Kazunori Ito, diretor de pesquisa de ações da Morningstar, manifestou que a transição para o formato digital é, de certa forma, previsível, mas questionou a maneira como ela está sendo implementada. “Existe uma distinção crucial entre os jogadores que optam por essa mudança por enxergarem valor nela e aqueles que se veem obrigados a adotá-la pela supressão da alternativa”, pontuou Ito. Ele complementou que “a maioria preferiria realizar essa transição conforme sua própria vontade e ritmo, em vez de ser compelida pelo término da produção de discos físicos”, ressaltando a importância da autonomia do consumidor.

Em contraste, a Microsoft ainda não se pronunciou sobre se o Project Helix, seu vindouro console Xbox de próxima geração, também eliminará o drive de disco. Contudo, circulam informações de que a empresa estaria explorando soluções para permitir que os jogadores convertam suas coleções de jogos físicos para o formato digital, o que poderia configurar uma abordagem inovadora e distinta no futuro da indústria de videogames, oferecendo uma ponte para quem já investiu em mídias físicas.