
Barragem Arroio São Luiz na Serra Gaúcha - Divulgação/ Corsan Crédito: Mixvale.com.br
Cerca de 170 moradores da área rural de São Marcos, na Serra Gaúcha, foram retirados preventivamente de suas casas após a Barragem Arroio São Luiz apresentar graves problemas estruturais, levando a Defesa Civil do Rio Grande do Sul a emitir um alerta vermelho de perigo muito alto. A medida de segurança, que incluiu a suspensão das aulas em uma escola local e a interdição de uma estrada, visa proteger a população diante da possibilidade de um colapso iminente.
As inspeções técnicas revelaram a presença de fissuras e vazamentos significativos na estrutura do vertedouro e nos contrafortes da represa, que é vital para o abastecimento hídrico da região. O coordenador regional da Defesa Civil, Marcelo Almeida de Souza, enfatizou a seriedade da situação, confirmando a existência de risco para a vida dos habitantes das proximidades.
A situação levou à ativação do Plano de Ação de Emergência (PAE), um protocolo detalhado que mobilizou assistentes sociais e equipes operacionais. O objetivo é orientar e auxiliar as famílias residentes em um raio de 10 quilômetros a jusante da barragem, abrangendo tanto a Zona de Autossalvamento (ZAS) quanto a Zona de Segurança Secundária (ZSS), onde foram mapeadas dezenas de edificações e uma ponte.
Uma força-tarefa integrada, composta pela administração municipal de São Marcos, o governo estadual e técnicos da concessionária Corsan Aegea, agiu rapidamente para mitigar a pressão sobre a estrutura. As comportas da descarga de fundo foram abertas para esvaziar o reservatório, e um sistema emergencial com bombas adicionais foi montado para acelerar a drenagem de milhares de metros cúbicos de água.
A diretora de Operações da Corsan Aegea, Maraisa Mendonça, explicou que a intensificação das vistorias após as chuvas foi crucial para a detecção das anomalias e a pronta resposta, priorizando a segurança dos moradores.
A instabilidade estrutural da Barragem Arroio São Luiz foi diretamente atribuída a um volume de chuvas extremo e atípico. Em apenas 24 horas, São Marcos registrou 174 milímetros de precipitação, superando a média histórica de 163 milímetros esperada para todo o mês de setembro. Esse excesso hídrico sobrecarregou a estrutura, evidenciando sua vulnerabilidade.
É importante destacar que o monitoramento rigoroso de barragens no Rio Grande do Sul tornou-se uma prática obrigatória e intensificada desde os desastres provocados pelas enchentes históricas que assolaram o estado a partir de 2024. A situação atual em São Marcos ressalta a importância contínua da vigilância e da prontidão dos planos de contingência diante de eventos climáticos extremos.
As autoridades confirmaram que, até o momento, não houve rompimento físico do barramento e descartaram qualquer risco de inundação para o centro urbano de São Marcos ou para a Região Metropolitana de Porto Alegre, focando os esforços nas áreas ribeirinhas mais próximas à estrutura.