
IOS, Apple Crédito: Mixvale.com.br
O mercado global de smartphones registrou um declínio expressivo no terceiro trimestre de 2026, com os envios caindo 20% em comparação anual, atingindo o menor patamar para o período de julho a setembro desde 2012. Contudo, em meio a essa desaceleração generalizada, impulsionada pela escassez de chips de memória essenciais para projetos de inteligência artificial, as gigantes Samsung e Apple conseguiram expandir significativamente suas fatias de mercado, alcançando 23% e 22%, respectivamente, enquanto as fabricantes chinesas enfrentaram quedas acentuadas.
Esses dados alarmantes foram revelados no relatório preliminar Market Monitor, divulgado na última segunda-feira (12) pela renomada consultoria Counterpoint Research. Shilpi Jain, analista sênior da instituição, apontou que o terceiro trimestre marcou o segundo período consecutivo a sentir o peso completo da crise de componentes. A severa falta de memória está forçando o mercado de telefonia móvel a um estágio mais criterioso, reformulando tanto as estratégias das empresas quanto o comportamento dos consumidores, que agora tendem a manter seus aparelhos por mais tempo, considerar dispositivos recondicionados e priorizar modelos de maior valor agregado. As fabricantes, por sua vez, ajustam seus portfólios, preços e abordagens de mercado para salvaguardar a lucratividade.
A diminuição nos envios globais é uma consequência direta da carência e do aumento de preços de chips de memória do tipo DRAM, utilizada no processamento temporário, e NAND, voltada para o armazenamento de dados. O crescimento exponencial dos data centers de inteligência artificial elevou a procura por memórias de alta largura de banda (HBM), componentes que se tornaram mais lucrativos e levaram fornecedoras como Samsung, SK Hynix e Micron a reorientarem suas linhas de produção. Mais de 70% da capacidade global de fabricação de chips de memória foi redirecionada para atender aos investimentos em IA, um setor que, segundo projeções das consultorias TrendForce e Gartner, deve movimentar cerca de US$ 1,4 trilhão ao longo de 2026. Este movimento estratégico das fabricantes de chips demonstra uma priorização do mercado de IA, com maior margem de lucro, em detrimento da demanda por componentes para smartphones.
Com a oferta reduzida de componentes tradicionais para celulares, a lista de custos de materiais de fabricação, conhecida como BOM (Bill of Materials) na indústria, sofreu uma forte inflação. As empresas montadoras repassaram essa despesa para o varejo, resultando em um aumento acumulado de 20% nos preços médios globais dos smartphones ao longo de 2026. Um exemplo claro dessa tendência foi a Samsung, que no início de outubro de 2026, elevou em US$ 100 os valores da linha Galaxy S26, um movimento que espelhou a Apple, que já havia lançado em setembro de 2026 os modelos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max com um acréscimo de US$ 100 em relação à geração anterior.
A Samsung, com sua dupla atuação como fabricante de celulares e fornecedora de semicondutores, garantiu um abastecimento estável de componentes para sua popular linha intermediária Galaxy A, além de impulsionar a demanda inicial pela série dobrável Galaxy Z8, liderada pelo modelo Galaxy Z Fold8. Embora seu volume absoluto de remessas tenha encolhido 3% na comparação anual, a marca sul-coreana manteve a primeira posição global. Por outro lado, a Apple superou pela primeira vez na história a marca de 20% de participação em um terceiro trimestre, impulsionada pela excelente recepção dos modelos iPhone 18 Pro na China e na Índia e pelas vendas contínuas da linha iPhone 17, mesmo registrando uma queda no volume total de envios devido à ausência de um modelo básico do iPhone 18 no mês de estreia.
Em contraste, as marcas chinesas, que historicamente se concentram em aparelhos de entrada e intermediários, registraram as quedas mais severas em volume devido à intensa pressão nos custos de produção. Para proteger suas margens de lucro, a Xiaomi optou por reduzir a oferta de celulares mais acessíveis e diminuir sua presença em mercados externos. A OPPO, por sua vez, unificou operações com as marcas Realme e OnePlus, buscando otimizar recursos e cortar sobreposições, enquanto a vivo restringiu seu foco comercial à Índia e à China. A seguir, a distribuição do ranking global de participação e a variação anual de volume de cada fabricante no terceiro trimestre de 2026:
O volume de envios de smartphones registrado entre julho e setembro de 2026 representa o patamar mais baixo para um terceiro trimestre em 14 anos, uma realidade que a indústria não vivenciava desde 2012, período em que o principal lançamento comercial da Samsung no mercado era o aclamado Galaxy S3.
Para os meses finais do ano, o comunicado oficial da Counterpoint Research sinaliza a manutenção de um cenário restritivo. A perspectiva para o restante de 2026 continua desafiadora, com cortes de produção, portfólios mais enxutos e um foco intensificado em dispositivos premium. Os segmentos mais sensíveis a preço devem enfrentar pressão adicional devido aos custos mais elevados dos aparelhos e à limitada disponibilidade de componentes no mercado global.
Apesar de detalhar os percentuais de retração e a divisão das fatias de mercado entre as empresas, a Counterpoint Research optou por não divulgar o número absoluto total de unidades de smartphones enviadas globalmente no terceiro trimestre de 2026.
Separadas por apenas um ponto percentual no ranking mundial, Samsung e Apple preparam-se para uma acirrada disputa pela liderança do quarto trimestre de 2026, impulsionada pela aguardada estreia do iPhone Duo, o primeiro smartphone dobrável da empresa norte-americana. O novo aparelho promete combinar a praticidade de um celular compacto quando fechado com a funcionalidade de uma tela ampliada quando aberto, entrando em concorrência direta no segmento premium de dobráveis, atualmente dominado pela fabricante sul-coreana. As especificações confirmadas, os preços no mercado brasileiro e o calendário de lançamento do iPhone Duo incluem: