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Rede de exploração infantil usa TikTok e Telegram, mas Pix expõe rastros financeiros

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Uma investigação recente revelou que grupos criminosos estão utilizando as plataformas TikTok e Telegram como vitrines para a comercialização de material de abuso sexual infantil. O esquema envolve o direcionamento de potenciais compradores de comentários em postagens públicas para ambientes restritos no Telegram, onde as negociações são finalizadas.

Os operadores dessas redes ilícitas prometem falsamente que os pagamentos realizados via Pix são indetectáveis. Para sustentar essa farsa, eles empregam contas bancárias abertas em nome de terceiros, buscando obscurecer a origem e o destino dos valores recebidos ilegalmente.

Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil – Reprodução Crédito: Mixvale.com.br

Em um dos contatos monitorados durante a apuração divulgada neste domingo (27), um dos vendedores confirmou a estratégia de ocultação. “Não [dará para rastrear], porque esse banco que estou usando é de uma garota. Eu recebo muitos PIXs nele. Daqui a pouco a conta cai. Aí seu PIX nunca existiu, kkkk”, declarou o indivíduo em uma conversa no aplicativo de mensagens, evidenciando a tentativa de criar um rastro falso.

A Polícia Federal, no entanto, esclarece que todas as operações realizadas através do sistema Pix geram registros bancários permanentes, estabelecendo uma ligação direta entre os dados do pagador e do recebedor nas respectivas instituições financeiras. Esses registros são acessíveis aos investigadores mediante autorização judicial, permitindo a identificação tanto dos exploradores sexuais quanto dos indivíduos que adquirem os materiais proibidos. Ao contrário das falsas informações espalhadas em fóruns clandestinos, o encerramento de uma conta bancária não tem o poder de apagar o histórico de transações armazenado nos sistemas do Banco Central.

Foi identificado que os criminosos utilizavam como chave Pix um endereço de correio eletrônico corporativo com o domínio “@estudante.rs.gov.br”, pertencente à rede educacional do Rio Grande do Sul. Questionada oficialmente sobre a utilização de sua estrutura de domínio para a movimentação de fundos, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que “está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso”.

Escalada global da vigilância sobre o Telegram por crimes online

Nos canais mantidos no aplicativo Telegram, os envolvidos apresentavam tabelas de preços que variavam conforme o volume e o tipo de arquivos digitais ofertados. As cobranças iam desde valores menores para pacotes compactados até taxas mais elevadas para adesão permanente a comunidades virtuais exclusivas.

Casos notórios de exploração sexual infantil em destaque

Investigadores da Polícia Federal identificaram que os exploradores frequentemente recorrem a contas bancárias de ex-namoradas ou, de forma ainda mais grave, das próprias crianças e adolescentes que foram anteriormente vitimadas. Esse método visa desvincular o principal operador do fluxo financeiro, transferindo a titularidade aparente da transação para indivíduos em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes desconhecem a extensão total da movimentação realizada em seu nome.

Para tentar burlar os sistemas de conformidade do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e as exigências regulatórias do Banco Central, as redes criminosas têm direcionado suas operações financeiras para bancos digitais e empresas de tecnologia financeira. Essas instituições, muitas vezes, são caracterizadas por controles cadastrais menos rigorosos. Em alguns casos apurados pelos agentes federais, os suspeitos chegam a registrar pessoas jurídicas formais no próprio setor de serviços financeiros, buscando movimentar somas ilícitas sem serem alvo de requisições por parte dos órgãos fiscalizadores.

Antes de consolidar os pagamentos via transferência bancária, os distribuidores habitualmente enviavam prévias visuais que eram configuradas com um mecanismo de autodestruição após uma única visualização. Este procedimento técnico servia tanto como prova da posse dos arquivos para atrair os clientes quanto para dificultar a coleta de evidências pelas equipes de segurança das plataformas digitais.

As empresas responsáveis pelos aplicativos em questão detalharam as medidas de segurança implementadas para coibir a distribuição desse tipo de conteúdo em suas infraestruturas. O Telegram, por exemplo, reportou a exclusão de mais de 339.760 canais e grupos associados à exploração de menores ao longo do ano de 2026. Essa ação foi possível por meio do cruzamento de bases de dados mantidas por organizações de proteção e pela análise de conteúdos publicamente disponíveis.

O TikTok, por sua vez, afirmou que atua de maneira contínua contra usuários que tentam contornar as regras da plataforma utilizando termos disfarçados em áreas públicas. “Empregamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens”, declarou um porta-voz do serviço. Ele ressaltou ainda que 99,8% das postagens que violaram as políticas contra violência e exploração infanto-juvenil no primeiro trimestre de 2026 foram proativamente removidas pelos filtros automatizados da plataforma.

A identidade civil do principal suspeito pela comercialização do material nas salas virtuais ainda não foi confirmada pelos investigadores. Permanece também sem esclarecimento oficial se a titular da conta de e-mail institucional vinculada à rede pública gaúcha figurava como vítima direta do grupo criminoso ou se teve seus documentos pessoais utilizados indevidamente e sem consentimento para a criação da chave bancária.

Casos de risco iminente ou agressão contra crianças e adolescentes devem ser prontamente comunicados à Polícia Militar, através do telefone 190. Outra opção é o Disque 100, um serviço público federal que garante o anonimato ao acolher os registros e encaminhá-los aos conselhos tutelares e delegacias especializadas.