
Crédito: Formula1.com
O piloto Sergio Perez fez uma análise aprofundada sobre o desempenho da equipe Cadillac na Fórmula 1 até o momento. Em uma entrevista recente, ele compartilhou suas perspectivas sobre os altos e baixos enfrentados, além de apontar os elementos cruciais para impulsionar o time rumo à temporada de 2027.
Perez reconheceu abertamente que a Cadillac precisou reavaliar seus métodos após uma série de resultados frustrantes. O mexicano indicou que o progresso da equipe não atingiu o nível esperado, gerando um sentimento de considerável desapontamento dentro do grupo.
Desde sua estreia na Fórmula 1, no Grande Prêmio da Austrália que abriu a temporada, a Cadillac enfrentou momentos variados. A equipe alcançou seu melhor resultado com Valtteri Bottas em 13º lugar na China, mas também lidou com frequentes problemas de confiabilidade que afetaram seu desempenho.
Em sua participação no podcast oficial da F1, Perez, que iniciou sua jornada na categoria em 2011, expressou satisfação em contribuir para a construção da nova equipe. Contudo, ele enfatizou a necessidade de uma evolução contínua nos próximos anos para que o projeto alcance seu potencial máximo.
“Sinto-me verdadeiramente parte deste projeto, desta nova fase, construindo algo do zero”, declarou o piloto. “É claro que meu objetivo é conquistar campeonatos e disputar as primeiras posições, como qualquer competidor de ponta.”
“Porém, se essa chance não se apresenta, a Cadillac me motiva bastante, pois é como edificar uma equipe a partir do alicerce, partindo da última posição para ver o quão longe podemos chegar juntos. Sinto que aqui sou bem mais do que um piloto”, acrescentou, destacando seu papel além das pistas.
Ele também destacou a atenção que recebe da equipe em questões de desenvolvimento e outros aspectos técnicos do carro. “Poucos pilotos conseguem isso em suas carreiras, e é a primeira vez que tenho essa oportunidade de ter uma voz tão ativa”, afirmou Perez.
“As últimas corridas foram uma decepção. Há muita frustração porque não conseguimos evoluir. Não estamos melhorando, e como uma equipe nova, isso é exatamente o que deveríamos estar fazendo constantemente, buscando a curva de aprendizado”, expressou o veterano da F1.
O piloto percebeu uma estagnação nos resultados recentes, o que levou a uma revisão completa dos procedimentos internos da equipe. Ele ressaltou que, sendo uma equipe recém-chegada, há um volume imenso de aprendizado em curso e muitos ajustes a serem feitos.
“Acredito que não progredimos tanto quanto esperávamos. O mais crucial é que estamos compreendendo e analisando nossos processos, investigando por que a evolução não aconteceu e por que não melhoramos em diversas áreas. Não se trata de um único fator. Como equipe nova, há muitos elementos envolvidos, e consigo identificá-los”, explicou.
Perez acredita que, ao aprimorar aspectos como a carga aerodinâmica e o comportamento do carro, a equipe pode se aproximar significativamente das concorrentes. “Estamos na parte de trás, mas meio segundo, um segundo, mudaria completamente nossa realidade neste estágio. Para nós, como uma equipe nova, isso é algo que está ao nosso alcance; é possível”, concluiu com otimismo.
O piloto manifesta otimismo de que a Cadillac, que recentemente contratou Marcin Budkowski como novo chefe de equipe, substituindo Graeme Lowdon antes do Grande Prêmio da Holanda, consiga avançar. Ele acredita que esse progresso seria um impulso fundamental para a segunda temporada do time em 2027, dando-lhes uma vantagem.
“Desejo ver mais progresso, diminuir a diferença para as equipes à nossa frente e conseguir disputar mais posições nas corridas”, afirmou o piloto de 36 anos. “Reduzir essa lacuna nos permitirá iniciar o próximo ano em uma condição muito mais favorável e competitiva.”
“Estou ansioso para trabalhar com Marcin, observar sua liderança. Penso que há um vasto espaço para melhorias, não apenas em desempenho, mas também em aspectos operacionais, como pit stops, estratégia e gerenciamento de pneus; ainda há muito a ser feito”, detalhou sobre as áreas de foco.
“Estamos apenas na nossa décima ou décima primeira corrida na história da equipe. Há muitas coisas a serem ajustadas. Quero ver um progresso muito maior na redução da diferença, e acredito que isso nos dará um impulso enorme para começar o próximo ano”, concluiu o piloto sobre as metas de curto prazo.
Pilotar pela Cadillac exigiu que Perez se adaptasse a lutar nas últimas posições do grid. Anteriormente, ele havia competido na frente e conquistado vitórias em Grandes Prêmios durante sua passagem de quatro anos pela Red Bull, o que representa uma mudança significativa.
Questionado se a motivação muda ao competir nas posições de trás, Perez respondeu: “Você ainda está na Fórmula 1, no auge do esporte. Continua trabalhando com os melhores engenheiros do mundo e competindo contra os melhores pilotos, mesmo que esteja distante deles, a paixão permanece.”
“Por exemplo, meu companheiro de equipe é Valtteri Bottas. Ele é um dos pilotos mais bem-sucedidos do grid atual, um dos mais rápidos. Manter o desafio com ele já é uma forma de motivação. Mesmo que não estejamos brigando por pontos, você ainda se comunica da mesma forma com os engenheiros, com o grupo de pneus, com todos”, explicou.
“É impressionante, mas não importa se você está lutando pelo campeonato ou pela 18ª posição, a linguagem é muito parecida. Alguns segundos podem transformar completamente sua vida no desenvolvimento, mostrando a margem estreita da F1”, observou.
Ele citou o exemplo da Aston Martin para ilustrar o potencial de recuperação: “A Aston Martin estava brigando conosco uma semana antes e, depois, na Hungria, deu um salto enorme. Provavelmente, em dois ou três meses, estará lutando na frente, e eles falam a mesma língua que nós”.
“Era algo que eu imaginava ao retornar: ‘a motivação não estará presente porque estarei lutando nas últimas posições’. Mas não foi o que aconteceu. Estou muito feliz por ainda estar na Fórmula 1, conversando a mesma língua com as pessoas ao meu redor”, finalizou, demonstrando sua satisfação com o atual desafio.
A jornada de uma nova equipe na Fórmula 1 é intrinsecamente desafiadora, exigindo resiliência e constante aprimoramento em cada etapa da competição, onde cada detalhe faz a diferença.
A capacidade de adaptação e a busca por soluções inovadoras são cruciais para que o time consiga se estabelecer e progredir no cenário do automobilismo mundial, um ambiente de alta pressão e competitividade.
O futuro da equipe dependerá da execução de seus planos de desenvolvimento e da sinergia entre todos os envolvidos, desde os pilotos até a equipe técnica, em busca de resultados consistentes e duradouros na categoria.