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Risco de colapso em barragem no RS provoca evacuação e alerta máximo em São Marcos

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Cerca de 170 moradores da área rural de São Marcos, na Serra Gaúcha, foram retirados preventivamente de suas casas após a Barragem Arroio São Luiz apresentar graves problemas estruturais, levando a Defesa Civil do Rio Grande do Sul a emitir um alerta vermelho de perigo muito alto. A medida de segurança, que incluiu a suspensão das aulas em uma escola local e a interdição de uma estrada, visa proteger a população diante da possibilidade de um colapso iminente.

Danos Estruturais e a Implantação do Alerta de Emergência

As inspeções técnicas revelaram a presença de fissuras e vazamentos significativos na estrutura do vertedouro e nos contrafortes da represa, que é vital para o abastecimento hídrico da região. O coordenador regional da Defesa Civil, Marcelo Almeida de Souza, enfatizou a seriedade da situação, confirmando a existência de risco para a vida dos habitantes das proximidades.

Barragem Arroio São Luiz na Serra Gaúcha – Divulgação/ Corsan Crédito: Mixvale.com.br

A situação levou à ativação do Plano de Ação de Emergência (PAE), um protocolo detalhado que mobilizou assistentes sociais e equipes operacionais. O objetivo é orientar e auxiliar as famílias residentes em um raio de 10 quilômetros a jusante da barragem, abrangendo tanto a Zona de Autossalvamento (ZAS) quanto a Zona de Segurança Secundária (ZSS), onde foram mapeadas dezenas de edificações e uma ponte.

Ações Imediatas para Estabilizar a Represa

Uma força-tarefa integrada, composta pela administração municipal de São Marcos, o governo estadual e técnicos da concessionária Corsan Aegea, agiu rapidamente para mitigar a pressão sobre a estrutura. As comportas da descarga de fundo foram abertas para esvaziar o reservatório, e um sistema emergencial com bombas adicionais foi montado para acelerar a drenagem de milhares de metros cúbicos de água.

A diretora de Operações da Corsan Aegea, Maraisa Mendonça, explicou que a intensificação das vistorias após as chuvas foi crucial para a detecção das anomalias e a pronta resposta, priorizando a segurança dos moradores.

  • Engenheiros constataram fissuras e vazamentos nos blocos de contraforte e vertedouro da barragem.
  • O Plano de Ação de Emergência foi ativado pela Corsan para garantir a evacuação imediata.
  • Abertura das comportas de descarga de fundo para redução do volume de água no reservatório.
  • Emissão de aviso sonoro de perigo severo via Cell Broadcast para a população local.
  • Cerca de 170 pessoas foram realocadas para hotéis conveniados ou casas de familiares.
  • Suspensão das aulas na Escola Municipal Antônio Pessini e bloqueio de uma estrada vicinal.
  • Instalação de bombas hidráulicas complementares para intensificar a drenagem da represa.

Impacto das Chuvas Incomuns e o Contexto Regional

A instabilidade estrutural da Barragem Arroio São Luiz foi diretamente atribuída a um volume de chuvas extremo e atípico. Em apenas 24 horas, São Marcos registrou 174 milímetros de precipitação, superando a média histórica de 163 milímetros esperada para todo o mês de setembro. Esse excesso hídrico sobrecarregou a estrutura, evidenciando sua vulnerabilidade.

É importante destacar que o monitoramento rigoroso de barragens no Rio Grande do Sul tornou-se uma prática obrigatória e intensificada desde os desastres provocados pelas enchentes históricas que assolaram o estado a partir de 2024. A situação atual em São Marcos ressalta a importância contínua da vigilância e da prontidão dos planos de contingência diante de eventos climáticos extremos.

  • Capacidade total da represa: Aproximadamente 420 mil metros cúbicos de água.
  • Volume registrado em 23/09 (12h47): Cerca de 138 mil metros cúbicos.
  • Volume registrado em 23/09 (22h17): Redução para aproximadamente 135 mil metros cúbicos.

Cronologia das Medidas Adotadas

  • 23 de setembro de 2026, 12h47: Início da vazão controlada de água com a abertura da descarga de fundo.
  • 23 de setembro de 2026, 15h53: Disparo do alerta de emergência via Cell Broadcast para moradores.
  • 23 de setembro de 2026, 22h17: Verificação do nível da represa, indicando a redução do volume acumulado.
  • 24 de setembro de 2026, manhã: Reunião técnica do Gabinete Local de Incidentes para avaliação da estabilidade.
  • 25 de setembro de 2026: Prazo previsto para a entrega do laudo pericial conclusivo dos engenheiros.

As autoridades confirmaram que, até o momento, não houve rompimento físico do barramento e descartaram qualquer risco de inundação para o centro urbano de São Marcos ou para a Região Metropolitana de Porto Alegre, focando os esforços nas áreas ribeirinhas mais próximas à estrutura.