
Kathlyn Izabel - Redes Sociais Crédito: Mixvale.com.br
Brasília, DF – A Polícia Federal (PF) está envolvida na investigação das circunstâncias que levaram à morte de Kathlyn Izabel Becker Pereira, uma jovem brasileira de 28 anos, cujo corpo foi encontrado em um hotel na capital croata, Zagreb. A família da vítima, natural de Ji-Paraná, Rondônia, tem levantado sérios questionamentos sobre a viagem e as condições do falecimento, que teve sua causa oficial registrada como indeterminada pelo consulado brasileiro. A complexidade do caso já envolveu procedimentos forenses em dois países e a busca por cooperação internacional.
A atuação das autoridades nacionais foi solicitada após parentes de Kathlyn expressarem preocupação com a falta de clareza em torno do ocorrido, pedindo suporte institucional para acompanhar as apurações conduzidas localmente. Em resposta aos questionamentos, a corporação federal manteve a postura institucional de não comentar denúncias específicas ou detalhes sobre investigações em andamento.
O corpo da brasileira chegou a Porto Velho, Rondônia, em 13 de setembro de 2026, após uma mobilização financeira da família para custear o traslado internacional. Por solicitação da Polícia Federal, um novo exame necroscópico foi realizado no Instituto Médico Legal (IML) local. Contudo, o Departamento de Perícia Oficial da Polícia Civil de Rondônia manteve a conclusão de causa de morte indeterminada. Os peritos apontaram que a análise foi severamente comprometida por fatores como o intervalo de mais de 20 dias desde o óbito, a autópsia já realizada no exterior e os dois procedimentos de embalsamamento feitos na Croácia e em São Paulo, que alteraram as condições do corpo. Amostras de tecidos e fluidos foram enviadas à Polícia Técnico-Científica de Rondônia para exames toxicológicos complementares, que são cruciais para tentar esclarecer a situação.
A sequência de acontecimentos que antecederam e sucederam a morte de Kathlyn Izabel Becker Pereira é marcada por lacunas e inconsistências que a família busca desvendar. Abaixo, os principais pontos apurados:
A viagem de Kathlyn à Europa, que culminou em sua morte, é cercada por detalhes que levantam suspeitas. A jovem partiu rumo à Sérvia com a intenção de trabalhar e arrecadar fundos para o tratamento de osteomielite de seu pai. No entanto, ao chegar, a vaga de emprego prometida já estava preenchida. Em seguida, pessoas cuja identidade permanece desconhecida a transportaram para a Croácia. Uma segunda mulher brasileira, que viajou nas mesmas condições, também teve seu contato com a família interrompido logo após o falecimento de Kathlyn, adicionando mais uma camada de mistério ao caso. A Polícia de Zagreb já instaurou um inquérito local e apreendeu os pertences deixados no hotel para auxiliar nas investigações.
O advogado da família solicitou a intervenção da Defensoria Pública da União para assegurar assistência jurídica perante os órgãos estrangeiros, sublinhando a importância da cooperação internacional para o esclarecimento do que realmente aconteceu. A complexidade de um caso transnacional, onde jurisdições e procedimentos legais diferentes se encontram, ressalta a importância de um acompanhamento diplomático e jurídico robusto para as famílias brasileiras envolvidas.
A elucidação completa do caso ainda aguarda desdobramentos cruciais. A causa definitiva da morte permanece sem uma conclusão técnica, e a identificação das pessoas responsáveis pelo transporte de Kathlyn da Sérvia para a Croácia segue sob investigação sigilosa. O paradeiro da acompanhante brasileira, que viajou com Kathlyn, também não foi revelado pelas autoridades envolvidas. A conclusão oficial dependerá dos resultados dos exames toxicológicos em Rondônia e do envio dos relatórios laboratoriais do Instituto Médico Legal de Zagreb, que estimou um prazo de três a quatro meses para liberar os dados diretamente ao Ministério Público croata. Como o advogado Joaci Ferreira da Silva atua voluntariamente e com restrição ao território brasileiro, a representação formal perante os tribunais estrangeiros depende da manifestação da Defensoria Pública da União para garantir acesso irrestrito às provas e informações coletadas no exterior.