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Crise em Gaza: Mulheres são forçadas a casamentos e trocadas por comida em meio ao conflito

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A situação humanitária na Faixa de Gaza atingiu um nível de gravidade sem precedentes, com mulheres e meninas sendo vítimas de exploração extrema, incluindo casamentos forçados e trocas por alimentos. Dois relatórios distintos das Nações Unidas revelam um cenário alarmante, onde a desolação impulsionada pelo conflito entre Israel e o grupo Hamas força famílias a medidas desesperadas para sobreviver.

Aumento Exponencial da Violência de Gênero no Enclave Palestino

As estatísticas apresentadas pelos organismos internacionais são contundentes. No primeiro trimestre de 2026, a região registrou um aumento impressionante de 123% nos casos de casamentos precoces e forçados. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) aponta que mulheres com idades entre 18 e 59 anos representaram 68% de todas as ocorrências de violência baseada em gênero (VBG) documentadas no território palestino sob bloqueio.

Casamento coletivo em Gaza — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com

Este crescimento vertiginoso reflete a deterioração das condições de vida e a crescente vulnerabilidade das mulheres, que se tornam alvos fáceis em um ambiente de escassez e desespero. A intensificação do conflito, que se seguiu aos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 em Israel, ceifando cerca de 1.200 vidas, em sua maioria civis, e resultando no sequestro de aproximadamente 250 pessoas levadas para Gaza, exacerbou a crise humanitária a níveis críticos.

Consequências Devastadoras da Crise Humanitária

Investigadores documentaram relatos perturbadores, onde meninas são entregues em matrimônio a seus agressores sexuais, ou mesmo negociadas por comida. Em muitos casos, os próprios responsáveis, incapazes de prover sustento e segurança, recorrem a essas medidas extremas. A falta de recursos básicos, como alimentos e água, transforma a dignidade humana em moeda de troca.

“A violência psicológica e emocional surgiu como a segunda forma mais frequente de abuso relatada, vindo logo após a violência física, sexual e os casamentos forçados e precoces”, detalharam os pesquisadores em seus estudos. Eles atribuem essas tendências ao intenso estresse vivido por homens e mulheres abrigados em locais superlotados e inadequados, além do acesso cronicamente limitado a itens essenciais de sobrevivência.

Vidas Marcadas pela Desesperança em Abrigos de Refugiados

Um segundo levantamento, focado nos campos de refugiados na Cidade de Gaza e em Khan Younis, coletou os depoimentos angustiantes de 230 mulheres. Seus testemunhos lançam luz sobre a brutalidade da realidade diária. Em um dos relatos, uma mulher que vive em uma escola adaptada como abrigo humanitário descreveu como vítimas de estupro são frequentemente coagidas a se casar com seus algozes, numa tentativa de evitar o estigma social.

“Quando casos de agressão sexual vêm à tona nas escolas, é comum ver casamentos e celebrações acontecendo no dia seguinte”, afirmou ela, ilustrando a pressão social e a ausência de alternativas para as vítimas. Outro depoimento chocante descreveu um pai que forçou sua filha de apenas 14 anos a se casar com um desconhecido. A transação: dois sacos de farinha, um preço ínfimo pela vida de uma criança, mas vital para alimentar a família em meio à fome generalizada.

A recorrência desses abusos em zonas de conflito, como Gaza, sublinha a urgência de proteção para as populações mais vulneráveis. A deterioração das condições de segurança e a escassez de recursos básicos criam um ambiente propício para a exploração, onde a violência de gênero se torna uma trágica consequência da guerra.