
Domo da Orgia do festival Burning Man — Foto: Divulgação/Consensuality Inc. Crédito: Extra.globo.com
O renomado festival de contracultura Burning Man, que anualmente transforma o Deserto de Black Rock, em Nevada, EUA, está prestes a receber de volta uma de suas atrações mais comentadas. A partir do próximo sábado, 31 de agosto, a edição deste ano contará novamente com o acampamento dedicado à sexualidade positiva, que ressurge com uma estrutura completamente redesenhada após ter sido severamente danificada por ventos fortes na edição anterior.
A estrutura, conhecida por sediar workshops e eventos focados na sexualidade positiva, foi reconstruída com uma engenharia aprimorada. Os organizadores esperam que o novo design, que combina tendas de circo com uma cúpula de eventos, ofereça maior resistência ao clima imprevisível do deserto. Anteriormente, o espaço utilizava coberturas de carro interligadas, uma solução que se mostrou vulnerável às intempéries.
No ano passado, a rápida destruição da estrutura principal por um vendaval causou frustração entre os participantes e forçou o fechamento do local pelo restante do evento. Em um exemplo da capacidade de adaptação do festival, um ônibus foi improvisado para substituir a tenda danificada, demonstrando a resiliência da comunidade em meio aos contratempos.
O acampamento, operado pela organização sem fins lucrativos Consensuality Inc. desde 2003, mantém seu pilar na educação sobre consentimento e na promoção de um ambiente seguro para adultos. As atividades, que incluem oficinas e festas de sexo coletivo, exigem um “sim” explícito e claro dos participantes para qualquer interação.
A qualquer momento, o consentimento pode ser revogado, e qualquer manifestação que não seja um “sim” claro é interpretada como um “não”. Essa abordagem sublinha o compromisso do festival e do acampamento com a autonomia individual e a comunicação transparente, elementos essenciais para a experiência proposta.
O Burning Man, que se estende por nove dias, é um evento que atrai dezenas de milhares de pessoas globalmente, interessadas em experimentação social, arte e autoexpressão. Fundado em 1986 com a queima de uma figura de madeira em uma praia de São Francisco, o festival mudou-se para o deserto em 1990 e cresceu exponencialmente, esgotando ingressos pela primeira vez em 2011.
Embora tenha enfrentado um hiato de dois anos devido à pandemia de Covid-19, sua popularidade persiste. A cidade temporária de Black Rock City, erguida no deserto, é um microcosmo de uma sociedade utópica, regida por dez princípios que orientam a conduta dos “Burners”, como são chamados os participantes.
A segurança dos participantes é uma prioridade, com diversas agências policiais patrulhando Black Rock City. Os organizadores reiteram que atividades ilegais não são toleradas, e a violação da lei pode resultar em multas, prisão ou expulsão do festival. Em uma das edições recentes, um incidente trágico marcou o evento com a morte de Vadim Kruglov, de 37 anos, cujo corpo foi encontrado na cidade temporária em 30 de agosto, enquanto a icônica figura humana de madeira era queimada.
A filosofia do Burning Man é alicerçada em um conjunto de princípios que moldam a convivência e as interações dentro da Black Rock City. Estes valores fundamentais promovem uma comunidade auto-organizada e consciente:
A edição deste ano, que tem como tema “Axis Mundi”, promete continuar essa tradição de inovação e comunidade até 7 de setembro, reforçando a visão do Burning Man como uma experiência transformadora que vai além de um simples evento.